Construção de fábrica de primeiro avião português inicia em 2026 em Ponte de Sor. Foto: Air Summit

Em comunicado, o Município de Ponte de Sor divulgou que a cerimónia está marcada para as 16:00, no aeródromo municipal, que vai acolher “esta que será a primeira linha de montagem final” de aeronaves estabelecida em Portugal.

A escritura do direito de superfície para a construção da fábrica da aeronave LUS222 vai ser assinada entre esta câmara alentejana e a EEA Aircraft, empresa líder do consórcio responsável pelo desenvolvimento da agenda mobilizadora Aero.Next Portugal, disse a autarquia.

De acordo com o município, a assinatura “representa um passo crucial na instalação da linha de montagem final do LUS222, uma aeronave regional ligeira cuja engenharia já está a ser desenvolvida em Évora”.

O Aeródromo Municipal de Ponte de Sor foi escolhido para a industrialização e produção, “a partir de 2026”, deste avião, que terá “19 lugares, 2.000 quilos de carga e 2.000 quilómetros de alcance”.

No passado dia 12 de outubro, em declarações aos jornalistas em Ponte de Sor, na cimeira aeronáutica deste ano, Miguel Braga, do Centro de Engenharia e Desenvolvimento (CEiiA), uma das entidades envolvidas no consórcio, explicou que o investimento no projeto rondava os “100 milhões de euros”.

No comunicado de hoje, a câmara municipal, sem divulgar o investimento na fábrica, realçou que a linha de montagem vai gerar “entre 150 a 300 postos de trabalho” qualificados no concelho, com um impacto significativo na qualidade de vida da população”.

Fonte da autarquia indicou à Lusa que a área total da fábrica dever “rondar os 35.000 metros quadrados”, enquanto a área coberta vai ser de “18.000 metros quadrados”.

Na cerimónia de quinta-feira, vai também ser apresentado o ponto de situação da engenharia desenvolvida desde 2022 da Agenda Mobilizadora Aero.Next Portugal e a demonstração dos planos previstos para formação e qualificação de recursos humanos para o setor.

A criação e produção do LUS222 está inserida na agenda mobilizadora Aero.Next, tal como o projeto de desenvolvimento do UAS ARX, uma aeronave não tripulada concebida e produzida pela empresa Tekever, igualmente no Aeródromo Municipal de Ponte de Sor.

Construção de fábrica de primeiro avião português inicia em 2026 em Ponte de Sor (c/áudio)

As obras de construção de uma fábrica que vai produzir a primeira aeronave portuguesa, em Ponte de Sor, vão arrancar no início de 2026, “um dos projetos mais importantes da história do concelho”. O desenvolvimento da aeronave LUS 222 vai ser o primeiro programa aeronáutico completo em Portugal, que cria o primeiro integral final aeronáutico português e a primeira linha de montagem final de aeronaves no país.

“Esse vai ser um dos projetos mais importantes da história da vida deste aeródromo e deste concelho. Há cerca de 12 anos a esta parte, e 12 anos passam depressa, não estamos a falar de décadas, este aeródromo tinha 40 ou 50 postos de trabalho. Hoje tem perto de 600 com três agendas mobilizadoras a terem de ser executadas até final de 2026, que implicam também elas mais 400 ou 500 postos de trabalho aqui em dois anos”, disse Hugo Hilário, presidente da Câmara de Ponte de Sor, no arranque do Portugal Air Summit, em outubro deste ano, tendo destacado o projeto do LUS 222.

“O LUS 222 é o produto dentro dessas agendas que terá o maior impacto em toda aquela que é a dinâmica do aeródromo, mas aqui não só do aeródromo, do cluster nacional português. O LUS 222 não é um projeto de Ponte de Sor, é um projeto do país e do país para o mundo e, portanto, estamos ansiosos, expectantes que possamos começar a construir a primeira fábrica, a fábrica desse avião o mais rapidamente possível aqui no aeródromo”, disse o autarca, tendo adiantado que a construção da fábrica está prevista para o início de 2026.

Hugo Hilário respondia aos jornalistas no âmbito do Portugal Air Summit, tendo dado conta que as expectativas para esta edição eram “altas”, tendo abordado ainda a questão das acessibilidades, as três agendas mobilizadoras para Ponte de Sor, o transporte aéreo de passageiros, o concurso internacional de construção e lançamento de rockets.

Construção de fábrica de primeiro avião português inicia em 2026 em Ponte de Sor. Foto: Air Summit

ÁUDIO | HUGO HILÁRIO, PRESIDENTE CM PONTE DE SOR:

Questionado sobre o problema de acessibilidades, nomeadamente rodoviárias, o autarca falou na importância de mostrar uma dinâmica que justifique os investimentos em causa.

