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Quem vê caras não vê corações diz o povo na sua infinita sabedoria… e a verdade é que a afabilidade de um cordial, educado e simpático “bom dia” nem sempre mostra o verdadeiro carácter que se pode esconder por trás de um sorriso muitas vezes enganador.

As redes sociais têm tido o mérito de desmascarar algumas personalidades. Dizendo-o de outra forma, algumas personalidades têm tido a ingenuidade de se revelarem nas redes sociais. Há personalidades que tenho conhecido e reconhecido com alguma surpresa e muito agrado e há outras que, de forma cadenciada, me vão desiludindo, publicação após publicação. E para que fique claro, a minha desilusão não se prende com o conteúdo mas sim, na esmagadora maioria das vezes, com a forma.

Comigo passar-se-á certamente o mesmo. Haverá quem se identifique ainda mais comigo e há quem se afaste porque a nossa linha de pensamento não está alinhada ou simplesmente porque não concordam com a forma como comunico.

Sei que ao longo dos anos tenho sido crítico muitas vezes, mas tenho tentado resistir à tentação de criticar de forma fácil, pretendendo, antes de tudo, despertar consciências e alertar para situações que podem ou devem ser corrigidas, tendo sempre a certeza que não sou detentor da verdade absoluta e, apesar de achar que estou a ser justo, aceitar que me digam que nem sempre o fui.

Pode não parecer, mas vem tudo isto a propósito do aniversário da nossa cidade centenária que completou 104 anos no último domingo.

Respeito de forma genuína quem se identifica com o estado a que chegou a nossa cidade, com o rumo que ela leva e com a luz que se acendeu no último fim-de-semana. Mas apesar de respeitar, tenho uma opinião diferente e não me parece que os nossos problemas se resolvam miraculosamente simplesmente com a iluminação de uma torre de telecomunicações.

Estou perfeitamente consciente das dificuldades estranguladoras que se vivem no interior do nosso país mas não posso deixar de fazer uma pergunta. Temos feito tudo o que está ao nosso alcance para melhorar o estado das coisas e para inverter os indicadores que nos arrasam quando comparados com realidades comparáveis?

Quando digo “temos”, digo-o de forma consciente, porque apesar de haver maior responsabilidade de uns, ela não deixa de ser de todos.

Sem fugir a essa responsabilidade coletiva, permitam-me que deixe outra pergunta, mas agora apenas para quem gere os destinos do Concelho. Tem havido uma correta gestão de prioridades no uso dos recursos públicos?

Continuando a não ignorar o argumento das dificuldades sentidas e vividas pelo interior, sei que falta dinâmica à nossa cidade e ao nosso Concelho. Desde logo falta a identidade que não permite alavancar uma dinâmica industrial e comercial que estarão provavelmente na origem da principal causa do encolhimento demográfico que temos registado e que vão adiando a recuperação tão desejada.

Reconheço o esforço para inverter algumas situações, desde logo a recuperação do hotel e dos jardins do castelo, mas acho que temos sido demasiado lentos a reagir a muitas outras prioridades que têm contribuído para o atual estado a que chegámos. Nem tudo tem sido feito e muito do que foi feito, foi feito impulsivamente, de forma errada e sem qualquer tipo de planeamento ou visão estratégica. E já nem quero entrar na discussão e análise de determinados investimentos em bens ou projetos não produtivos ou não transacionáveis que se revelaram ser apenas um custo sem qualquer tipo de retorno.

Termino como comecei. Quem vê caras não vê corações. Sem confusões nem aproveitamentos políticos e apenas como desabafo de quem quer o melhor para a sua cidade e para o seu concelho, acreditando e sentindo que a cara desta cidade exigia ter um coração que batesse de forma mais enérgica e compassada.

É gestor e trabalhar com pessoas, contribuir para o seu crescimento e levá-las a ultrapassar os limites que pensavam que tinham é a sua maior satisfação profissional. Gosta do equilíbrio entre a família como porto de abrigo e das “tempestades” saudáveis provocadas pelos convívios entre amigos. Adora o mar, principalmente no Inverno, que utiliza, sempre que possível, como profilaxia natural. Nos tempos livres gosta de “viajar” à boleia de um bom livro ou de um bom filme. Em síntese, adora desfrutar dos pequenos prazeres da vida.

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1 Comment

  1. Excelente pensamento meu amigo, devemos ter um olhar fraterno para com todos independentemente de região ou estado. Parabéns.
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    Boa leitura.

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