Foto: Rancho Folclórico de Torres Novas

A falta de uma sede com condições para o Rancho Folclórico de Torres Novas marcou parte do debate na última reunião da Assembleia Municipal, com críticas do Bloco de Esquerda à situação vivida pela coletividade e a garantia da Câmara de que existe já um espaço identificado para acolher provisoriamente o grupo.

O tema foi levantado pelo deputado municipal do Bloco de Esquerda, Diogo Gomes, que referiu que o rancho tem realizado ensaios na rua “não por opção, mas porque não tem uma sede digna”.

O eleito questionou o presidente da Câmara Municipal sobre o ponto de situação do processo e lamentou que uma coletividade com o percurso e relevância cultural do Rancho Folclórico de Torres Novas tenha de recorrer ao espaço público para manter a sua atividade.

ÁUDIO | Diogo Gomes, deputado do BE na Assembleia Municipal

Na resposta, o presidente da Câmara, José Trincão Marques (PS), afirmou que o problema está relacionado com o estado da atual sede atribuída ao grupo, que, disse, apresenta “graves problemas estruturais”. O autarca referiu que o edifício não reúne condições de utilização devido a infiltrações e degradação.

Trincão Marques disse que o município já identificou um novo espaço para acolher o rancho e que a solução foi aceite pela direção e pelos corpos sociais da coletividade. Segundo indicou, o local já foi limpo e preparado para utilização, faltando apenas ultrapassar questões legais relacionadas com a formalização da cedência.

O presidente da autarquia disse ainda que a Câmara está a rever os regulamentos e protocolos de cedência de espaços municipais a coletividades, defendendo a necessidade de garantir conformidade com a legislação atual. Segundo explicou, existem pareceres jurídicos que aconselham alterações aos procedimentos em vigor, numa revisão que deverá abranger várias associações do concelho.

ÁUDIO | José Trincão Marques, presidente da CMTN

Apesar da impossibilidade de formalizar de imediato um protocolo definitivo, Trincão Marques garantiu existir disponibilidade para permitir a utilização do espaço para ensaios de forma provisória, assegurando que o município poderá tratar temporariamente de serviços como água e eletricidade.

No dia seguinte à Assembleia Municipal, o Rancho Folclórico de Torres Novas divulgou um comunicado nas redes sociais onde afirmou continuar sem receber a chave da nova sede prometida e sem um local fixo para ensaiar.

A direção indicou ainda que lhe foi transmitido que a assinatura de um protocolo de cedência apenas deverá acontecer no último trimestre do ano, após a revisão do regulamento municipal do associativismo.

Segundo o grupo, até lá, o acesso ao espaço dependerá da solicitação da chave junto dos serviços camarários sempre que existam ensaios. O comunicado sublinha ainda que o rancho “não tem sede” e defende que a coletividade necessita de “mais do que uma sala de ensaios”, reclamando um espaço estável para preservar a sua atividade cultural e associativa.

Dias depois, em novas publicações, o Rancho Folclórico voltou a denunciar a situação, afirmando estar “cansado da rua” e da demora na resolução do problema. O grupo referiu que abandonou a antiga sede devido ao estado de degradação do edifício municipal, alegando riscos de queda de tetos e paredes, situação que diz ter vindo a alertar junto da autarquia há vários anos.

Numa das mensagens publicadas, a coletividade afirmou que “um rancho que ensaia na rua, sem ter um teto que o proteja, é uma voz que se cala aos poucos”, apelando ao apoio do município para garantir condições que permitam manter viva a atividade do grupo e a tradição cultural que representa no concelho.

Mestre em Jornalismo e apaixonada pela escrita e pelas letras. Cedo descobriu no Jornalismo a sua grande paixão.

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