Primeira parte eletrizante entre Carvalhal e Carvoeiro leva "Lobos" à final da Liga Reconhecimento. Foto: mediotejo.net

ACDR “OS LOBOS” DE CARVALHAL 4 – GDR DE CARVOEIRO 2

Taça Fundação Inatel Santarém 21/22 – meia-final, série 2

Campo de Jogos de Carvalhal (Abrantes) – 22-05-2022

Após uma manhã de domingo algo cinzenta e com alguma chuva, a tarde apareceu clara e até o sol se associou à festa que prometia ser “rija” em Carvalhal, qualquer que fosse o desfecho final da partida, uma vez que se iria fazer história, quer para os locais como para os forasteiros. Uma final inédita estava à distância de 80 minutos de jogo, feito que nenhum dos emblemas já alguma vez conseguira na sua existência, assim como chegar às meias finais desta série 2, denominada de Liga Reconhecimento. A história já se escrevia no pelado dos Lobos de Carvalhal e a festa dos adeptos foi uma constante.

Equipas perfiladas

E não bastou muito após o apito inicial de Norberto Santos, para se perceber que teríamos pela frente um encontro pleno de emoções com os sentimentos a fervilharem à flor da pele, quer fora, quer dentro do retângulo de jogo, com incentivos dos adeptos e entrega por parte dos jogadores, nem sempre com a melhor clarividência e com muito nervosismo à mistura.

Bastaram nove minutos para a equipa da casa se adiantar no marcador por intermédio do “irreverente” Daniel Alves. O capitão de equipa aproveitou um atraso mal medido para o guardião do Carvoeiro e, antecipando-se aos defesas, fez abanar as redes pela primeira vez na partida. Na fase final do lance há um choque (parece inevitável) entre o marcador do golo e um defesa, que gerou bastantes protestos por parte de “Os Escaravelhos” do Carvoeiro. O árbitro nada assinalou e o placard mexia pela primeira vez.

Carvalhal e Carvoeiro disputaram o acesso à final da Liga Reconhecimento

O empate não demorou a aparecer. Num lance de puro contra ataque, Henrique Alves cai na área de forma aparatosa e, de pronto, o juíz da partida assinalou grande penalidade, convertida com sucesso por Maykon Barbosa. Um quarto de hora de jogo e as contas voltavam, justamente, a estar empatadas.

A formação de “Os Lobos” não se mostrou nada amedrontada com o empate e, num ápice regressou à condição de vencedor, à passagem dos 20 minutos, desta vez por Marco Lino. O golo nasce na marcação de um livre por intermédio de David Louro para o miolo da área do Carvoeiro com Lino a cabecear para a baliza. A bola ainda embateu no travessão da baliza à guarda de Leonardo Silva e, na sua fase descendente, cai já para lá da linha de golo com o auxiliar Rui Guedes a confirmar o 2-1 para os locais.

Sem grandes primores técnicos, a primeira parte foi eletrizante e com muitos golos para os dois lados

Estava à vista que a primeira parte iria ser eletrizante, com jogadas de perigo junto de ambas as balizas, muito por culpa dos desacertos defensivos dos dois conjuntos. De facto, foram precisos apenas três minutos para o Carvoeiro restabelecer (novamente) a igualdade. Muito oportuno a aparecer na área, o capitão de equipa Ricardo Alves desvia para o fundo das redes de Alexandre Jorge, fazendo assim o 2-2.

E a saga não parou por aqui, uma vez que ainda se celebrava a igualdade e o Carvalhal alcançava o seu terceiro golo, dois minutos volvidos. Desta vez foi Fábio Catarino a aproveitar novo desentendimento defensivo do Carvoeiro com guarda redes e defesas a não serem comunicativos entre si, como lhes era pedido do banco por parte do técnico Alexandre Marques, que pedia concentração aos seus jogadores.

As equipas de Carvalhal (Abrantes) e do Carvoeiro (Mação) têm desempenhado uma época de sucesso. Só uma poderia vencer o jogo.

Mas o conjunto que viajou do concelho de Mação estava irreconhecível e não se encontrava, aproveitando “Os Lobos” de Carvalhal para ampliar a vantagem, à passagem do minuto 33, novamente por Daniel Alves, desta vez com um pontapé forte e colocado, à entrada da área após muitas cerimónias da defesa em afastar o esférico da zona de perigo. Estava feito o 4-2.

Seis golos registados entre os minutos 9 e 33 (num intervalo de 24 minutos, portanto) numa partida louca de futebol no Carvalhal. Afinal de contas, tratava-se de uma meia final em que só a vitória daria acesso ao “bilhete” da final que ambos os emblemas procuravam para fazer história. Até ao final da primeira parte, as jogadas de ataque e contra-ataque sucediam-se mas, digno de registo, apenas um lance aos 40 minutos, em que Miguel Costa com um cabeceamento venenoso, lançou perigo junto à baliza de Alexande Jorge, com a bola a passar muito perto do seu poste direito, mas do lado de fora. De registo, também, a substituição forçada do Carvoeiro para a saída do lesionado Ricardo Alves. O capitão saiu com bastantes dores no seu pé direito e foi substituído por João Siva que passou a capitanear a equipa.

