Parque da Serra d'Aire e Candeeiros assinala 44º aniversário com passeio interpretativo e monitorização de borboletas. Foto: ICNF

São sete os municípios (Alcanena, Alcobaça, Santarém, Porto de Mós, Rio Maior, Torres Novas e Ourém) que se alinharam no âmbito do projeto “Aire e Candeeiros, território turístico unificado”, cujo desafio é afirmar um destino turístico unido em volta deste território que “encerra um elevado potencial” e que “nunca foi trabalhado de forma unificada”. Assim o entende Rui Anastácio, presidente da Câmara Municipal de Alcanena, que abordou o assunto na última reunião de Câmara, tendo depois falado sobre o projeto com o mediotejo.net.

O objetivo passa por desenvolver um projeto conjunto de promoção na ótica da venda: “Não é fazer livros grossos e vídeos de dez minutos que ninguém vê e ninguém ouve, a ideia é fazer uma promoção muito no sentido da venda, quer junto do consumidor final, nomeadamente através de marketing digital, quer junto de operadores internacionais de turismo de natureza, no sentido de eles poderem considerar este nosso território como um produto, e poderem incluí-lo nos catálogos de turismo de natureza, embora tenha aqui também uma série de variantes – dentro do turismo cultural e turismo religioso – que podem e devem ser exploradas”, explicou o presidente da Câmara Municipal de Alcanena ao nosso jornal.

O autarca revelou ainda que está já identificada uma empresa que vai trabalhar no sentido de desenvolver o diagnóstico e a estratégia, de forma a que depois se possa trabalhar ao nível do financiamento e da execução.

ÁUDIO | Rui Anastácio, presidente da Câmara Municipal de Alcanena

Nesta conjugação de esforços vão ser enquadrados sete municípios e quatro comunidades intermunicipais. “E aqui, se é mau por um lado, se calhar por outro é bom, porque temos aqui quatro fontes de financiamento, provavelmente, [além] de outras que possamos identificar”. Deste modo são também englobadas duas entidades regionais de Turismo, nomeadamente a do Alentejo e do Centro, além da própria ADSAICA (Associação de Desenvolvimento das Serras de Aire e Candeeiros), a qual no fundo é o “braço armado” para se conseguir colocar o projeto no terreno, explicou Rui Anastácio.

 Rui Anastácio diz que esta é uma luta pela qual se bate e defende já há vários anos. Foto arquivo: mediotejo.net

A oferta, essa já existe mas está dispersa, pelo que é preciso organizá-la, considera o líder do município alcanenense, que acredita que a região possui um espaço natural “único e classificado” ao nível geológico em Portugal, sendo que existem já também infraestruturas turísticas de natureza, centenas de percursos pedestres e cicláveis, grutas, miradouros e parques. O autarca relembra ainda o fator de proximidade à A1 e a três patrimónios mundiais da UNESCO – Alcobaça, Batalha e Tomar – bem como a proximidade à Costa Atlântica, sendo que “podemos e devemos ir buscar turismo também à costa”, defende.

Também a proximidade a Fátima, “como marca de destino de grande notoriedade internacional e a grande capacidade hoteleira”, é outro fator importante elencado pelo autarca, que considera que a força está na união, até porque o turista “não conhece fronteiras administrativas”:

“Eu não acredito que o concelho de Alcanena seja um produto turístico, não acredito que o concelho de Porto de Mós seja um produto turístico, não acredito sequer que o concelho per si de Torres Novas seja um produto turístico. Claro que se podem fazer coisas ao nível da promoção do município, mas é um território muito pequeno. Neste caso, e sobretudo se falarmos de turismo de natureza, temos que ter aqui massa crítica e temos que ter aqui uma dimensão certa para que se possa promover lá fora”, afirmou Rui Anastácio, dando a rota Vicentina como um exemplo “de um sucesso enorme”.

Na sua opinião, esta rota mexeu com toda a comunidade local, desde taxistas, a restaurantes, alojamentos, artesãos e todos os restantes prestadores de serviços, recebendo atualmente milhares de turistas vindos de todo o mundo. “Portanto o que temos de fazer é aquilo que eles fizeram, e se possível fazer ainda fazer melhor”, disse ao nosso jornal.

O pontapé de saída deste projeto passa pela realização de um diagnóstico sobre os recursos turísticos existentes – a sua qualidade e viabilidade – e uma estratégia que defina a sustentabilidade com metas previa e claramente definidas. Depois, chegará a fase de implementação, sendo que “aí já contamos com alguns financiamentos para podermos por esta estratégia no terreno”, disse Rui Anastácio.

Licenciado em Ciências da Comunicação e mestre em Jornalismo. Natural de Praia do Ribatejo, Vila Nova da Barquinha, mas com raízes e ligações beirãs, adora a escrita e o jornalismo.

Entre na conversa

3 Comments

  1. Estratégia realista. Votos de sucesso para uma iniciativa com pensamento crítico e visão colaborativa ajustadas a uma missão de serviço público e incentivo à relação entre Poder Local e Inovação empresarial também nas dimensões da promoção e venda de produtos turísticos distintivos e perenes, porque endógenos. Abraço

  2. Então e o município da Batalha não seria bom convidar para o grupo?
    Sem motivo algum em especial mas penso que poderia ser uma mais valia, talvez.

  3. Muitos “pirilampo” podem iluminar e aumentar atratividade, numa zona ou região mais vasta.

Deixe um comentário

Leave a Reply