Gala dos Vinhos do Tejo juntou mais de 300 pessoas em Tomar. Foto: mediotejo.net

Durante a ‘Gala Vinhos do Tejo 2022’, que teve lugar no sábado, dia 25 de junho, no Hotel dos Templários, em Tomar, o presidente do Instituto da Vinha e do Vinho (I.V.V.) afirmou que a região dos Vinhos do Tejo “está com uma força e um dinamismo imparáveis”.

Bernardo Gouvêa destacou a “evolução extraordinária” que a região teve desde 2018, com o aumento das vendas no mercado interno, das exportações e da certificação. Esta foi a tónica dominante dos discursos numa cerimónia que decorre anualmente e onde se reconheceram os melhores do vinho, da gastronomia e do território.

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O presidente do I.V.V. sublinhou o facto de a região ter triplicado a sua certificação vinícola com a consequente criação de valor e de retorno. Enalteceu a vontade coletiva, mas fez ver que “o potencial ainda é enorme”.

Intervenção do Presidente do Instituto da Vinha e do Vinho, Bernardo Gouvêa:

Na sua intervenção elencou vários aspetos em que a Região do Tejo tem melhorado e evoluído, nomeadamente na reestruturação das vinhas em que há perspetivas de duplicar a área dos últimos cinco anos.

Bernardo Gouvêa contextualizou o setor após o “período muito difícil” da pandemia apontando alguns desafios num “cenário inflacionista imprevisível” que se está a registar.  E deu alguns exemplos: “o vidro aumentou 40% e estão para ser anunciados novos aumentos, o cartão aumentou, as paletes aumentam e não há para entrega e a logística aumentou extraordinariamente.

Também o presidente da Comissão Vitivinícola Regional do Tejo (CVR Tejo) justificou a sua intervenção longa devido à atual conjuntura nacional e internacional.

Luís de Castro referiu-se à pandemia, à guerra na Ucrânia e à crise energética como fatores com forte impacto no setor e que vieram “abalar a retoma que todos ansiavam e previam vir a acontecer este ano”.

Intervenção do Presidente da Comissão Vitivinícola Regional do Tejo, Luís de Castro:

Além de sofrimento e instabilidade, a guerra na Ucrânia veio trazer “outros males”, como por exemplo, “a inflação, a recessão, o aumento generalizado de preços e, no setor do vinho, graves dificuldades nos chamados ciclos”. Apontou ainda o agravamento dos custos dos fatores de produção devido ao constante acréscimo do valor da energia elétrica e combustíveis, o disparar o custo dos transportes e as dificuldades em conseguir contentores para transportar mercadorias.

Esta “dura realidade” repercute-se numa “atividade económica cada vez mais difícil”, mas, tal como aconteceu na pandemia, a mensagem é de esperança: “vamos conseguir ultrapassar este difícil desafio”.

Aquele dirigente deixou um apelo à união entre todos, “para que os vinhos se continuem a afirmar e a ter cada vez mais notoriedade a nível nacional e internacional”. Apelou também ao presidente do IVV para que o Governo continue a apoiar a promoção e venda dos vinhos portugueses no estrangeiro.

O presidente da CCR partilhou “algumas boas notícias” no setor. Em 2021 aumentou o volume de vinho certificado em 3,16% em relação ao ano anterior, e as exportações aumentaram 12%. O mercado dos vinhos aumentou de uma maneira geral em Portugal, sendo que na região do Tejo aumentou mais do que a média nacional. “Estamos todos de parabéns”, congratulou-se.

Intervenção de Pedro Castro Rego, Grão-Mestre da Confraria Enófila Nossa Senhora do Tejo:

Interveio ainda Pedro Castro Rego, Grão-Mestre da Confraria Enófila Nossa Senhora do Tejo, que juntou aos fatores da conjuntura pandémica e bélica, o problema das alterações climáticas que estão a afetar a produção de vinho no mundo inteiro.

Regozijou-se pelo facto de a Região do Tejo, apesar das dificuldades, se continuar a afirmar a nível nacional e internacional.

“Família Vinhos do Tejo não tem parado de aumentar”

Foram mais de 300 pessoas que participaram na Gala Vinho do Tejo, este ano já num formato normal, uma iniciativa organizada pela Comissão Vitivinícola Regional do Tejo (CVR Tejo) e pela Confraria Enófila de Nossa Senhora do Tejo (CENST).

