Proteção Civil eleva plano de cheias do Tejo para amarelo com 23 vias afetadas. Foto arquivo: Ricardo Escada

O plano foi inicialmente ativado às 00h01 de sábado em nível azul, após os caudais ultrapassarem o limiar dos 1.500 m3/s, e agravado durante a tarde daquele dia devido à manutenção de valores elevados, explicou o comandante sub-regional do Médio Tejo, David Lobato. O responsável apelou à população para evitar “turismo de catástrofe” junto às margens do rio, alertando que os níveis deverão manter-se elevados nos próximos dias, com nova previsão de chuva forte a partir de segunda-feira.

O comandante explicou que o Plano Especial de Emergência para Cheias na Bacia do Tejo foi ativado às 00h01 de sábado em nível azul e elevado a amarelo durante a tarde, devido à manutenção de caudais acima dos limiares definidos. “O nível azul diz-nos que aos 1.300 a 1.500 m3/s temos que ativar o plano. Neste momento já estamos com 1.700 m3/s e isso obrigou à elevação para o nível amarelo”, afirmou, apelando à população para evitar deslocações às margens do rio. “Pedimos que não façam turismo de catástrofe. O rio vai estar bastante elevado nos próximos dias e a precaução é fundamental”, declarou.

Sobre os efeitos visíveis no Médio Tejo, Lobato confirmou no sábado a submersão de cerca de 70% do parque de estacionamento de Constância, condicionamentos no cais de Tancos, a interdição do Parque do Almourol, em Vila Nova da Barquinha, e constrangimentos na estação de canoagem de Alvega, em Abrantes, que está parcialmente inundada, num total de 23 vias condicionadas ou submersas. Este domingo, às 12h00, o número era de 26 vias afetadas tendo aumentado para 29, às 22h00.

A Proteção Civil explicou que a precipitação que se tem feito sentir em Portugal, conjugada com as descargas efetuadas pelas barragens espanholas, provocou um aumento considerável dos níveis hidrométricos e dos caudais do Rio Tejo. Segundo a mesma fonte, desde as 23h00 de sábado, 24 de janeiro, regista-se uma descida dos valores debitados pelo conjunto das barragens, o que já se traduz numa redução gradual da altura hidrométrica na estação de Almourol.

Ainda assim, a Proteção Civil alerta que, mantendo-se o cenário atual e tendo em conta as previsões meteorológicas para a bacia do Tejo, os caudais lançados no rio pelos seus afluentes deverão manter-se elevados nos próximos dias, ainda que com algumas oscilações.

O responsável alertou ainda que a situação deverá manter-se, uma vez que a região continua dependente das descargas das barragens espanholas e está prevista nova chuva intensa a partir de segunda-feira.

Relativamente à passagem da depressão Ingrid, o comandante indicou o registo de cerca de 32 ocorrências no Médio Tejo, sobretudo quedas de árvores e aluimentos de terras, que levaram ao condicionamento de estradas, nomeadamente em Torres Novas e na ligação entre Martinchel e Constância. Confirmou ainda a queda de neve ao final da tarde de sexta-feira na zona da Serra do Bando dos Santos, em Mação, depois de registos idênticos em Vila de Rei e de forma mais ligeira em Abrantes, Tomar e Sertã.

ÁUDIO | DAVID LOBATO, COMANDANTE PROTEÇÃO CIVIL MÉDIO TEJO:

A Proteção Civil alerta que a manutenção dos caudais elevados do Tejo pode provocar inundações em zonas urbanas por obstrução dos sistemas de escoamento, cheias resultantes do transbordo de cursos de água, instabilização de vertentes com movimentos de massa, arrastamento de objetos para as vias rodoviárias, piso escorregadio e eventual interdição de estradas por submersão.

As autoridades recomendam a retirada de bens e animais das zonas inundáveis, evitar atravessar áreas alagadas e manter-se informado através dos canais oficiais.

Aumento dos caudais do Tejo motiva alerta no Médio Tejo. Foto arquivo: Ricardo Escada

Proteção Civil atualiza para 29 o número de vias afetadas na bacia do Tejo

A nota informativa do Comando Regional de Emergência e Proteção Civil de Lisboa e Vale do Tejo, atualizada às 22h00 deste domingo, dá conta de 29 vias de comunicação condicionadas, submersas ou interditas em vários municípios do distrito de Santarém, devido à subida dos caudais do Rio Tejo e dos seus afluentes.

Face ao ponto de situação das 12h00, registam-se três novas ocorrências, nomeadamente o galgamento da margem esquerda do Rio Sorraia, no concelho de Coruche, a submersão da EN 3-2 entre Azambuja e Valada e ainda a submersão da EM 1456, entre Benavente e a Reta do Cabo, município que passa agora a integrar a lista de áreas afetadas.

No município de Coruche, mantém-se a submersão do desvio à Ponte da Escusa (Couço-Coruche), da ligação EN114-EN251 (Estrada das Meias) e da ligação EN114-3 à EN119 (Estrada da Amieira), acrescendo agora o galgamento do Rio Sorraia.

No Cartaxo, continuam submersas a EN114-2, entre Setil e a Ponte do Reguengo, e a EN 3-2, entre Reguengo e Valada, que se mantém interdita.

Em Santarém, persistem as submersões na Ponte de Alcaides (EN365-4), Ponte do Celeiro (EN365), Ponte do Alviela (EN365 – Pombalinho/Vale de Figueira), EM1348 (Estrada do Campo, em Vale de Figueira) e no cais de embarque da Ribeira de Santarém. A Ponte da Panela continua cortada para manutenção.

Na Golegã, mantêm-se afetadas a CM1 (Estrada dos Lázaros), a Ponte do Alviela (interdita) e a Estrada das Braquenizes.

Em Salvaterra de Magos, está submersa a ligação entre Marinhais e Foros de Salvaterra, na Estrada do Paúl.

No concelho de Rio Maior, continuam submersas a CM Lobo Morto/Pé da Serra (interdita), a Quinta do Seabra/Vila da Marmeleira, a CM São João da Ribeira/Laroujo e a ligação Valbom–Marmeleira.

Em Alpiarça, a circulação na EN368 mantém-se alternada.

Na Azambuja, além das vias afetadas em Carvalhos/Manique do Intendente/Azambuja, regista-se agora também a submersão da EN 3-2 entre Azambuja e Valada.

Em Benavente, surge nova ocorrência com a submersão da EM1456, entre Benavente e a Reta do Cabo.

Em Torres Novas, mantém-se a submersão da Estrada Municipal 570.

Em Constância, continuam submersos o parque de estacionamento e interditada a EN358-2 devido a movimento de massas.

Em Vila Nova da Barquinha, o cais do Almourol permanece submerso.

Já em Abrantes, a Estação de Canoagem de Alvega continua parcialmente inundada, mantendo-se igualmente a interdição da EN358-2.

A Proteção Civil aconselha a população a retirar das zonas normalmente inundáveis equipamentos agrícolas, industriais, viaturas e outros bens e a levar os animais para locais seguros.

Por outro lado, apela a que não se circule, em viatura ou a pé, em estradas ou zonas alagadas e que os cidadãos se mantenham informados através dos órgãos de comunicação social ou dos agentes de Proteção Civil, tomando as devidas medidas de precaução.

“O CDOS de Santarém, em articulação com a Agência Portuguesa do Ambiente, IP [Infraestruturas de Portugal], EDP produção, Serviços Municipais de Proteção Civil e Agentes de Proteção Civil, continuará a acompanhar a situação e emitirá outros comunicados que se entendam necessários”, é indicado na nota.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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