Vila de Tramagal. Créditos: mediotejo.net

Vítor Moura falava no período antes da ordem do dia, após uma intervenção criticando a postura do Governo português e o apoio extraordinário de 125 euros dado a titulares de rendimentos até 2700 euros brutos mensais.

Passou a fazer uma abordagem à política local, fazendo um balanço acerca do desenvolvimento da freguesia de Tramagal, e falando na iniciativa que merece por ser a única vila do concelho de Abrantes e que se tem destacado nomeadamente a nível industrial, dando continuidade a um legado com centenas de anos assente nas asas da borboleta.

ÁUDIO | Vítor Moura, vereador do PSD na CM Abrantes

O vereador do PSD começou por relevar o papel da indústria Mitsubishi na vila de Tramagal, referindo que “aproximou o número de postos de trabalho de 600 trabalhadores” e indicando que “felizmente a zona industrial de Tramagal não é apenas a Mitsubishi”, referindo-se a empresas que ali têm proliferado.

Fábrica da Mitsubishi Fuso Truck Europe SA, em Tramagal. Foto: DR

“A zona industrial terá ultrapassado os 1000 postos de trabalho, creio eu, não tenho números rigorosos sobre isso (…) para uma população de 2800 habitantes que a freguesia tem, com 1000 pessoas em idade ativa numa zona industrial, é muito significativo, tanto para o Tramagal, como para o concelho”, começou por sublinhar.

Neste ponto, Vítor Moura notou que “a maioria dos postos de trabalho não residem no Tramagal”, crendo que é necessário o município tomar medidas no sentido de revitalizar a única vila do concelho de Abrantes.

“Há que ter da parte da Câmara um olhar diferente sobre o Tramagal”, disse, acrescentando que sendo vila, tem que ser comparada com “as vilas vizinhas” do Sardoal e de Constância, “até porque o Tramagal tem mais pessoas e tem mais postos de trabalho que qualquer uma dessas vilas”.

“Compete à Câmara Municipal de Abrantes tomar medidas que invertam aqui uma realidade: que façam com que os trabalham em Tramagal tenham condições para lá viver”, começou por sustentar a sua posição, recomendando iniciativa ao executivo.

Foto: mediotejo.net

“Começa desde logo pela preocupação estrutural e que se arrasta há anos, e o que Senhor Presidente muito bem recentemente abordou junto do Secretário de Estado da Internacionalização, sobre a questão do término da construção do IC9 que trará uma travessia sobre o Tejo em ponte, e que será importante para os acessos a Tramagal. O Tramagal tem de ter condições para fazer aportar matérias-primas à indústria e para que os habitantes todos usufruam de um bom acesso, assim como tem de ter esse acesso para poder fazer escoamento dos produtos acabados que saem daquela zona industrial”, referiu, defendendo uma localização que ofereça “um trajeto apetecível” até à localidade do outro lado do Tejo.

“A Câmara tem que estar muito atenta, o Senhor Presidente não pode deixar de continuar a fazer a pressão para que esta obra venha rápido e que tenha muito em atenção a localização da ponte em relação àquilo que ela servirá, o mais direta e o mais eficaz possível no acesso à vila de Tramagal”, disse, dirigindo-se ao presidente de Câmara, Manuel Jorge Valamatos.

Entre as recomendações e preocupações, Vítor Moura (PSD) indicou que seria necessário criar uma ARU (Área de Reabilitação Urbana), pois “não é só a zona urbana da cidade que precisa de uma ARU”, uma vez que “o edificado do Tramagal tem que ser requalificado, é uma preocupação que achamos todos que a Câmara deve ter”.

Igreja na vila de Tramagal: Foto mediotejo.net

“Temos que criar condições favoráveis a novas zonas habitacionais, impõe-se a oferta de lotes a preços que sejam acessíveis e convidativos. Se a iniciativa privada neste momento não o está a fazer, competirá à CMA promover também esse tipo de acesso à construção de habitação seja para a habitação individual, seja coletiva”, notou.

Por fim, também defende o vereador da oposição que se deve requalificar o espaço público, notando que devem ser construídos passeios para facilitar a mobilidade na vila e que apostar nos espaços verdes “que escasseiam ou que estão em mau estado”.

“Temos que ter uma atenção especial a uma vila porque tem ali muita gente, e é a nossa vila. E o Tramagal, se olharmos por exemplo, para a vila de Constância, com menos pessoas, e repararmos como está requalificada, infraestruturada, embelezada, apetecível, convidativa… A vila de Constância ali mesmo ao lado, e olharmos para o Tramagal, que tem um ar de quase abandono. Eu não gosto do estado em que o Tramagal se encontra e penso que os presentes, a começar pelo executivo camarário, também acham que tem que ter uma intervenção e olhar para a nossa vila com olhos diferentes”, concluiu Vítor Moura.

Miradouro da Penha, em Tramagal (Abrantes). Foto: DR

Por seu turno, Manuel Jorge Valamatos, presidente da autarquia abrantina, falou da importância da Mitsubishi e restantes empresas instaladas na zona industrial de Tramagal não só para o concelho, como para toda a região, a par do legado que a vila deixa a nível industrial.

ÁUDIO | Manuel Jorge Valamatos, presidente da CM Abrantes

O autarca referiu-se às infraestruturas importantes e que estão pendentes, caso da “promessa de há muitos anos da conclusão do IC9” e outras, caso da variante da EN118, “para tirar todo o tráfego de mercadorias e até das questões que se relacionam com os transportes de resíduos tóxicos, de toda a EN118”.

“Estamos muito atentos à dinâmica da vila, àquilo que são propostas de ação municipais tendentes à valorização do território e é isso que vamos continuar a fazer”, disse o edil, acrescentando que a autarquia pretende ver a zona industrial de Tramagal “valorizada e melhorada”, a par das outras zonas industriais do concelho, estando já a refletir sobre medidas de requalificação e modernização face à conjuntura atual, nomeadamente com a instalação de comunidades de energia renovável que permitam um novo futuro mais sustentável em termos de consumo energético.

Joana Rita Santos

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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