Proteção Civil alerta para aumento dos caudais no Tejo. Foto: Ricardo Escada

A precipitação que se tem sentido em Portugal e as descargas das barragens espanholas gerou um aumento considerável dos níveis hidrométricos e caudais do rio Tejo e seus afluentes, deu conta a Proteção Civil do Médio Tejo, tendo deixado alertas preventivos. Devido ao aumento das descargas a montante, nomeadamente de Espanha, é previsível a subida dos caudais.

Pela informação disponível, segundo a Proteção Civil, prevê-se a manutenção dos caudais debitados pelas barragens, o que potencialmente contribuirá para um aumento dos níveis hidrométricos do rio Tejo.

Atendendo ainda aos avisos meteorológicos emitidos pelo IPMA, prevendo a continuação de instabilidade até ao final do dia de hoje, é expectável a manutenção dos caudais com valores próximos dos 2000m3/s, o que constitui um fator de risco significativo no galgamento das margens do rio Tejo e seus afluentes.

No rio Sorraia verificou-se também uma subida da altura hidrométrica na escala de Coruche. Devido ao aumento das descargas a montante, é previsível a subida dos caudais.

De acordo com a informação disponibilizada pela APA, para a Bacia do Tejo, prevê-se que as afluências de Espanha possam aumentar.

A situação meteorológica atual e a prevista pode originar a ocorrência de inundações em zonas urbanas, causadas pela acumulação de águas pluviais por obstrução dos sistemas de escoamento.

A situação pode originar a ocorrência de cheias, potenciadas pelo transbordo do leito de cursos de água e ribeiras, a instabilização de vertentes, conduzindo a movimentos de massa (deslizamentos, derrocadas e outros) motivados pela infiltração da água, podendo ser potenciados pela remoção do coberto vegetal.

A Protecção Civil alerta ainda para o possível arrastamento para as vias rodoviárias de objetos soltos, ou ao desprendimento de estruturas móveis ou deficientemente fixadas, e para o piso rodoviário escorregadio e formação de lençóis de água.

Portugal com mais de 470 ocorrências até às 13h00

Portugal continental registou hoje, entre as 00:00 e as 13:00, mais de 470 ocorrências associadas à depressão Martinho, maioritariamente queda de árvores, com principal incidência na Grande Lisboa, Área Metropolitana do Porto e Coimbra, segundo a Proteção Civil.

A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) contabiliza, entre as 00:00 e as 13:00 de hoje, um total de 436 ocorrências devido ao mau tempo em Portugal continental, a que se juntam as cerca de 40 na cidade de Lisboa.

Estes dados da ANEPC não incluem a cidade de Lisboa, onde a informação é disponibilizada pelo Regimento de Sapadores Bombeiros de Lisboa, que indicou à Lusa que no dia de hoje, entre as 08:00 e as 13:00, contabilizou cerca de 40 ocorrências, nomeadamente 21 queda de árvores, 12 queda de estruturas, cinco queda de revestimentos e três inundações em espaço privado.

Relativamente às 436 ocorrências contabilizadas pela ANEPC, a zona mais afetada do país é a Grande Lisboa, com 78 situações, seguindo-se a Área Metropolitana do Porto, com 63, e Coimbra, com 47.

Em declarações à Lusa, o oficial de operações da ANEPC Elísio Pereira indicou que, por tipologia, a maioria das ocorrências continua a estar associada a queda de árvores, com 197 situações, verificando-se também queda de estruturas, com 121, movimento de massa, com 48, e inundações, com 37.

Estas 436 ocorrências em Portugal continental mobilizaram 1.538 operacionais agentes de proteção civil, apoiados por 574 veículos, adiantou Elísio Pereira.

Segundo o oficial de operações da ANEPC, não há registo de feridos no âmbito das ocorrências registadas hoje.

Doze distritos do continente estão hoje sob aviso laranja (o segundo mais grave de uma escala de três) devido à previsão de agitação marítima, vento e queda de neve, de acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

Devido à agitação marítima, os distritos de Faro, Setúbal e Beja estão sob aviso laranja até às 18:00 de hoje, enquanto Porto, Viana do Castelo, Lisboa, Leiria, Aveiro, Coimbra e Braga mantêm o aviso até às 00:00 de domingo, segundo o IPMA.

O instituto colocou ainda os distritos de Lisboa, Leiria, Aveiro e Coimbra sob aviso laranja devido a ventos fortes até às 06:00 de hoje, e Guarda e Castelo Branco sob aviso laranja, até às 00:00 de domingo, devido à queda de neve acima de 1.200 a 1.400 metros.

Na sexta-feira, entre as 00:00 e as 23:59, a ANEPC registou 1.038 ocorrências em Portugal continental, a que se juntam 235 situações registadas pelo Regimento de Sapadores Bombeiros de Lisboa, perfazendo um total de mais de 1.200.

Entre quarta-feira e quinta-feira, os dois dias mais intensos quanto à passagem da depressão Martinho, a ANEPC contabilizou um total de 8.600 ocorrências em Portugal continental.

Na cidade de Lisboa, contabilizaram-se 920 ocorrências, entre as 21:00 de quarta-feira e as 16:00 de quinta-feira, em que a maioria foi por causa de queda de árvores, com 433 situações.

Entre os feridos associados à passagem da depressão Martinho, destaca-se uma mulher, “com cerca de 30 anos”, que na quarta-feira foi atingida por uma árvore na Lagoa Azul, em Sintra, no distrito de Lisboa, e que se encontra internada com “prognóstico muito reservado”, informou à Lusa fonte da autarquia.

A passagem da depressão Martinho, com chuva, vento e agitação marítima fortes, provocou milhares de ocorrências no continente português, na maioria quedas de árvores e estruturas, sobretudo na madrugada de quinta-feira, quando vigoraram avisos meteorológicos laranja, o segundo nível mais grave.

Estradas, portos, linhas ferroviárias, espaços públicos, habitações, equipamentos desportivos, viaturas e serviços de energia e água foram afetados, em especial nas regiões de Lisboa e Vale do Tejo, Centro e Sul, registando-se um ferido grave e perto de uma dezena de feridos ligeiros.

Na noite de quarta para quinta-feira, os ventos fortes ajudaram a propagar cerca de meia centena de incêndios rurais no Minho, sem registo de vítimas ou danos em habitações, numa época pouco propícia a fogos.

c/LUSA

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

Deixe um comentário

Leave a Reply