“A Família Vinhos do Tejo felizmente não tem parado de aumentar”, começou por se congratular João Silvestre, Diretor Geral da CVR Tejo, numa “noite de festa” com “muitos prémios para atribuir e muitas pessoas para homenagear”.

Este ano, a 12.ª edição do ‘Concurso Vinhos do Tejo’, contou com um total de 166 amostras para prova, avaliadas por um painel de jurados especializados. Congratulados com distinção, com o ‘Medalha Excelência’, foram os vinhos ‘Quinta do Casal Monteiro Grande Reserva Fernão Pires branco 2019’ (Quinta do Casal Monteiro) e o ‘Zé da Leonor Reserva tinto 2020’ (Casa Agrícola Rebelo Lopes). Já na edição de 2021, o produtor Quinta do Casal Monteiro tinha sido distinguido com o ‘Medalha Excelência’ com o seu vinho ‘Quinta do Casal Monteiro Grande Reserva tinto 2018’.

Distinguidos com a ‘Grande Medalha de Ouro’ foram 9 vinhos, sendo eles: ‘Quinta da Lapa Touriga Nacional Reserva Tinto 2018’ (Agrovia); ‘Quinta São João Batista Grande Reserva Tinto 2018’ (Enoport Wines); ‘Cabeça de Toiro Grande Reserva Branco 2019’ (Enoport Wines); ‘75 1st Collection Reserva Tinto 2018’ (Three Quarters Wines); ‘Abafado 5 Years Fernão Pires Branco 2016’ (Quinta Da Alorna);  ‘Cabeça de Toiro Grande Reserva Tinto 2017’ (Enoport Wines); ‘Quinta da Lapa Reserva Branco 2019’ (Agrovia); ‘Paciência Moscatel Graúdo Reserva Branco 2018’ (Casa Agrícola Paciência); ‘Quinta da Alorna Reserva Alvarinho & Viognier Branco 2020’ (Quinta Da Alorna).

Conseguiram o galardão de ‘Ouro’ 26 vinhos, entre os quais 10 brancos e 16 tintos. Já os diplomas de ‘Prata’ foram entregues a 4 brancos, 1 rosé e 9 vinhos tintos. Como já é habitual, foram também eleitos os melhores brancos e rosés da colheita de 2021. Entre os melhores rosés, foi destacado em 1º lugar o ‘Herdade dos Templários 2021’, como 2º classificado o ‘Terra de Lobos 2021’ e por último o ‘Quinta do Casal Monteiro 2021’. No que diz respeito aos melhores brancos, pela mesma ordem de classificação, foram premiados os vinhos ‘Pingo Doce Sauvignon Blanc E Verdelho 2021’, o ‘Lagoalva Sauvignon Blanc’, também premiado nesta categoria na edição anterior, e o ‘@batista’s By Pitada Verde Colheita Seleccionada 2021’.

‘Encosta do Sobral’ galardoada como ‘Empresa Dinamismo’

Nos ‘Prémios Vinhos do Tejo’ são galardoados os agentes económicos inscritos na CVR Tejo nas categorias de Sustentabilidade, Empresa Dinamismo, Empresa Excelência, Enólogo do Ano e Prémio Carreira. Começando pela distinção mais recente neste concurso, o ‘Prémio Sustentabilidade’ foi entregue à Companhia das Lezírias.

No que diz respeito aos produtores da região, destaca-se a ‘Encosta do Sobral’, da Serra de Tomar, com o título de ‘Empresa Dinamismo’, e a ‘Enoport Wines’, eleita ‘Empresa Excelência’. Premiados com a distinção ‘Enólogo do Ano’ foram duas personalidades, Nuno Faria e João Vicêncio, também da Enoport Wines. O ‘Prémio Carreira’ foi entregue a Pedro Castro Rego, Grão-Mestre da Confraria Enófila Nossa Senhora do Tejo e Presidente da Federação das Confrarias Báquicas de Portugal.

