Primeiro presidente socialista de Mação quer “transformar sem apagar o passado”. O orçamento foi aprovado com o voto contra do PSD. Foto: CMM

O PS venceu as eleições com 51,01% dos votos, elegendo três vereadores, enquanto o PSD, força política que sempre governou Mação desde a instauração do poder local democrático, obteve 34,09% e dois mandatos. O socialista Nuno Neto foi eleito presidente da Assembleia Municipal, após votação que confirmou a maioria do PS neste órgão.

Em declarações ao mediotejo.net, o novo presidente da Câmara de Mação, José Fernando Martins, destacou o significado histórico da vitória do PS, afirmando que se inicia “um novo ciclo político em Mação, porque houve um partido que nos últimos 50 anos venceu sempre as eleições e em 2025 houve um outro partido, que foi o Partido Socialista, comigo a encabeçar a lista, que ganhou pela primeira vez a Câmara Municipal de Mação”.

Segundo o socialista, a confiança dos eleitores no projeto apresentado pelo PS representa uma “vitória convincente” e marca o início de um compromisso diário com a gestão do concelho.

José Fernando Martins reconheceu os desafios que a gestão herdada impõe, lembrando que haverá “dois orçamentos, dois planos de atividades” a cumprir, mas manteve otimismo quanto à capacidade do novo executivo de implementar o seu programa. “Com algum tempo, com alguma paciência, iremos implementar com certeza o nosso programa e aí criar grandes alegrias aos maçaenses”, declarou.

Primeiro presidente socialista de Mação quer “transformar sem apagar o passado”. Foto: mediotejo.net

ÁUDIO | JOSÉ FERNANDO MARTINS (PS), PRESIDENTE ELEITO CM MAÇÃO:

O presidente eleito apelou à esperança e à confiança da população, pedindo compreensão face ao ritmo de implementação das medidas e sublinhando a importância de uma abordagem equilibrada e responsável na gestão do concelho “de forma a irmos ao encontro daquilo que são as reais necessidades das pessoas e aquilo que elas sufragaram nas urnas”.

O cabeça de lista do PSD, José António Almeida, assumiu ao mediotejo.net que a derrota para a Câmara de Mação se deveu tanto à dinâmica da democracia como a fatores concretos durante o último mandato, incluindo a saída do anterior presidente “a meio, parte final do mandato”, e processos de gestão da floresta das AIGP’s que considera “fraturantes”. Apesar disso, destacou que o PSD obteve bons resultados nas freguesias, duplicando o número conquistado para quatro em seis, aproximando-se da vitória na Ortiga.

Sobre a postura futura da oposição, José António Almeida garantiu que o PSD terá uma atuação “construtiva, de oposição firme”, comprometendo-se a apoiar todas as iniciativas e obras que promovam o interesse do concelho, mas mantendo oposição em caso de medidas contrárias ao entendimento do partido.

PSD assegura que terá uma atuação “construtiva, de oposição firme”, Foto: mediotejo.net

ÁUDIO | JOSÉ ANTÓNIO ALMEIDA, CANDIDATO PSD DE MAÇÃO:

O social-democrata deixou ainda uma mensagem de confiança aos maçaenses, reforçando que a oposição estará sempre disponível para colaborar em projetos positivos e defender os interesses da população. “Podem estar perfeitamente tranquilos porque têm do lado do PSD, do lado do António Almeida e da Margarida Lopes, uma oposição construtiva, mas simultaneamente exigente e reivindicativa daquilo que são os interesses de Mação”, concluiu.

Primeiro presidente socialista de Mação quer “transformar sem apagar o passado”. Foto: CMM

A eleição para a Assembleia Municipal de Mação confirmou a vitória do PS, que passa a ser presidida por Nuno Neto, representando a lista mais votada. O órgão ficou dividido com 10 eleitos do PS e 10 do PSD, enquanto o deputado único do movimento independente, Domingos Alves, poderia desempatar eventuais votações entre listas.

Na sessão, no entanto, foi apresentada uma única lista do PS para a mesa da Assembleia, composta por Nuno Neto (presidente) e Ana Teresa e Gustavo Gaspar (secretários), que contou com 12 votos favoráveis e oito em branco. O deputado eleito pelo PSD, Duarte Marques, não tomou posse neste dia, ficando para a primeira reunião futura do órgão.

A cerimónia contou ainda com intervenções de despedida do presidente cessante, José Saldanha Rocha (PSD), e da presidente da Câmara cessante, Margarida Lopes (PSD), tendo usado ainda da palavra antes do discurso de José Frenado Martins, o novo presidente da Assembleia Municipal, Nuno Neto, e Cláudia Cordeiro, pela parte dos socialistas, que destacou que Mação deu sinal de querer uma renovação.

Primeiro presidente socialista de Mação quer “transformar sem apagar o passado”. Foto: CMM

Na sua intervenção, o novo presidente da Câmara Municipal, José Fernando Martins, classificou o momento como “de enorme significado pessoal e coletivo”, sublinhando que o objetivo do novo executivo é “servir o concelho de Mação e as suas gentes, honrando o passado e construindo um futuro cada vez melhor”.

O novo autarca destacou que a vitória do PS “não é um ponto de chegada, mas um ponto de partida”, acrescentando:

“O povo escolheu, o povo decidiu, e maioritariamente confiou no projeto que o Partido Socialista apresentou. Essa confiança é o início de um compromisso diário, com vista ao desenvolvimento do concelho.”

No discurso de tomada de posse, estruturado em três momentos — agradecimentos, propostas e desafios —, José Fernando Martins definiu os quatro pilares do novo ciclo autárquico: “proximidade, saber fazer, valorizar as pessoas e valorizar o território.”

