Provart regressa à Sertã para um brinde coletivo à cerveja artesanal. Foto: Provart

Foi com um brinde à cerveja artesanal, na tarde de quinta-feira, que o Festival abriu portas aos festivaleiros que, durante três dias, se concentram nas margens da Ribeira da Sertã, para um ambiente descontraído, com animação musical e de prova das mais diferentes e inovadoras cervejas.

Na edição de 2023 são 16 as cervejeiras artesanais que, vindas de todo o país, vão permanecer na Sertã até à noite de sábado. A organização fala num festival “muito aguardado”, com animação para miúdos e graúdos, sendo o espaço ideal para momentos em família.

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Bruno Dias é produtor da cerveja “Legends” e integra também a organização do evento. Ao nosso jornal falou sobre as “grandes” expectativas para mais uma edição do “Provart”.

“As expectativas são boas. A meteorologia aparentemente vai ajudar, os dias vão estar quentes, tanto de dia como de noite, o que faz com que as pessoas se mantenham. Fizemos uma comunicação forte, por isso esperamos uma adesão boa”, afirmou o produtor.

O Festival de cerveja artesanal – Provart – está de regresso à Sertã para mais uma edição, que decorre até sábado. Foto: mediotejo.net

Reconhecido um pouco por todo o país, o festival de cerveja da Sertã é já uma marca a nível nacional.

“Fomos um dos primeiros festivais de cerveja, no mundo cervejeiro é muito conhecido. O público geralmente também conhece e, felizmente, repete o que é sinal que as pessoas gostam do evento. É engraçado ver que as pessoas de norte a sul, se falarmos na rua, vamos encontrar alguém que já ouviu falar ou já esteve no Provart”, refere Bruno Dias.

Para além de dar a conhecer o resultado de meses de produção, o Provart é também uma alavanca para o lançamento de novas marcas de cerveja. 

“Este festival serve muito de lançamento de novas cervejas. Cervejas que se estão a lançar no mercado aceitam o Provart como um sítio onde podem expor as suas marcas, a sua cerveja, dar a provar ao público e sentir o feedback direto das pessoas”, explicou o produtor da Legends.

Provart regressa à Sertã para um brinde coletivo à cerveja artesanal. Foto: Provart

O impacto direto na economia e no turismo da região também é notório. “Vem muita gente de fora (…), o que traz dinamismo. Os hotéis estão cheios, os restaurantes ficam cheios, as pessoas aproveitam para conhecer as praias fluviais, para darem um passeio na natureza. É um ambiente bastante acolhedor”, sublinha Bruno Dias.

Realizado na Rua da Beira Baixa, na margem da Ribeira Grande, o evento conta com a presença de produtores de todo o país e dezenas de cervejas artesanais diferentes, incluindo ainda gastronomia e concertos que irão garantir a animação dos festivaleiros esperados para os três dias da iniciativa.

Bruno Dias e Carla Rodrigues, da organização do Provart. Foto: mediotejo.net

Até sábado, poderão ser apreciadas as cervejas Canil, Casa do Penedo, Cerveja Açor, Cerveja Bila, Cerveja Candal, Cerveja do Vitó, Cerveja Lince, Cerveja Xarlie, Chica, Epicura, Gloriana, Legends, Lovecraft, Mania, Mickas Craft Beer e Nova Vida.

A “jogar em casa” está a cerveja “Legends”, uma cerveja que representa a alma e a história sertaginenses. “A Legends é uma cerveja que representa a Sertã. Foi criada para o Festival Provart e tem a essência da Sertã, transmitindo várias lendas nacionais. Cada cerveja tem uma lenda associada e tenta transmiti-la através dos sabores que caracterizam cada cerveja”, explicou Carla Rodrigues.

Provart regressa à Sertã para um brinde coletivo à cerveja artesanal. Foto: Provart

Das diferentes cervejas da “Legends” destaca-se a “Celinda” que promete contar a lenda desta intrépida mulher e que tão relevante é para o concelho.

“A Celinda é um estilo de cerveja criado para representar o Provart. É uma Weiss, portanto é uma cerveja muito leve. Surgiu em 2014, representando o início da cerveja artesanal na Sertã e foi criada exclusivamente para o festival. Entretanto começaram a surgir outras variantes da cerveja, outros estilos, o que deu origem à marca Legends”, explicou Carla.

As expectativas são de “muita cerveja, muita música, muita animação e uma grande variedade de sabores em termos de cerveja”, adiantou uma das representantes da marca que é também organizadora do festival.

Carlos Miranda, Presidente da Câmara Municipal da Sertã, foi um dos que marcaram presença ao longo da tarde de ontem que deu início ao primeiro dia do Provart.

Em declarações ao nosso jornal, o autarca falou num festival “diferente”, distinto das atividades habituais da região e com um caráter “muito mais urbano”.