A empresa vencedora do prémio Sustentabilidade tem conseguido conciliar tradição, qualidade, inovação e criação de valor com uma gestão sustentável, tanto ambientalmente, como socialmente e económico-financeira. Desde 2013 tem vindo a assumir um compromisso de sustentabilidade na produção dos seus vinhos, concretizando os princípios básicos de uma economia verde, fazendo cada vez melhor, com um menor impacto ambiental, menos consumo de energia e materiais, menos consumo de água, menos emissões para o ambiente, menos produção de resíduos e mais respeito pelo Planeta.

A Encosta do Sobral, do Grupo Santos & Seixo, distinguida como “Empresa Dinamismo” foi apresentada como uma empresa familiar que surge com a história de duas famílias amigas de longa data, que partilham a mesma paixão pelo vinho, tendo em comum o objetivo de trazer um novo olhar sobre os vinhos de Portugal. Produtor também em outras regiões é, aqui no Tejo, que as características únicas e diferenciadoras do terroir onde se encontra, tais como a inclinação das vinhas, solos pedregosos e xistosos e uma exposição solar intensa, se traduzem em vinhos complexos e elegantes. Uma enologia cuidada e a preços competitivos foram o principal mote para os níveis de crescimento atingidos. Crescimento esse acompanhado da notoriedade não só dos seus vinhos, mas de toda a região dos Vinhos do Tejo.

A Enoport Wines, Empresa Excelência, é um projeto que resultou da união de algumas das mais antigas e prestigiadas empresas de vinho portuguesas. Todas elas com cariz familiar e cada uma detendo uma especialidade vincada e definida que lhes valeu o reconhecimento nacional e internacional. É hoje um dos maiores produtores de vinhos de Portugal e a prova de que, quantidade e qualidade, podem coincidir e resultar em vinhos de excelência e que facilmente encontramos nas prateleiras das maiores cadeias de supermercado de norte a sul do país.

Nuno Faria e João Vicêncio, da Enoport, foram distinguidos como Enólogos do Ano. Da vinha ao copo, da viticultura à vinificação, a dupla de enólogos que é responsável por vários milhões de litros engarrafados. A trabalhar em conjunto há quase duas décadas, o reflexo do seu trabalho está bem visível nos vinhos medalhados em inúmeros concursos nacionais e internacionais, com excelentes pontuações e reviews. Um diz que, tal como os filhos, também o enólogo não tem um vinho preferido. Outro diz que é no campo que comprova que todos os grandes vinhos nascem na vinha.  

Pedro Castro Rego, Grão-Mestre da Confraria Enófila Nossa Senhora do Tejo, recebeu o Prémio Carreira. Foi apresentado como um “defensor da história, tradições e cultura das pessoas e suas regiões vitivinícolas”. Ocupou vários cargos públicos na Direção de instituições do sector dentro e fora da Região do Tejo. Responsável pela união da região do Tejo, criação da sua CVR, Rota e Confraria, o seu percurso é indissociável da história dos Vinhos do Tejo.

Recorde de restaurantes a concurso no ‘Tejo Gourmet’

Atualmente, o concurso de iguarias e Vinhos do Tejo é bienal e esta edição contou com a maior participação de sempre, com restaurantes de Portugal continental e ambas as ilhas, num total de 63 inscrições, sendo 33 delas estreias e outras 30 já repetentes deste concurso. Esta iniciativa tem como objetivo promover os Vinhos do Tejo certificados e aumentar a sua oferta nas cartas vínicas.

Os prémios Tejo Gourmet visam destacar os restaurantes de todo o país com as melhores harmonizações entre os seus pratos e os néctares desta região vitivinícola. Nesta 10ª edição do ‘Tejo Gourmet’ foram premiados restaurantes com a distinção ‘Grande Ouro’, ‘Ouro’ e ‘Prata’. Congratulados com o diploma ‘Grande Ouro’ foram os restaurantes: ‘Burro Velho’, em Batalha, vencedor na categoria de ‘Melhor Cozinha Tradicional e Melhor Prato’; ‘A Varanda do Parque’ em Santarém; ‘Capriola (Hotel Lusitano)’, na Golegã, premiado na categoria ‘Melhor Sobremesa’; ‘De’ Gustar’ em Torres Novas; ‘Dom Joaquim’ em Évora; ‘Dona Laura – Vinhos & Petiscos’, em Évora, na categoria de ‘Melhor Casa de Petiscos’; ‘InPar Restaurante by Aroeira Lisbon Hotel’, na Aroeira, distinguido nas categorias de ‘O Melhor Restaurante’ e ‘Melhor Cozinha Internacional’; ‘OH!VARGAS’, em Santarém, eleito o restaurante com ‘Melhor Carta de Vinhos’; ‘Taberna Portuguesa 1865’, em Rio Maior, eleito na categoria ‘Revelação’ e ‘Melhor Entrada’; ‘Razão (Socalco Nature Calheta)’, em Calheta –  Madeira, congratulado com ‘Melhor Cozinha de Autor’ e o ‘Wish Restaurante & Sushi’ no Porto.

