Em Abrantes, a associação Apadrinha uma Oliveira aposta na revitalização do património natural e na inserção profissional. Foto: AUO

“O projeto ‘Apadrinha uma Oliveira’ tem como objetivo recuperar olivais que estão ao abandono ou que os proprietários não têm condições para os tratar”, explica João Rijo, representante da associação, fundada em março de 2023, . “Os proprietários cedem os terrenos ao projeto, e nós fazemos todo o trabalho de manutenção, recuperação, limpeza e apanha da azeitona. É um trabalho integral, desde a terra até ao azeite.”

A associação aposta na revitalização do património natural e na inserção profissional após o encerramento da Central do Pego sendo que o projeto já conta com mais de 4.100 oliveiras cedidas, distribuídas por 65 hectares de terreno, e cerca de 175 padrinhos particulares e várias empresas que apadrinham mais de 600 oliveiras. O objetivo, revela João Rijo, é chegar às 10 mil oliveiras recuperadas.

Para além da vertente ambiental, o projeto tem uma forte dimensão social. “Temos a preocupação de criar postos de trabalho nesta zona interior, onde a Central do Pego foi encerrada e muitas pessoas ficaram no desemprego”, afirma João Rijo. “Neste momento, já temos cinco trabalhadores que vieram da central e que estão a ser reinseridos no mercado de trabalho.”

ÁUDIO | JOÃO RIJO, PROJETO APADRINHA UMA OLIVEIRA:

A iniciativa procura, assim, dar uma nova vida à economia local, apostando numa transição justa para uma economia verde. A associação acredita que o desenvolvimento sustentável pode caminhar lado a lado com a revitalização do território e a preservação das tradições rurais.

Só na região de Abrantes existem cerca de 2.000 hectares de olival abandonado, o equivalente a 2.800 campos de futebol, uma área altamente vulnerável a incêndios e à degradação ambiental.

“O abandono é o maior inimigo destas árvores centenárias”, alerta João Rijo. “Quando deixadas ao abandono, surgem rebentos na base do tronco que consomem os recursos da árvore, enfraquecendo-a e reduzindo a produção.”

A zona de Abrantes é um território de forte tradição olivícola e alberga a oliveira mais antiga da Península Ibérica, a Oliveira do Mouchão, nas Mouriscas, com cerca de 3.350 anos. “Estamos numa região que tem uma tradição de olival tão grande, e a nossa missão é manter e dar continuidade a esse legado”, sublinha.

A associação aposta na revitalização do património natural e na inserção profissional após o encerramento da Central do Pego. Foto: AUO

Através do site apadrinhaumaoliveira.org, qualquer pessoa ou empresa pode apadrinhar uma oliveira. O valor do apadrinhamento reverte integralmente para a manutenção e recuperação dos olivais, contribuindo para a redução do risco de incêndios, a proteção da biodiversidade e a criação de emprego local.

“Quando alguém apadrinha uma oliveira, está a ligar-se a um ser vivo que vai crescer durante gerações, muito depois de nós”, destaca João Rijo. “Está a deixar um legado, a investir num futuro mais verde e a apoiar a regeneração de uma região que precisa de novas oportunidades.”

A associação, sem fins lucrativos, pretende mostrar que é possível mudar a realidade rural de forma sustentável e economicamente viável. “Graças à contribuição de quem acredita neste projeto, conseguimos tornar simples o que parece impossível”, conclui João Rijo.

O projeto Apadrinhaumaoliveira.org nasceu em 2023 precisamente no Dia Mundial do Ambiente. Foto: Apadrinha uma Oliveira

Com o lema “Cuidar do passado para semear o futuro”, o projeto Apadrinha uma Oliveira promete continuar a crescer — oliveira a oliveira, padrinho a padrinho — para devolver vida e dignidade às terras de Abrantes.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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2 Comments

  1. Acho que é uma maravilhosa iniciativa que deveria estender-se por todo o país. Apadrinhar uma oliveira, com a finalidade de a manter saudável para que possa produzir azeitonas e azeite, trará benéficos á natureza e á população. Excelente!!!

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