O proTEJO – Movimento pelo Tejo saudou e felicitou hoje todos os cidadãos portugueses e espanhóis que se uniram no sábado em Vila Velha de Ródão manifestando-se contra a poluição a que o rio Tejo e seus afluentes têm estado sujeitos, tendo Paulo Constantino, porta-voz do movimento ambientalista, afirmado que a próxima, “se tiver de acontecer, será à porta do ministério do Ambiente”

Em declarações ao mediotejo.net, Paulo Constantino fez uma leitura muito positiva da manifestação que juntou cerca de 500 pessoas no cais fluvial de Vila Velha de Ródão, e disse que o teor do manifesto lido ontem “já foi enviado para o ministério do Ambiente, com as reivindicações e exigências  para resolver no imediato os problemas de poluição que a todos atingem”.

Em Vila Velha de Ródão, lembrou, estiveram ainda presentes diversas associações membros do proTEJO, designadamente, as principais associações de defesa do ambiente, o Movimento cívico Ar Puro, a EcoCartaxo, o GEOTA, o Movimento Ecologista do Vale de Santarém, a QUERCUS e a ZERO, 2agradecendo a todos os rodenses pelo acolhimento e solidariedade”.

“Deixamos um abraço solidário aos cidadãos espanhóis e aos movimentos de cidadania de Espanha que, tal como o proTEJO, integram a Rede de Cidadania por uma Nova Cultura da Água do Tejo/Tajo e seus afluentes, e também se debatem com fortes problemas de poluição em Toledo com origem num poluído afluente do Tejo, o rio Jarama, que recebe as águas residuais de Madrid”, continuo o dirigente ambientalista, que estendeu os “agradecimentos a todas as autarquias que, de uma forma ou de outra, apoiaram esta manifestação ou disponibilizaram meios de transporte para que os seus munícipes nesta participassem, nomeadamente, os Municípios de Abrantes, Azambuja, Cartaxo, Constância, Entroncamento, Gavião, Mação, Vila Nova da Barquinha, as Freguesias de Azinhaga, Ortiga, Praia do Ribatejo, Tancos, Valada, Vila Nova da Barquinha, e a União de Freguesias de Nisa, a União de Freguesias de Abrantes (São João, São Vicente e Alferrarede) e o Centro de Apoio Social da Carregueira (Chamusca)”.

No comunicado, pode ler-se que a manifestação de sábado “foi de cidadãos e para os cidadãos, tendo sido dada a voz aqueles que mais têm sofrido e sido prejudicados pela extrema poluição que tem assolado o rio Tejo no seu curso desde Vila Velha de Ródão a Lisboa. Nas suas mensagens, estes cidadãos manifestaram as suas perdas sentimentais e materiais devido à poluição do rio Tejo e seus afluentes e solicitaram a adoção de ações e medidas de combate à poluição ao Senhor Ministro do Ambiente e às autoridades competentes em matérias de políticas de água e de fiscalização ambiental”.

“Considerando o manifestado por todos estes cidadãos, o proTEJO requer ao ministro do Ambiente que sejam tomadas as seguintes medidas:

1º. Uma fiscalização contínua e eficaz dos potenciais focos de poluição e dos alvos com risco de poluição localizados na zona de Vila Velha de Ródão;

2º. A revisão da licença de descarga de efluentes da Celtejo no rio Tejo para valores que garantam o objetivo de alcançar o bom estado ecológico das massas de águas do rio Tejo ao longo de todo o seu curso em território português. O Tejo merece!”, conclui.

Manifesto da 2ª manifestação contra a poluição do rio Tejo e seus afluentes

“O rio Tejo e seus afluentes têm vindo a sofrer uma contínua e crescente vaga de poluição que mata os peixes e envenena o ambiente e as pessoas.

As águas que afluem de Espanha vêm já com um elevado grau de contaminação com origem nos fertilizantes utilizados na agricultura intensiva, na eutrofização gerada pela sua estagnação nas barragens da Estremadura, na descarga de águas residuais urbanas das vilas e cidades espanholas sem o adequado tratamento e na contaminação radiológica com origem na Central Nuclear de Almaraz.

A gravidade desta poluição das águas do rio Tejo acentua-se devido aos caudais cada vez mais reduzidos que afluem de Espanha e, já em solo português, à gestão economicista do concessionário das barragens do Fratel e Belver, diminuindo ainda mais a capacidade de depuração natural do rio Tejo.

A poluição, em território nacional, provém da agricultura, indústria, suinicultura e vacarias, águas residuais urbanas e outras descargas de efluentes não tratados, com total desrespeito pelas leis em vigor, e sem a competente ação de vigilância e controlo pelas autoridades responsáveis, valendo a ação de denúncia das organizações ecologistas e dos cidadãos, por diversas formas, nomeadamente, através das redes sociais e da comunicação social.

