A abertura do espaço de cowork da Linhaceira esteve em debate na última reunião do executivo municipal de Tomar, com o vereador do PS, Hugo Cristóvão, a questionar a ausência de utilização do edifício e a defender a abertura de inscrições, enquanto o presidente da Câmara, Tiago Carrão (PSD), admitiu que o processo está em análise e reiterou reservas quanto à viabilidade do projeto.
Durante a sua intervenção, Hugo Cristóvão afirmou não compreender a situação, tendo em conta as prioridades anunciadas pelo executivo de coligação (AD) liderado por Tiago Carrão.
“Nós não conseguimos compreender (…) para uma governação que tanto diz que tem interesse, tanta prioridade para a questão das empresas, da fixação dos jovens”, disse, acrescentando que o espaço “está prontinho a funcionar desde, na verdade, ainda antes da entrada da nova governação”.
O vereador socialista disse que o edifício municipal dispõe de “eletricidade, mobiliário”, estando totalmente equipado, e alertou para o risco de degradação: “Há fundos que ali foram despendidos e (…) o edifício um dia destes começa a degradar-se”.
Sobre a eventual falta de procura, ideia anteriormente referida pelo presidente Carrão, contrapôs: “Eu não concordo com isso (…) tive ainda, enquanto presidente, manifestações de interesse”.
Defendendo uma solução prática, Hugo Cristóvão, ex-presidente da Câmara, considerou que a autarquia deveria testar o interesse da comunidade. “Há uma forma muito simples de tirar a prova dos 9, que é abrir inscrições (…) está lá, está pronto, é só abrir inscrições e abrir a porta”. O autarca apontou ainda a localização fora da cidade como uma oportunidade para dinamizar o território, referindo tratar-se de “uma forma de apostar (…) numa aldeia, numa freguesia”.
Na mesma intervenção, sugeriu não encontrar outra explicação para a inação. “Não se compreende, a não ser (…) parece que a única razão é por ser uma obra que vem da governação anterior ou (…) por ser numa freguesia que é gerida por um partido diferente”.


Na resposta, Tiago Carrão começou por enquadrar a estratégia do executivo, apontando como prioridade “o lançamento do centro de negócios e aceleração”, considerando que isso demonstra o foco na área empresarial.
Sobre o cowork da Linhaceira, admitiu que o processo está a ser ponderado. “Está a passar (…) por um processo de alguma reflexão que pode, sim, estar a atrasar um pouco, mas que me parece relevante para tomar algumas decisões”.
O presidente reiterou dúvidas quanto à eficácia do modelo, evocando experiências anteriores no concelho. “Sobre o cowork eu mantenho as minhas reservas (…) já tivemos espaços de cowork (…) que não foram propriamente casos de sucesso (…) se olharmos para os dados”.
Tiago Carrão rejeitou, no entanto, qualquer motivação política na gestão do projeto.
“Não faz qualquer sentido esse tipo de alegações (…) se há coisa que nós temos feito é honrar os compromissos assumidos pela governação anterior”, afirmou, acrescentando que referências a questões partidárias ou territoriais são “completamente descabidas”.

Já numa segunda intervenção, Hugo Cristóvão voltou a insistir na abertura do espaço, reiterando o desafio ao executivo. “Se tem dúvidas, senhor presidente, arrisque, faça a prova dos 9, não custa nada”. O vereador defendeu que a iniciativa permitiria avaliar de forma objetiva a procura. “Se as inscrições não aparecerem (…) então tem razão (…) mas se aparecerem, ótimo, são pessoas que se fixam ali (…) a criar rendimento”.
Sublinhando que o espaço está concluído e com condições para avançar, acrescentou. “Está lá, está tudo feito (…) é só abrir à comunidade a possibilidade de inscrição”, concluindo com um apelo: “Fica o desafio, não custa nada. Se correr bem, é bom para todos, também para esta governação”.
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