Este tema desde sempre chama a atenção e as discórdias, de muitos. Nós ouvimos falar do artista tal que vai fazer uma exposição ou um concerto e, até aqui, tudo bem. Mas o que é um artista?
Li agora este dilema no Facebook dum meu colega torrejano, o Antero Guerra, que dizia que em Portugal há muitos “artistas”.
Naturalmente agora eu falarei só de artistas de arte plástica, visto que de música é melhor eu estar calado. Então? Qual é a diferença entre um pintor e um artista? Este tema foi debatido tempos atrás, em Pomorie (Bulgária) num festival internacional de arte onde os participantes tinham origens diversas, desde Brasil, Turquia, Alemanha, Israel, Republica Checa, Inglaterra… e Itália.
Estávamos todos hospedados num hotel e as refeições eram em conjunto. Naturalmente havia um “Mix” de línguas engraçado, mas o conceito foi bem desenvolvido visto haver artistas hiper-realistas, abstratistas, surrealistas, realistas, calígrafos e mais alguma coisa. No começo foi muito complicado tentar explicar e entender as coisas. Íamos aos quartos de cada um a ver as obras dos outros, víamos as “ferramentas” usadas e os procedimentos usados. É claro que na arte temos imensa liberdade e variedades, a criatividade deixa a possibilidade de realizar uma obra em milhares de modos e técnicas. Mas então? Qual é a diferença entre um pintor e um artista?
Depois de algum tempo e vários jarros do generoso vinho Búlgaro chegámos a esta conclusão, que naturalmente pode ser ainda debatida e raciocinada:
‘Pintor’ é aquele sujeito que domina as técnicas, as “ferramentas”, que estudou vários anos em vários ateliers ou escolas, desde a anatomia, história da arte, desenho, teoria das sombras, perspectiva… e muito mais coisas que os programas institucionais impingem aos jovens que desejam dedicar-se à arte. O pintor sabe fazer um retrato, uma paisagem, uma natureza morta, pode aceitar e realizar encomendas e trabalhos, às vezes chatos, mas que beneficiam o pintor a nível económico e artístico, porque cada vez que pinta ou desenha aprende alguma coisa. E faz disto a sua vida.
‘Artista’ é aquele sujeito que pinta coisas pessoais, que saem da sua mente, da sua criatividade, do seu coração… do seu âmago. É aquela pessoa que assim que tem um pincel na mão consegue fazer algo interessante e que pode dar prazer aos outros, não segue técnicas ou correntes artísticas. É um indivíduo ”individual”, é ele que está na tela, na pedra ou no muro, um ser único e que concretiza numa maneira qualquer o “seu” sonho.
Os Artistas que conheço no Médio Tejo são muito escassos, os “artistas” que pensam sê-lo são mais do que os pintores, aliás os Pintores são mesmo muito poucos. Há tantos “artistas” que fazem exposições e certames artísticos que às vezes penso… mas então quem vai trabalhar aqui no centro do pais? Tantos quadros de “artista-reformado”, “artista-empregado de mesa”, ”artista-talhante”, “artista-cabelereira”, “artista-pedreiro”…
Existem depois os ‘Pintores–Artistas’, mas estes são invulgares mesmo (por exemplo uma Paula Rego, um Bual ou um Pomar e outros deste gabarito), são os beijados pela sorte de um momento, uma possibilidade, um lugar que os despertou a realizar obras primas conhecendo as técnicas, desenvolvendo-as e até inventando-as.
Assim penso e assim transmito o meu pensamento, mas estou sempre aberto ao debate claro e digno para todos conhecermos melhor o NOSSO pensamento e entender o dos outros.

“Estávamos todos hospedados num hotel e as refeições eram em conjunto. Naturalmente havia um “Mix” de línguas engraçado, mas o conceito foi bem desenvolvido visto haver artistas hiper-realistas, abstratistas, surrealistas, realistas, calígrafos e mais alguma coisa. No começo foi muito complicado tentar explicar e entender as coisas. Íamos aos quartos de cada um a ver as obras dos outros, víamos as “ferramentas” usadas e os procedimentos usados.”…
“Depois de algum tempo e vários jarros do generoso vinho Búlgaro chegámos a esta conclusão, que naturalmente pode ser ainda debatida e raciocinada:”…
– e?!!, “chegamos a esta conclusão”…
o que o senhor deseja? que lhe explique o que?
Olá! Sou um pintor brasileiro, e concordo absolutamente com vocês!Há anos tento romper esta barreira entre os aspectos técnicos de meu trabalho e aquilo que me tornaria, nos quesitos singualres e subjetivos, um artista de fato. Vejo que, muito longe de possuir um bom trabalho de pintura, está mesmo a necessidade de nos desvincilhar-mos de estereótipos para dar voz a uma linguagem própria e autêntica, e isso está no cerne da compreensão de uma obra de arte, e tal objetivo, por mais simples possa parecer, é mesmo o grande passo que um bom pintor deve dar para ser um artista. Mas como foi dito, tal questão ainda gera muita polêmica e controvérsia, então o melhor é acatar o conceito que cada um faz de si mesmo…