Esta catastrófica situação do rio Tejo e seus afluentes tem graves implicações na qualidade das águas para as regas dos campos, para a pesca, para a saúde das pessoas e impede o aproveitamento do potencial da região ribeirinha para práticas de lazer, de turismo fluvial e desportos náuticos, respeitando a natureza e a saúde ambiental da bacia hidrográfica do Tejo.

Nunca o rio Tejo e seus afluentes registaram tão elevado grau de poluição, de abandono e falta de respeito, por parte de uma minoria que tudo destrói, perante a complacência das autoridades.

Não estão em causa, de modo nenhum, as atividades realizadas por empresas e outras organizações na bacia hidrográfica do Tejo, o que se saúda e deseja, porém tal deve ocorrer de acordo com as práticas adequadas à salvaguarda do bem comum que o rio Tejo e seus afluentes constituem para os seus ecossistemas aquáticos e para as populações ribeirinhas.

O protejo – Movimento pelo Tejo realizou, em 26 de setembro de 2015 uma “Manifestação contra a poluição no rio Tejo” face ao significativo número de episódios de poluição que o rio Tejo vinha sofrendo, visíveis a olho nu e registados por diversos cidadãos que integram a rede de vigilância do rio Tejo deste movimento.

Em consequência dos protestos realizados constatou-se que o Ministério do Ambiente aumentou a sua ação no terreno através da intervenção da Inspeção-geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território (IGAMAOT) e em resultado disso registou-se de fato uma diminuição nas ocorrências de poluição ainda durante o ano de 2016.

Recentemente, o Ministério do Ambiente publicou o Relatório da Comissão de Acompanhamento Sobre Poluição no Rio Tejo e um Plano Anual de Ação Integrado de Fiscalização e Inspeção para a bacia do rio Tejo.

No entanto, desde os últimos dias de outubro de 2016 que a poluição visível no rio Tejo tem vindo novamente a aumentar constatando-se atualmente um aumento do número das ocorrências e um significativo nível de poluição cuja principal origem na zona de Vila Velha de Ródão foi recentemente reconhecida no referido Relatório da Comissão de Acompanhamento Sobre Poluição no Rio Tejo e que se documenta nos vídeos listados no final desta comunicação.

Apesar da ação meritória da definição de um Plano Anual de Ação Integrado de Fiscalização e Inspeção para a bacia do rio Tejo, o proTEJO considera que a ação das autoridades competentes tem fracassado quanto à contenção das práticas poluentes das empresas na bacia do Tejo, em especial na zona de Vila Velha de Ródão, entre as quais se evidencia a empresa Celtejo que tem uma licença de emissão de efluentes com cargas poluentes que consideramos além do aceitável para se prosseguir no objetivo de alcançar o bom estado ecológico das águas do Tejo, previsto no Plano de Gestão da Região Hidrográfica do Tejo, e que pressupomos que estará neste momento a contribuir para o significativo nível de poluição constatado quer na zona de Vila Velha de Ródão quer nos concelhos e povoações ribeirinhas situados a jusante no curso do Tejo até Lisboa.

Assim, os cidadãos e as populações ribeirinhas, reunidos em defesa do Tejo, requerem que o Senhor Ministro do Ambiente intervenha no sentido de que sejam tomadas medidas para a contenção das descargas poluentes no rio Tejo, nomeadamente, para garantir que as emissões de efluentes da Celtejo para o rio Tejo estejam dentro de parâmetros que garantam o objetivo de alcançar o bom estado ecológico das suas massas de águas ao longo de todo o seu curso em território português, seja pela maior fiscalização, seja pela revisão ou suspensão das licenças de emissão de efluentes. O Tejo merece!”


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A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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4 Comments

  1. inconstitucional que não é constitucional; contrário à Constituição; que viola os princípios da lei constitucional . ou seja o governo português não respeita Lei Constitucional nº 1/92 de 25-11-1992
    CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA PORTUGUESA
    PARTE I – Direitos e deveres fundamentais
    TÍTULO III – Direitos e deveres económicos, sociais e culturais
    CAPÍTULO II – Direitos e deveres sociais
    ———-
    Artigo 66.º – (Ambiente e qualidade de vida)
    1. Todos têm direito a um ambiente de vida humano, sadio e ecologicamente equilibrado e o dever de o defender.
    2. Incumbe ao Estado, por meio de organismos próprios e por apelo e apoio a iniciativas populares:
    a) Prevenir e controlar a poluição e os seus efeitos e as formas prejudiciais de erosão;
    b) Ordenar e promover o ordenamento do território, tendo em vista uma correcta localização das actividades, um equilibrado desenvolvimento sócio-económico e paisagens biologicamente equilibradas;
    c) Criar e desenvolver reservas e parques naturais e de recreio, bem como classificar e proteger paisagens e sítios, de modo a garantir a conservação da natureza e a preservação de valores culturais de interesse histórico ou artístico;
    d) Promover o aproveitamento racional dos recursos naturais, salvaguardando a sua capacidade de renovação e a estabilidade ecológica. então quando não respeitado tornasse inconstitucional ou viola a lei constitucional; por não a fazer respeitar certo

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