Sabes, tenho estado a ouvir com alguma atenção o que nos dizem vários candidatos às autarquias por este país fora, mas há coisas engraçadas na política, para além dos que estão em campanha por um lugar…
Ainda achas que a política tem graça?
Acho. Então se falarmos dos líderes dos dois principais partidos, acho que tem mesmo muita graça!
Cheira-me que estás a ser irónica…
Pois estou! A graça que hoje acho a António Costa e a Pedro Passos Coelho tem a ver com o nervosismo que os leva a atitudes que os grandes líderes políticos deveriam evitar.
De que falas?
Das entrevistas que deram a duas rádios: Passos Coelho à TSF e Costa à Renascença. Um e o outro não gostaram de ser confrontados com as perguntas dos jornalistas, o que só pode ser explicado por nervosismo ou por cansaço. Porque, quer um quer o outro, sabem bem que ser líder partidário ou, mais ainda, ser líder de um Governo, implica ter estofo para lidar com as perguntas dos jornalistas, por muito que não gostem delas ou que as considerem fora de contexto.
Claro que sim! Aliás, temos, na nossa História recente, políticos brilhantes na arte da oratória e na arte da argumentação, tocando frequentemente na ‘arte’ da manipulação. E esses nunca se deixavam incomodar com as perguntas dos jornalistas.
Precisamente! O que se espera de um político que chega a posições de topo nas suas hierarquias é que saibam lidar com o escrutínio público, com a função que tem que ser desempenhada pelos jornalistas, por muito que lhes seja pouco conveniente falar sobre determinados assuntos.
Então o que é que aconteceu para colocares Costa e Coelho no mesmo saco?
Ahahah! Não estão bem no mesmo saco, mas acabaram ambos por ter um comportamento semelhante pela simples razão de não quererem responder a perguntas que consideram incómodas. Respondem com não respostas, remetem para outros momentos, dizem que esta não é a altura para se falar de determinado assunto…
Têm todo o direito a fazê-lo! Um entrevistado não tem que responder a tudo o que lhe é perguntado, sobretudo se estiver fora do âmbito de uma entrevista…
Não é bem assim, quando se trata de pessoas com responsabilidades. Mesmo que o âmbito seja ‘autárquicas’, vários outros assuntos se relacionam com o tema. E a função dos jornalistas é perguntar tudo aquilo que consideram de interesse público. Se não o fizerem, são meros ‘pés de microfone’, que dão voz e tempo aos políticos para eles dizerem o que bem entendem. Para isso mais vale fazerem os seus próprios canais de rádio e de televisão, como fazem os clubes desportivos, por exemplo.
Pois, mas também sabes que há jornalistas que por vezes desrespeitam os entrevistados…
Não me parece que tenha sido o caso… Na TSF, dois jornalistas seniores insistiram em colocar perguntas a Passos Coelho, mesmo perante a recusa dele, porque diziam respeito a questões da atualidade política, e o líder do PSD continuou a não responder.
Mas isso não é um problema. Pelo contrário! Os ouvintes fazem a sua própria leitura das ‘não’ resposta. Não achas?
Sim, isso é verdade, mas também é verdade que as pessoas, em certas posições, não deveriam escudar-se no direito de não terem que responder a tudo. As pessoas também podem fazer uma leitura dessa ‘estratégia’. Aliás, as pessoas percebem que, quando um entrevistado dá a entrevista por encerrada antes do tempo, isso tem um significado. Foi o que António Costa fez com a Renascença. Não gostou de uma pergunta e deu a entrevista por encerrada, de forma ‘abrupta’, como explica a própria estação de rádio. O que é isto?
Impulse?
Não! Isso é só quando um desconhecido te oferece flores.