“Eu tenho sempre uma visão muito própria sobre a questão das acessibilidades, e acho que primeiro temos também que justificar a necessidade dessas mesmas acessibilidades, por diferença com as que já existem. O que é que eu quero dizer com isto? Que também é preciso haver alguma dinâmica económica, também é preciso haver motivo para que possamos pedir a quem de direito para melhorarmos as nossas acessibilidades. Ponte de Sor neste momento, acho que já provou e comprovou a muitos, para não dizer a todos, que hoje já é mais do que justificável uma melhoria das acessibilidades, quer direto a capital do país, quer até acesso a norte”, afirmou.

“Temos trabalhado esse dossiê, temos falado com as várias tutelas, acho que a pouco e pouco as coisas se vão resolvendo, mas é verdade, a criação deste cluster e a sua dimensão hoje não pode ficar refém aqui de uma ou outra falta de acessibilidade que, efetivamente, nós temos, não só em Ponte de Sor, mas também no distrito de Portalegre”, notou Hilário, tendo feito notar a falta de apoios neste momento, de apoios comunitários para esse fim.

“Nós temos dado os nossos indicadores, os nossos sinais, fazendo as nossas reivindicações sempre a pensar nisso, na melhoria da qualidade de vida das pessoas. Há questões mais difíceis do que outras, as acessibilidades são sempre questões difíceis. Ainda há pouco o senhor ministro [da Coesão Territorial] referiu que infelizmente, os fundos estruturais, os fundos europeus, neste momento não se adaptam muito a esta questão das acessibilidades, terão de haver outros recursos, outras medidas, obviamente a nível do orçamento”, declarou.

Por outro lado, questionado sobre a possibilidade do Aeródromo Municipal poder receber voos de transporte de passageiros, Hugo Hilário não descartou a hipótese.

“Eu acho que isso é uma questão de tempo. Não desperdiçamos atenções até aqui, nós, gestão municipal, a pensar nessas coisas. O nosso foco foi sempre muito direcionado àquilo que temos hoje, a atração de investimentos, a atração de empresas, à diversificação daquelas que são as atividades dentro do próprio cluster. O que é que eu quero dizer com isto? Neste aeródromo está os meios aéreos da Proteção Civil, está a produção de aeronaves não tripuladas, está o ensino, está a instrução, o voo, estão empresas de produção de equipamentos, capacetes, máscaras e por aí fora e, portanto, o que quero dizer com isto é que esta diversidade é sinónimo de sustentabilidade do projeto”.

“Daqui para a frente”, continuou, “e tendo em consideração as necessidades do país, tenho a certeza que é uma questão de tempo, o aeródromo de Ponte de Sor poder vir a ser também selecionado para algum transporte e para algumas rotas aéreas, mas isso a seu tempo definiremos. Não tenho dúvidas que isso vai acabar por acontecer”.

Construção de fábrica de primeiro avião português inicia em 2026 em Ponte de Sor. Foto: Air Summit

Ponte de Sor – Cluster da Aeronáutica no interior do País

O concelho de Ponte de Sor está envolvido em três agendas mobilizadoras do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), com mais de 200 milhões de euros, esperando que sejam criados cerca de 500 postos de trabalho diretos e mais de 1.000 indiretos, a acrescentar aos cerca de 600 postos de trabalho existentes.

Construção de fábrica de primeiro avião português inicia em 2026 em Ponte de Sor. Foto: Air Summit

A primeira agenda mobilizadora é a “Aero.next Portugal” (um consórcio), que será responsável por produzir a primeira aeronave portuguesa, o LUS 222.

Esta agenda contempla cerca de “140 milhões de euros” de investimento, “61%” dos quais para o Alentejo (75 milhões de euros), é ainda composta pela produção de uma aeronave não tripulada com capacidade “distinta” das que existem para a vigilância marítima e uma terceira componente relacionada com a mobilidade aérea avançada.

A segunda agenda mobilizadora, a “Neuraspace”, tem como objetivo “ajudar a resolver” os problemas relacionados com os lixos espaciais, sendo criado em Ponte de Sor um radar para dar resposta a esta necessidade.

Este projeto envolve “cerca de 20 milhões de euros” e criará cerca de 20 a 30 postos de trabalho diretos.

A terceira agenda mobilizadora, no âmbito do PRR, a “Newspace”, está por sua vez relacionada com a produção de microssatélites e comporta “cerca de 60 milhões de euros” de investimento, criando mais de uma centena de postos de trabalho.

c/LUSA

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Agência de Notícias de Portugal

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