Querido Pai Natal
Este ano portei-me bem (acho eu). Por isso quero fazer-te o meu pedido.
Gostava que este ano a solidariedade fosse digna e não fosse uma comédia dramática em horário nobre. Falamos de pessoas com menos recursos que precisam de todos nós. Se cada um de nós fizer a sua parte, conseguimos muito. Mas muito, para quem precisa. Não para as grandes superfícies comerciais, não para a publicidade e para a promoção do ego de alguém. As entidades envolvidas, os voluntários que dão o melhor de si, não precisam estar sujeitos a este circo mediático. As pessoas precisam de uma comunidade unida e solidária, não de uma comunidade que promove as desigualdades sociais através da caridadezinha.
Este ano Pai Natal, quero ver uma comunidade unida para ajudar instituições que ajudam pessoas. Quero ver pessoas a ajudar pessoas. Quero ver solidariedade pura e genuína. Mas acima de tudo, quero ver este espírito todo o ano. Que um pouco de nós chegue aos outros. Que um pouco dos outros chegue até nós. Sempre na esperança e convicção de que não humilhamos ninguém por ter menos que nós.
Este ano Pai Natal peço tolerância, justiça, dignidade e igualdade.
Este ano Pai Natal, peço que cada família tenha pelo menos quinze minutos por dia para se apreciarem. Para se ouvirem, olharem, amarem. Tenho a certeza que o dia de amanhã será muito melhor se fizermos isto.
Este ano Pai Natal, acredito que vamos juntos criar um mundo melhor. Acredito em ti, porque me portei bem.
