A vereação do PSD de Tomar deixou críticas à gestão autárquica de maioria socialista na última reunião de executivo, a 27 de junho, tendo afirmado que a aposta do atual executivo vai para a promoção de eventos, “festas e festarolas”, “colocando os ovos todos no mesmo cesto”, e deixando de parte prioridades como a da área social. O executivo socialista respondeu que é visível o impacto económico que os eventos têm e que a estratégia da autarquia “não pode, nem se esgota aí”, defendeu Anabela Freitas, presidente da Câmara Municipal.
“Com o avançar do presente mandato autárquico percebemos que na continuidade do anterior, a aposta do atual executivo vai para aquilo que popularmente se tem denominado de “festas e festarolas”, colocando os ovos todos no mesmo cesto”, começou por apontar o vereador Luís Francisco (PSD), dizendo que a dinâmica da autarquia, tendo como foco o turismo, tem “colocando de lado prioridades que simplesmente têm servido de bandeira, como a área social”.
O vereador afirmou ainda que os objetivos de grandes opções do plano “não avançam ou avançam lentamente, desprezando o desenvolvimento económico”.
Luís Francisco disse que urge questionar qual o impacto que estes eventos tiveram, estão a ter, e que se espera que venham a ter, bem como qual o acréscimo do número de visitantes/visitas, bem como que indicadores estão a ser utilizados ou se preveem utilizar para analisar, numa perspetiva de custo-benefício e de eficácia.
O autarca defendeu igualmente que a “sensação que subsiste” é que – à parte da Festa dos Tabuleiros e do Festival Bons Sons – os eventos são simplesmente de “autoconsumo”, em que quem participa são os cidadãos do concelho, a quem se junta quem se encontra em visita no concelho, mas que não veio por causa do evento.
“A intenção parece ser de investir, ou seja, que haja impacto externo e mais valias a médio-longo prazo, contudo tal parece estar longe de se conseguir”, apontou ainda Luís Francisco.

Também previamente, através de comunicado enviado ao nosso jornal, o vereador Tiago Carrão (PSD) havia referido que “as prioridades, da governação municipal socialista começam a cair por terra” em resultado “da sua incapacidade para as concretizar”.
De forma a ilustrar o seu ponto de vista, Tiago Carrão apontou as mudanças “muito significativas”, onde a verba para eventos e promoção turística aumentou 1,750 milhões de euros – tendo passado de 670 mil euros para 2.430.000€ – acrescentando que este dinheiro foi retirado à habitação (reduzida de 2 milhões de euros para 735 mil euros), à requalificação da margem direita do rio Nabão (menos 540 mil€), ao Flecheiro (reduzido de 1,1 milhões de euros para 560 mil euros) e ao Centro do Conhecimento no Instituto Politécnico de Tomar (corte de 495 mil€).
“Resultado da sua incapacidade em executar e concretizar obra, a governação municipal socialista vira-se para mais eventos, mais festas e mais feiras. A habitação, as empresas e a margem do rio Nabão que esperem!”, lê-se ainda no comunicado.
Em resposta, Anabela Freitas (PS), presidente da autarquia tomarense, referiu que não é esse o trabalho e caminho do município, dizendo que os eventos estão todos associados a um plano de comunicação fora daquilo que é o nosso concelho e vários canais de comunicação, atendendo à dimensão de cada evento.
“Acho que basta falar com a indústria hoteleira – já nem vou à restauração (…) – para ver quais têm sido as taxas de ocupação. Aliás, há dois fins de semana que não há, mesmo com o alojamento local, quartos vagos em Tomar. E, portanto, isso quer dizer aquilo que é o impacto na economia local que têm os eventos”, disse a autarca.
Afirmando que isso se deve não só aos eventos, mas que estes são um “input importante”, a autarca concordou que “é óbvio” e que não é a estratégia do município, colocar os ovos todos no mesmo cesto. “E portanto a questão turística, de onde os eventos fazem parte, são uma vertente importante daquilo que é a estratégia, mas não se pode, nem se esgota aí”, disse.
Segundo Anabela Freitas, o concelho está-se inclusivamente a posicionar em duas áreas, nomeadamente a das novas tecnologias e das questões energéticas, referindo que na área da energia existe um conjunto de empresas que manifestaram interesse na candidatura para o setor energético para território tomarense.
Também o vereador Hugo Cristóvão (PS), interveio sobre o tema, enaltecendo a marca templária de Tomar, a qual embora não tenha sido criada, foi elevada pelo atual executivo, afirmando que não tem dúvidas que tanto em Portugal como no estrangeiro, quando se fala em cidade templária, “todos sabem onde fica”, e que isso “tem um grande valor económico”, o qual se verifica facilmente no dia a dia, mesmo sem a realização de eventos.
O edil afirmou que outro dos objetivos que se tinha apresentado era efetivamente que, em Tomar, o maior número de fins de semana do ano estivessem preenchidos com os mais diversos eventos, não apenas na área da cultura, mas também de outras áreas, exemplificando com a do desporto, onde defende que se tem investido muito embora às vezes não de forma muito visível.
Hugo Cristóvão sublinhou ainda a existência de cerca de 200 unidades registadas de Alojamento Local – além das unidades hoteleiras tradicionais – o que significa muito dinheiro na economia local de Tomar.
