A Proteção Civil do Médio Tejo passou a dispor, no sábado, dia 1 de agosto, de uma embarcação multiusos de reconhecimento, transporte e socorro destinada a operar, prioritariamente, na albufeira de Castelo de Bode, reforçando a capacidade de resposta a acidentes aquáticos, operações de busca e salvamento e ao combate a incêndios florestais a partir da água.
O novo meio, num investimento a rondar os 130 mil euros, entrou hoje oficialmente ao serviço e integra a estratégia de reforço operacional da Comunidade Intermunicipal (CIM) do Médio Tejo, constituindo uma resposta inovadora e complementar aos meios já existentes na sub-região.
A embarcação foi apresentada no Lago Azul, em Ferreira do Zêzere, assinalando o arranque do dispositivo permanente de prevenção e socorro aquático na albufeira de Castelo de Bode. O equipamento resulta da cooperação entre os municípios de Abrantes, Tomar e Ferreira do Zêzere, os respetivos corpos de bombeiros, a Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo e a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC).
Segundo explicou ao mediotejo.net o comandante sub-regional de Emergência e Proteção Civil do Médio Tejo, David Lobato, trata-se de uma embarcação com uma “dupla função”, preparada tanto para missões de socorro em meio aquático como para apoiar o combate a incêndios nas margens da albufeira.
“Aquilo que se pretende é que tenhamos toda a albufeira de Castelo de Bode, desde Abrantes, Tomar e Ferreira do Zêzere, podendo ainda abranger Figueiró dos Vinhos e parte da Sertã, com capacidade de resposta para situações de emergência”, afirmou.




Entre os cenários previstos contam-se afogamentos, colisões entre embarcações, incêndios em barcos e incêndios florestais junto às margens.
“Este barco tem capacidade de fazer combate, tem capacidade de levar bombeiros para atuar nas encostas da albufeira e evitar situações que já aconteceram no passado, em que os incêndios passam de uma margem para a outra”, destacou.
A embarcação está equipada com uma bomba de alta capacidade e um monitor frontal que permite projetar água até cerca de 50 metros, utilizando como fonte de abastecimento a própria albufeira.
“Tem um manancial que nunca acaba. Pode projetar um jato de água até 40 ou 50 metros e transportar mangueiras para que os bombeiros possam subir as encostas pelo lado do rio, algo que até agora não era possível”, explicou David Lobato.
Além do combate direto às chamas, o novo meio pode transportar até dez bombeiros para operações em zonas de difícil acesso ou proceder ao resgate de igual número de vítimas em situações de emergência.
“Se houver necessidade de retirar pessoas de uma embarcação ou de outro local na albufeira, conseguimos evacuar até dez pessoas de cada vez, o que representa uma importante capacidade adicional de socorro”, referiu.

A guarnição base será composta por dois operacionais – o condutor da embarcação e um segundo elemento dedicado às operações de combate ou salvamento – podendo integrar um nadador-salvador sempre que a missão o justifique.
Durante a época balnear, a embarcação ficará empenhada diariamente, entre cerca das 10h00 e as 19h00 ou 20h00, realizando ações de patrulhamento preventivo na albufeira, embora possa operar durante a noite sempre que seja acionada para incêndios ou outras situações de emergência.
“Vai trabalhar sete dias por semana durante a época balnear e, se houver necessidade de prolongar esse período, nomeadamente por causa do calor ou do risco de incêndio, prolongaremos o seu empenhamento”, indicou o comandante.
Até agora, as corporações de bombeiros da área de Castelo de Bode apenas colocavam embarcações na água quando eram chamadas para uma ocorrência específica, não existindo um meio dedicado e preparado para operações de combate a incêndios a partir da albufeira.
“Não tínhamos esta capacidade de combate e passámos a tê-la agora. É mais um passo na modernização dos serviços de proteção civil da nossa região”, sublinhou David Lobato.
A embarcação integra o conjunto de equipamentos adquiridos pela Comunidade Intermunicipal (CIM) do Médio Tejo no âmbito da Estratégia Intermunicipal de Proteção Civil, tendo sido concebida para reforçar a capacidade de socorro em meio aquático na sub-região.

O projeto contempla ainda módulos operacionais, viaturas, equipamentos de proteção individual, tendas de apoio logístico, sistemas de comunicações por satélite Starlink e tablets, entre outros, destinados a reforçar a capacidade operacional das corporações de bombeiros e dos serviços municipais de proteção civil.
Com este novo meio, a Proteção Civil do Médio Tejo passa, pela primeira vez, a dispor de uma embarcação dedicada ao socorro, salvamento e combate a incêndios em meio aquático, reforçando a capacidade de intervenção na albufeira de Castelo de Bode, podendo igualmente ser mobilizada para outras missões na sub-região.
