Rancho de Alviobeira celebra 38 anos e reforça dinâmica local. Foto: Zè Paulo Marques

O Rancho Folclórico e Etnográfico de Alviobeira está a celebrar, durante o mês de abril, o seu 38.º aniversário com uma programação especial dedicada ao tema “Caminhos da Migração e Emigração”, iniciativa que coloca a memória coletiva e a identidade regional no centro das comemorações.

Num momento em que a freguesia ainda sente os impactos das recentes intempéries, a atividade cultural promovida pela coletividade surge também como sinal de retoma e normalização da vida comunitária, reforçando o papel do movimento associativo na recuperação da dinâmica local.

As comemorações arrancaram no domingo, 12 de abril, com o evento gastronómico “Abril Sopas Mil”, já assumido como uma referência cultural na região. Com o sol a surgir timidamente, contrastando com a brisa fria e persistente que se fazia sentir ao longo do dia, o ambiente não afastou os participantes, antes ajudou a tornar mais acolhedora a proposta do Rancho.

Cerca de duas centenas de pessoas marcaram presença na iniciativa, degustando as 22 sopas disponíveis, num roteiro de sabores que percorreu propostas clássicas, como caldo verde, canja e sopa da pedra, mas também receitas mais originais, entre as quais sopa de abóbora aromatizada com gengibre e a sopa da Avó Clementina.

Ao longo do evento, os participantes foram manifestando apreço pela iniciativa e pelo cuidado colocado na confeção das várias propostas, numa celebração dos sabores tradicionais que voltou a afirmar a capacidade mobilizadora da coletividade.

Rancho de Alviobeira celebra 38 anos e reforça dinâmica local. Foto: Zè Paulo Marques

Em declarações ao mediotejo.net, o presidente da União de Freguesias de Casais e Alviobeira, Luís Freire, sublinhou a importância do Rancho para a vida da freguesia e do concelho.

“O Rancho de Alviobeira é uma mais-valia tanto na nossa freguesia como no concelho. Todos os eventos que faz, faz com gosto, com prazer, e são eventos que trazem sempre mais gente quase de fora da freguesia”, afirmou.

Luís Freire, presidente da União de Freguesias de Casais e Alviobeira. Foto: Zé Paulo Marques

ÁUDIO | LUÍS FREIRE, PRESIDENTE UNIÃO FREGUESIAS DE CASAIS E ALVIOBEIRA:

O autarca destacou ainda que o mês de abril representa um período de grande atividade para a coletividade, com iniciativas previstas em todos os fins de semana, incluindo o Festival de Folclore, no dia 18, e a Gala de Aniversário “Travessias”, agendada para 24 de abril.

Para Luís Freire, estas iniciativas assumem particular relevância num período ainda sensível para o território, depois dos estragos causados pelo mau tempo.

“O Rancho está a fazer por isso, levar à nossa normalidade”, referiu, considerando que a programação cultural ajuda a comunidade a ultrapassar um momento difícil.

As comemorações prosseguem no dia 18 de abril com o Festival de Folclore, que reunirá grupos de diversas proveniências para promover a música e a dança tradicionais, culminando a 24 de abril com a Gala de Aniversário “Travessias”, um espetáculo que sintetizará a narrativa histórica da emigração portuguesa através da música e da coreografia.

Rancho de Alviobeira leva folclore às festas de Amêndoa (Olalhas). Foto arquivo: Luís Ribeiro

Desde a sua fundação, o Rancho Folclórico e Etnográfico de Alviobeira, Tomar, tem sido um pilar na preservação das tradições daquela localidade, do concelho de Tomar, e da sub-região do Médio Tejo.

Ao dedicar este aniversário ao tema da migração, o grupo reafirma a sua importância como guardião da história local, lembrando que o folclore é a expressão viva das vivências e das “travessias” das gerações que moldaram a nossa identidade.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

Natural e residente na freguesia de Sabacheira, Tomar, militar na reforma, amante da arte da fotografia, gosta de retratar atividades culturais e desportivas para fazer a sua divulgação, colaborando com vários meios na imprensa local. É um amante inveterado dos animais, da natureza, do silêncio e da leitura.

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