Foto: NicoBorie, Pixabay

Quem feio ama… bonito não reclama! Pepe, com a mesma espontaneidade de quem retira uma bola da linha de golo ou faz um corte lá nas alturas, onde só ele e o canguru conseguem chegar, completou assim o provérbio. Bruno Alves, gargalhando também, voltou à carga: “Vale mais só… do que nunca”, rematou Pepe, com uma sonora gargalhada, fazendo dupla com o outro central da selecção das quinas. Neste jogo dos provérbios, ficou assim patente o espírito da coisa. Quem ali está é gente boa. Jogadores da bola, divertidos, mas prontos para aquilo que para lá foram. Fazer, saber fazer e fazer bem o que sempre fizeram: jogar futebol e, se possível, ganhar. E, para tal, se alguém entendeu ser interessante fazer um joguinho de cultura proverbial, pois bem, porque não, vamos nessa, ora Eça!

Para quem tantas vezes é acusado de mimo a mais e suor a menos, de pedantismo a mais e penar a menos, este banho de humildade de uma prova pública dos mestres da bola, improvisando com as palavras que não com as chuteiras, significa bem mais do que parece. Aquele pequeno-grande gesto de Cristiano com o comovido abraço entre dois génios, o da bola e o da escola (que aquilo não é para qualquer um) e as espontâneas e divertidas gargalhadas dos proverbiais convocados, demonstra, isso sim, que quase sempre, o problema está no topo.

Não será o caso daquele grupo. Ali, a liderança exige, mas existe. E motiva. Logo, os motivos para rir, sorrir e sonhar serão sempre mais fortes.

Nalguns casos, um rei fraco fará fraca a forte gente. Noutros, como diria Pepe, vale mais só, do que nunca… (ai Alvalade, ai, ai)! Mas, lá na Rússia, em terras de “Guerra e Paz”, o provérbio bem poderá ser outro:

Onde ri um português, riem logo dois ou três!…

Adelino Pires nasceu em Portalegre, em 1956, num dia de solstício de verão. Cresceu no Tramagal e viveu numa mão cheia de lugares. Estudou, inspirou, transpirou, e fez acontecer meia dúzia de coisas ao longo do tempo. Alfarrabista no centro histórico de Torres Novas, gosta do que faz e faz o que gosta. Mais monge que missionário, cronista nalguns jornais, publicou um livro em 2015 (“Crónicas Com Preguiça”). É nos seus escritos vadios que, no dia a dia, vai olhando o que sente.

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