Na categoria de ‘Melhor Promoção’, e também detentores da medalha de ‘Ouro’, foram distinguidos os restaurantes: ‘Mar Aberto (Miramar Hotel & Spa)’ na Nazaré; Beef & Wines e Chalet Vicente, ambos do Funchal; no que toca ao ‘Prémio Revelação’, este foi arrecadado pela Taberna Zé Cristino em Urqueira – Ourém. Também na categoria ‘Melhor Promoção’, foi distinguido o ‘Atlântico View (Hotel Miramar Sul)’ na Nazaré. Na totalidade, foram premiados com a medalha de ‘Ouro’ 36 restaurantes e 12 com medalha de ‘Prata’.

Dos vinhos e da gastronomia passamos para o território, que é premiado sob a alçada dos galardões do ‘Tejo Anima’, nas categorias de natureza; património e oferta cultural; e enoturismo. Esta iniciativa, promovida pela Rota dos Vinhos do Tejo e pela Confraria Enófila de Nossa Senhora do Tejo (CENST), pretende premiar o território e as suas valências de lazer. Há três categorias, três nomeados e um vencedor em cada uma: Na categoria ‘Natureza’ foram vencedoras as Salinas da Fonte da Bica mais conhecidas por Salinas do Sal, em Rio Maior. Este espaço, explorado desde a Idade Média, é um ex-libris da cidade onde se situa, único no género a nível nacional e um dos principais tesouros patrimoniais da região e o mais importante da Península Ibérica. Voltou este ano a ser distinguido com o “Prémio Cinco Estrelas Regiões”. Quem o quiser visitar e aproveitar para ver o seu pleno funcionamento deve escolher a época mais seca (maio a outubro). Ainda nesta categoria, estavam nomeados o Miradouro das Portas do Sol, em Santarém, e a Aldeia de Dornes, em Ferreira do Zêzere.

Castelo de Almourol distinguido

Na categoria ‘Património e Oferta Cultural’, o vencedor foi o Castelo de Almourol em Vila Nova da Barquinha, um dos monumentos mais emblemáticos da Reconquista Cristã e de Portugal.

No séc. XX, este monumento foi convertido em residência oficial da República Portuguesa, acolhendo diversos eventos importantes da ditadura. Encontra-se erguido num afloramento de granito a 18 metros a nível das águas do rio Tejo. Como nomeados, estavam também, o Museu Diocesano, em Santarém, e o Aqueduto dos Pegões, em Tomar.

Ausente devido a problemas de saúde de um familiar, o presidente da Câmara da Barquinha delegou nos representantes do restaurante Almourol a receção da distinção.

Por último, na categoria ‘Enoturismo’, foi premiada a Quinta da Atela, em Alpiarça. Situada na margem sul do rio Tejo, conta com mais de 500 hectares onde a vinha ocupa mais de 100. A Quinta da Atela possui loja de vinhos e alojamento, espaços para eventos sociais, corporativos e de lazer, encontro de amigos e familiares, visitas de estudo ou turísticas. Foi alvo de uma grande remodelação sendo considerada uma das casas ex-libris da Região do Tejo. Os outros dois nomeados eram a Casa do Cadaval, em Muge, e a Companhia das Lezírias, em Samora Correia.

José Gaio

Ganhou o “bichinho” do jornalismo quando, no início dos anos 80, começou a trabalhar como compositor numa tipografia em Tomar. Caractere a caractere, manualmente ou na velha Linotype, alinhavava palavras que davam corpo a jornais e livros. Desde então e em vários projetos esteve sempre ligado ao jornalismo, paixão que lhe corre nas veias.

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