“Queremos uma Câmara aberta, presente, colaborante e agregadora, que ouve e age lado a lado com os cidadãos. Governar exige competência, rigor e capacidade de concretizar, com seriedade e visão.”

Entre as prioridades enunciadas, o autarca destacou a modernização dos serviços municipais, o investimento na sustentabilidade ambiental, o apoio ao tecido empresarial e a criação de uma Unidade de Cuidados Continuados em parceria com as IPSS locais.

O discurso incluiu ainda referências concretas às freguesias do concelho, com compromissos específicos, como a requalificação urbana de Mação, a criação de espaços multiusos em Ortiga e Mação, e a ampliação da zona industrial.

José Fernando Martins reconheceu “os desafios herdados” e a necessidade de “gerir com prudência e rigor”, uma vez que o novo executivo “terá de cumprir dois orçamentos e dois planos de atividades”.

“Não será possível fazer tudo ao mesmo tempo. Mas faremos o que acharmos justo, e o que julgarmos ser o melhor para o nosso concelho”, afirmou.

O presidente socialista apelou ainda à união e à cooperação entre todas as forças políticas, deixando um convite direto aos vereadores da oposição:

“Podemos ter ideias diferentes, mas partilhamos a mesma missão: servir Mação. Que este mandato seja um exemplo de diálogo democrático e de cooperação institucional.”

A sessão de tomada de posse contou com a presença dos novos vereadores — Pedro Fernandes e Vanda Serra (PS), e José António Almeida e Margarida Lopes (PSD) —, além dos presidentes das seis juntas de freguesia e dos eleitos para a Assembleia Municipal.

José Fernando Martins encerrou o discurso com uma mensagem de confiança:

“Hoje começa um novo tempo para o nosso concelho — um tempo de mudança, de esperança e de confiança. Com todos, para todos e por Mação, a saber fazer.”

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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2 Comments

  1. Felicito o novo Presidente da Câmara Municipal de Mação, Dr. José Fernando Martins, pela tomada de posse e desejo-lhe o maior sucesso nesta espinhosa missão.
    Quem o conhece sabe da sua dedicação e capacidade de trabalho, demonstradas ao longo de vários mandatos no Centro de Dia da Aboboreira e na União de Freguesias de Mação, Penhascoso e Aboboreira. Que mantenha o mesmo dinamismo e espírito de serviço — agora à escala de todo o concelho.
    Como o próprio afirmou, as aldeias também são Mação — e é importante que essa sensibilidade se traduza em ação. Há problemas que o novo executivo pode resolver, mas há outros que exigem intervenção de entidades externas e que não podem continuar a ser ignorados:
    O açude de Abrantes — transformou o Tejo num obstáculo em vez de uma via viva. É indispensável adaptar a estrutura para permitir a passagem da lampreia e do sável, conciliando o lazer com a preservação da biodiversidade e a sobrevivência económica dos pescadores da Ortiga.
    A barca da Amieira, em seco desde 1979, mantém interrompida a EN359 e continua a separar o que o rio deveria unir. Uma vergonha persistente que impede o contacto entre margens e a mobilidade de quem vive e trabalha em ambos os lados do Tejo.
    Na estação ferroviária da Barca d’Amieira — as retretes foram arrancadas pela raiz e o acesso dos passageiros com mobilidade reduzida continua impossível. O Decreto-Lei 163/2006, que dava um prazo de 10 anos para a eliminação das barreiras arquitetónicas continua por cumprir.
    São temas que extravasam a esfera camarária, mas em que a voz de Mação tem de se fazer ouvir.
    Desejo, sinceramente, que este novo ciclo político seja de diálogo e de coragem — porque há causas que, sendo antigas, continuam à espera de quem as abrace com determinação.

  2. Felicito o novo Presidente da Câmara Municipal de Mação, Dr. José Fernando Martins, pela tomada de posse e desejo-lhe o maior sucesso na espinhosa missão.
    Quem o conhece sabe da sua dedicação e capacidade de trabalho, demonstradas ao longo de vários mandatos no Centro de Dia da Aboboreira e na União de Freguesias de Mação, Penhascoso e Aboboreira. Que mantenha o mesmo dinamismo e espírito de serviço — agora à escala de todo o concelho.
    Como o próprio afirmou, as aldeias também são Mação — e é importante que essa sensibilidade se traduza em acção. Há problemas que o novo executivo pode resolver, mas há outros que exigem intervenção de entidades externas e que não podem continuar a ser ignorados:
    O açude de Abrantes — transformou o Tejo num obstáculo em vez de uma via viva. É indispensável adaptar a estrutura para permitir a passagem da lampreia e do sável, conciliando o lazer com a preservação da biodiversidade e a sobrevivência económica dos pescadores da Ortiga.
    A barca da Amieira, em seco desde 1979, mantém interrompida a EN359 e continua a separar o que o rio deveria unir. Uma vergonha persistente que impede o contacto entre margens e a mobilidade de quem vive e trabalha em ambos os lados do Tejo.
    Na estação ferroviária da Barca d’Amieira — as retretes foram arrancadas pela raiz e o acesso dos passageiros com mobilidade reduzida continua impossível. O Decreto-Lei 163/2006, que previa um prazo de 10 anos para eliminação das barreiras arquitetónicas continua por cumprir.
    São temas que extravasam a esfera camarária, mas em que a voz de Mação tem de se fazer ouvir.
    Desejo, sinceramente, que este novo ciclo político seja de diálogo e de coragem — porque há causas que, sendo antigas, continuam à espera de quem as abrace com determinação.

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