O deputado do PSD, Duarte Marques. Foto: DR

O deputado e ex-líder da JSD Duarte Marques propôs na segunda-feira ao Conselho Nacional do PSD uma alteração ao regulamento da eleição direta do líder, que preveja a realização de um congresso prévio que inclua um debate entre os candidatos. O objetivo, refere a proposta a que a Lusa teve acesso, é “fazer a devida reflexão sobre o futuro do PSD”.

A proposta apresentada ontem à noite pelo deputado eleito por Santarém, Duarte Marques, “visava organizar um congresso antes das directas e inovar completamente no modelo de organização de congressos. Esta proposta não chegou a ser votada porque a Mesa, segundo parecer do Conselho de Jurisidição, decidiu não aceitar submeter a votação”, refere o deputado natural de Mação, tendo referido que “abriu-se a possibilidade do congresso ter uma revisão estatutária, o que não é habitual, sendo assim fica a possibilidade em aberto”, não confirmando, para já, se a vai apresentar.

A proposta defende “um modelo diferente e inovador” de Congresso, que inclua, entre outras matérias, a apresentação das moções de estratégia global pelos candidatos admitidos às eleições diretas, bem como um período de debate das mesmas, e que só poderia acontecer depois de terminado o período de apresentação das candidaturas.

“Um período em modelo de pergunta-resposta, em que juntos no palco do Congresso os candidatos à liderança admitidos às eleições diretas respondem, sucessivamente, a questões colocadas pelos congressistas, sorteados de forma aleatória e transparente, que terão 30 segundos para a apresentar a respetiva questão”, concretiza a proposta.

Duarte Marques explicou à Lusa que já apresentou, quando era líder da JSD, esta proposta num Congresso estatutário do partido – em março de 2012 -, numa reunião em que o documento de alterações estatutárias da Juventude Social-Democrata até foi inicialmente aprovado na generalidade, mas depois a maioria das propostas em concreto acabou chumbada, incluindo esta.

Recentemente, outro antigo líder da ‘jota’, Pedro Duarte, também defendeu a realização de um Congresso prévio às eleições diretas, mas de cariz mais programático, que “recentrasse o PSD do ponto de vista estratégico e programático”.

De acordo com a proposta de Duarte Marques, que a apresenta a título individual mas diz estar “curioso” quanto aos apoios que pode recolher, a primeira parte do Congresso seria dedicada a debater estratégia e opções de ação política e de políticas públicas, enquanto a segunda incidiria sobre o “modelo de funcionamento e organização do partido, formação, comunicação e seleção de candidatos aos diferentes atos eleitorais”.

Para tal, segundo esta proposta, a Comissão Organizadora do Congresso deverá incluir, além da secretaria-geral, representantes das diferentes candidaturas formalmente admitidas à eleição direta.

“Ao entrar em processo de eleição de uma nova liderança, após um período tão importante e marcante da história do nosso partido, o PSD não pode nem deve limitar este processo eleitoral apenas à alteração do seu líder”, defendeu Duarte Marques, apontando que “importa discutir o partido, a sua organização interna, mas também o seu posicionamento ideológico”.

Para o deputado social-democrata, eleito pelo círculo de Santarém, perante “um novo cenário político onde a esquerda se uniu, o PSD ainda não teve oportunidade de refletir devidamente”.

“O país, tal como os portugueses, espera que o PSD defina um novo rumo, que indique um novo caminho e que, obviamente, seja alternativa à atual coligação de esquerda. Somos um partido de poder e temos o dever, a obrigação e o compromisso moral de trabalhar para o bem-estar geral de Portugal e dos portugueses”, afirmou, considerando que “o futuro próximo do PSD não se pode resumir apenas a uma mudança de protagonistas, a uma alteração de postura ou de agenda política”.

“Há momentos para agir e há momentos para refletir”, diz, numa referência implícita ao ‘slogan’ já conhecido do único candidato declarado à liderança, Rui Rio (“É hora de agir”).

Para Duarte Marques, o próximo Congresso do PSD deve ser “um momento refundador” e não apenas “um momento de consagração do novo líder eleito através de diretas”.

O Conselho Nacional reuniu-se na segunda-feira num hotel em Lisboa com a marcação das eleições diretas e do Congresso na agenda.

C/LUSA

Mário Rui Fonseca

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado.