Câmara do Entroncamento. Foto: mediotejo.net

“Na sessão solene comemorativa do 48.º aniversário do 25 de abril a cidade do Entroncamento foi brindada com mais um deficit democrático”, afirma o PSD do Entroncamento em nota de imprensa, na qual os seus eleitos se queixam de só as intervenções dos presidentes da Assembleia Municipal e da Câmara Municipal terem sido transmitidas online, algo que não aconteceu com as restantes intervenções.

Em comunicado, Paula Carloto (PSD) diz que, quando questionado, Luís Antunes (PS), presidente da Assembleia Municipal (e também presidente e organizador da sessão), respondeu desconhecer o assunto.

Começando por exaltar os valores da liberdade de abril, numa intervenção exposta na sessão solene do dia 25 de abril e que fez agora chegar ao nosso jornal, Paula Carloto considera que “vivemos tempos estranhos em abril 2022”, em que se assiste a “posicionamentos das autoridades e das administrações e também dos partidos políticos, desvirtuados dos mais elementares princípios que caraterizavam o estado de direito e o respeito pela democracia e pelo poder emanado dos atos eleitorais”.

A também deputada na Assembleia da República apresentou depois três pontos para justificar esta posição, enunciando em primeiro lugar o facto de os presidentes da Assembleia e da Câmara Municipal se terem reunido com o Superintendente-chefe da Polícia de Segurança Pública, quando a decisão de solicitar uma reunião havia sido tomada por unanimidade em Assembleia Municipal.

“Não se cumpriu o acordado, retirou-se dignidade à Comissão Permanente, desvalorizando a noção de representação eleitoral e feriu-se irremediavelmente o relacionamento institucional”, lê-se no comunicado.

Na intervenção, a deputada apontou ainda críticas àqueles que, desvinculando-se do partido, não reconheceram o “erro” e não cederam o lugar ao candidato seguinte, afirmando que esse “é o respeito por quem votou”. “Não se defenda o indefensável alegando a permissão da lei pelo exercício pessoal dos cargos”, afirmou ainda, uma vez que “a análise deste tema coloca-se noutros planos: do compromisso, da legitimidade democrática, do respeito e da honra”.

Como terceiro e último ponto, o PSD do Entroncamento abordou a questão da invasão da Ucrânia pela Rússia: “impõe-se perguntar se não condenamos todos a invasão? Para alguns políticos a liberdade que o 25 de Abril nos concedeu pode ter uma interpretação tão abrangente que nos permita negar o obvio?”, foram lançadas as questões.

“Por nós e enquanto eleitos do PSD, pautaremos a nossa atuação pelo interesse da cidade, no respeito das nossas promessas aos cidadãos do Entroncamento, mas intimando publicamente à consideração institucional que honre os resultados eleitorais”, termina a intervenção dedicada ao “martirizado povo da Ucrânia”.

Licenciado em Ciências da Comunicação e mestre em Jornalismo. Natural de Praia do Ribatejo, Vila Nova da Barquinha, mas com raízes e ligações beirãs, adora a escrita e o jornalismo.

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