Carlos Miranda, Presidente da Câmara Municipal da Sertã. Foto: mediotejo.net

“É um festival com uma oferta diferente, alternativa, que também atrai à Sertã pessoas que eu considero ser muito interessante termos aqui e para conhecerem a Sertã”, destacou.

O festival em que a prova da cerveja artesanal é o mote é também um importante mecanismo para atrair as pessoas à região. “Nós precisamos de atrair pessoas criativas ao concelho, pessoas com talento, com uma visão diferente do mundo e temos de criar os contextos ideais para que algumas dessas pessoas possam aqui estar”, referiu Carlos Miranda.

Aos interessados e produtores particulares o autarca deixou um desafio “Deixo este desafio para que hajam pessoas a produzir cerveja artesanal. Não é assim tão complicado e é algo que, para além de dar muito prazer a fazer e a beber, pode ter um retorno financeiro. Com muito pouco investimento se pode produzir boa cerveja”.

Foto: mediotejo.net

Para dar início ao processo de produção existem já diversos cursos disponíveis, um pouco por todo o país, formação essa que Carlos Miranda afirma já ter realizado. “Há muitos cursos de cerveja artesanal por aí a funcionar, e próprio devo dizer que já fiz um, embora nunca tenha produzido”.

O fator inovação é uma constante em todos os stands que compõem a feira. Ao longo da tarde, o autarca aproveitou para visitar os espaços e aproveitou para brindar à cerveja artesanal e degustar algumas das criações.

Na cerveja “Legends”, produzida no concelho a que preside, o autarca foi surpreendido com uma cerveja com adição de esteva, mostrando-se satisfeito.

“Acabámos de provar uma cerveja à qual foi adicionada esteva, que é um arbusto emblemático da nossa região e que lhe dá um caráter completamente diferente e muito agradável. A imaginação na produção de cerveja não tem limites, por isso é que isto é muito interessante e apaixonante”, destacou Carlos Miranda.

Em termos de gastronomia o PROVART tem petiscos tradicionais, bifanas, pregos, pão com chouriço, crepes, granizados e gelados. A Street Food marca também presença com kebabs, hambúrgueres, hot dog vegan, wrap de atum, wrap de salmão fumado, entre outros.

Foto: mediotejo.net

Na sexta-feira, desde as 18h00, a animação foi garantida com os Ragtime, seguindo-se os Miosky pelas 22h00. A noite encerrou ao som dos “Carapau, Azeite e Alho” que subiram ao palco cerca das 0h00.

A programação do último dia do evento está assegurada pelos “The Nature e Pedro Miranda”, a partir das 17h30. Com início pelas 22h00 é a vez dos “Marco Figueiredo & Blues Gang”, seguindo-se a “Farra Fanfarra” a partir das 0h00. O evento encerra com uma jam session prevista para as 02h00.

A entrada do festival é gratuita, sendo indispensável a compra do copo oficial para as provas das cervejas. Até sábado, a organização deixa um convite para que venham visitar o festival que dá a conhecer uma cerveja “complexa em termos de sabores e aromas” e feita com “mais amor”.

“Deixo um apelo às pessoas que venham. Temos cervejeiras repetentes, cervejeiras novas (…). Temos mercado para todas as pessoas que queiram vir e provar uma cerveja e desmistificar a cerveja artesanal”, brindou Bruno Dias.

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História da cerveja

É difícil saber ao certo quando e como surgiu a cerveja no mundo, mas acredita-se que a sua produção conta com mais de dez mil anos. A fermentação espontânea e acidental de um cereal mergulhado em água, terá estado na origem desta bebida, cuja primeira referência escrita remonta a 1800 a.C., numa oração (que era também uma receita) à Deusa Ninkasi – a deusa suméria da cerveja.

No Antigo Egito a cerveja era usada para consumo, rituais de beleza e até como moeda de troca. A simplicidade da sua confeção, com ingredientes como cevada, lúpulo e água, tornou-a uma bebida popular e muito apreciada.

Em Portugal, reza a lenda – no livro de 1597, Monarchia Lusitana, de Frei Bernardo de Brito – que Lísias, filho do deus Baco, trouxe a cerveja para a antiga Lusitânia, e ensinou a produzi-la a partir do trigo e da cevada. Ainda sobre a produção de cerveja em Portugal, encontram-se registos do desembarque de cerveja nos portos de Lisboa e Porto, proveniente do Norte da Europa.

O século XVII regista notícias do consumo de cerveja em grandes quantidades, refletindo-se no facto de existir na época um local denominado “Pátio da Cerveja”, situado na antiga freguesia da Conceição Nova, em Lisboa.

Mestre em Jornalismo e apaixonada pela escrita e pelas letras. Cedo descobriu no Jornalismo a sua grande paixão.

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