Os deputados do PSD eleitos pelo distrito de Santarém questionaram o Governo sobre a situação do Hospital Distrital de Santarém (HDS), nomeadamente quanto à falta de profissionais e ao “caos provocado pelo colapso do sistema informático”.
Num requerimento entregue na terça-feira, dia 9 de janeiro, no parlamento, os deputados Nuno Serra, Duarte Marques e Teresa Leal Coelho questionaram o ministro da Saúde sobre as condições denunciadas em dezembro pela Ordem dos Médicos e pelo Sindicato Independente dos Médicos (SIM) e sobre o “colapso do sistema informático” ocorrido no final da semana passada.
Os deputados social-democratas perguntam o que está a ser feito para corrigir e reforçar os sistemas informáticos de modo a evitar novas situações da mesma gravidade, nesta e em outras unidades de saúde, e que medidas prevê o Governo desenvolver para incrementar as condições de funcionamento do HDS.
Em concreto, querem saber se o Governo prevê reforçar a contratação de profissionais para o HDS – médicos especialistas, enfermeiros e técnicos de diagnóstico – e se vai requerer uma auditoria ou avaliação da qualidade das condições de prestação de cuidados de saúde neste hospital.
O requerimento refere o “arrastar” da reabilitação do Bloco Operatório do hospital, “apesar de a verba necessária estar disponível e cabimentada desde 2015”, e lembra o alerta, deixado pela Ordem dos Médicos e pelo SIM, de que o acumular de problemas no HDS “pode vir a pôr em causa a idoneidade do serviço”.
Num outro requerimento, as deputadas do CDS-PP Patrícia Fonseca (eleita por Santarém) e Isabel Galriça Neto questionaram igualmente o ministro da Saúde sobre se “se são ou não verdade as denúncias do SIM acerca do funcionamento” do HDS.
As deputadas perguntam quantos anestesiologistas e quantos oncologistas foram contratados nos últimos dois anos para o HDS, quantos cardiologistas e quantos internistas exercem neste hospital e quantos foram contratados nos últimos dois anos, quando estarão, de facto, concluídas as obras do Bloco Operatório e quando estará este operacional, e a que se devem os sucessivos atrasos na conclusão destas obras.
As deputadas questionam ainda se o ministro não considera que, dados os “enormes constrangimentos” que se verificam no HDS, está, de facto, comprometido o acesso da população aos cuidados de saúde, com qualidade e em tempo útil, e que medidas vão ser tomadas pela tutela, de imediato, para resolver as situações apontadas.
Num comunicado emitido após uma visita ao HDS, o SIM denunciou a “grave carência de médicos, que tem vindo a limitar a atividade e a qualidade dos cuidados”, salientando que as empresas prestadoras de serviços são responsáveis por cerca de 50% da atividade médica, “com todos os problemas daí decorrentes”.
O sindicato apontou “inúmeras disfunções” neste hospital, como ultrapassagem de tempos de espera para cirurgia, em particular em ortopedia, falta “gritante” de anestesiologistas (apenas 11 dos 20 reconhecidos como desejáveis), entre outras carências de recursos.
“O Hospital Distrital de Santarém é uma unidade de saúde da maior importância para a população do Ribatejo, que serve os concelhos de Almeirim, Alpiarça, Cartaxo, Chamusca, Coruche, Golegã, Rio Maior, Salvaterra de Magos e Santarém, num total de cerca de 192.000 habitantes”, referem as deputadas do CDS.
