A CDU de Tomar, através de Bruno Graça, candidato nas últimas autárquicas, reuniu-se no dia 16 de janeiro com o presidente da Câmara, Tiago Carrão, para auscultar as Grandes Opções do Plano e o Orçamento Municipal para 2026.
Segundo terá sido apresentado pelo executivo, o documento indicativo terá cerca de 65,95 milhões de euros, assumindo caráter maioritariamente transitório e de continuidade, focado na execução de projetos herdados e obrigações do PRR. Entre as áreas destacadas estão habitação, educação, cultura e desporto, associativismo, saúde, obras municipais e reestruturação de serviços.
Bruno Graça afirmou ao mediotejo.net que, embora a CDU tenha ouvido a exposição do presidente, considera que o orçamento “não iria efetivamente fazer qualquer inversão na política que tem vindo a ser seguida”, acrescentando que se trata de uma proposta de continuidade e execução que não aborda questões fundamentais e estruturantes do concelho.
O candidato destacou ainda a ausência de medidas concretas para a reindustrialização, habitação jovem, saneamento e abastecimento de água através da Tejo Ambiente ou políticas de investimento estratégicas, qualificando o documento como “a mesma política que PSD e PS defendem, sem alterações de fundo”.
Segundo a CDU, o orçamento apresentado mantém problemas históricos do concelho, sem apresentar soluções para a desertificação, envelhecimento populacional, criação de emprego e reforço da coesão territorial.

ÁUDIO | BRUNO GRAÇA, MEMBRO DA CDU DE TOMAR:
A força política, sem eleitos no executivo, considera indispensável reabilitar e valorizar os parques empresariais, investir na habitação pública e em autoconstrução, melhorar o abastecimento e a rede de saneamento, assegurar extensões de saúde funcionais e qualificar os trabalhadores municipais, bem como investir na cultura, património e ambiente, incluindo a proteção do Rio Nabão e da Mata dos Sete Montes.
Bruno Graça sublinhou que, embora a reunião do dia 16 tenha sido longa e educada, a CDU ainda não teve acesso ao documento final que será votado na Câmara, e posteriormente em Assembleia Municipal, onde a CDU tem assento, pelo que a posição definitiva será tomada após análise do orçamento completo, podendo ajustar-se caso algumas propostas da oposição sejam incorporadas.
O orçamento municipal de 2026 será apresentado e votado na reunião de Câmara marcada para segunda-feira, 26 de janeiro.
O executivo municipal é liderado pelo PSD, que gere em minoria com três vereadores e com acordo de governação com um vereador do Chega. O PS, que presidiu ao município até outubro de 2025, tem três eleitos. Na Assembleia Municipal, a coligação PSD-CDS também está em minoria, mas deverá conseguir a aprovação do documento através do acordo de governação firmado com o Chega.