Jogo muito disputado no pelado do campo do Carvalhal, com o Carvoeiro a lutar muito, apesar de sofrer quatro golos na primeira parte

Chegado o intervalo, o técnico da “Armada Negra” Alexandre Marques dirigiu-se ao árbitro da partida, contestando um lance em que reclamou grande penalidade a seu favor tendo tido de imediato levado ordem de expulsão (talvez de forma exagerada por parte do juiz Norberto Santos) e relegado para a bancada para junto do adeptos do Carvoeiro.

O treinador do Carvoeiro contestou as decisões do árbitro ao intervalo e viu a segunda parte da bancada

A segunda metade deste jogo “louco” iniciou-se com a formação forasteira à procura de outro resultado e com os locais mais cautelosos, tentando segurar a vantagem de dois tentos, conquistada na primeira parte. Também as defesas pareciam regressar com outra objetividade e maior acerto. Isso refletiu-se no jogo jogado, menos efervescente, mais pausado, e também com menos ocasiões de golo.

Ainda assim, e como lhe competia, pertenceram ao Carvoeiro as jogadas de maior perigo junto do último reduto de “Os Lobos”. Contudo, o primeiro sinal de perigo e em contra golpe é dado pela formação da casa aos 8 minutos após o reatamento da partida. Novamente Daniel Alves a tentar desfeitear o guarda-redes Leonardo Silva mas, de cabeça e em modo “SOS”, Filipe Rocha apareceu a aliviar para canto.

Excelente atitude das duas equipas e entrega dos jogadores ao longo num desafio emotivo e que rendeu seis golos

Após este lance, o Carvoeiro foi subindo as suas linhas procurando empurrar o adversário para zonas mais recuadas por forma a pressionar mais alto, abrindo as suas hipóteses de êxito. Aos 12 minutos da etapa complementar, Fábio Vicente dispôs de um livre direto, mas o esférico saiu muito por cima da baliza do Carvalhal. Também Sérgio Penela tentou a sua sorte aos 16 minutos, igualmente sem sucesso.

Era outro jogo o que assistíamos por esta altura. Mais Carvoeiro (também por força de algum consentimento de “Os Lobos” pois o marcador e o passar dos minutos, jogavam a seu favor), mas pouco esclarecimento na hora “h”. A partir do minuto 20, esse domínio ia-se intensificando e o perigo rondava mais vezes a baliza do Carvalhal com Alexandre Jorge a ser chamado a se aplicar com maior frequência. Primeiro, aos 22 minutos a responder com boa defesa a remate potente de Rodrigo Ribeiro e, um minuto depois, para um dos momentos decisivos da partida.

Muita luta pela conquista da bola em zona nevrálgica do terreno

A castigar uma falta dentro da área, Norberto Santos aponta para a marca de grande penalidade. O Carvoeiro tinha a sua chance de encurtar distância no marcador e entrar novamente na discussão da partida, ainda com cerca de vinte minutos para jogar. Contudo, chamado à conversão, Rodrigo Ribeiro rematou em jeito para o lado esquerdo de Alexandre Jorge, com este a conseguir chegar à bola, defendendo-a para canto. Os comandados de Alexandre Marques desperdiçavam uma excelente oportunidade para reduzir a desvantagem.

E foi o “canto do cisne” uma vez que até final do jogo a equipa desacreditou e não mais foi possível reentrar na partida. Daí até final pouco tempo houve de futebol jogado, com imensas paragens para substituições e assistências a jogadores magoados. Também os oito minutos de compensação dados pela equipa de arbitragem nada vieram trazer de novo e “Os Lobos” de Carvalhal carimbaram desta forma a passagem à sua primeira final da Série 2 – Liga Reconhecimento da Liga Inatel nos seus 15 anos de vida, completados há uma semana.

Após o apito final de Norberto Santos (trabalho muito contestado pela equipa e adeptos do Carvoeiro, principalmente na primeira parte onde, de facto, parece existir um lance passível de grande penalidade não assinalado) a festa fez-se em tons laranja e durou até às tantas com jogadores, técnicos, dirigentes e adeptos a celebrarem o feito histórico. O Carvalhal vai disputar a final da Série 2/Liga Reconhecimento no domingo, às 11h00, no Campo Cuf, em Alferrarede, frente ao Valecavalense (Vale de Cavalos/Chamusca)

Ficha de jogo:

ACDR “OS LOBOS” DE CARVALHAL:

Equipa do Carvalhal

Alexandre Jorge, Fábio Catarino, Flávio Trindade, Henrique Alves, Bruno Ramos, David Louro, Marco Lino, André Jorge, Rodrigo Luís, Daniel Alves (cap.) e Cristiano Coutinho.

Suplentes: Rodrigo Santos, Ricardo Antunes, Bacalhau, Guilherme Lopes, Hélder Alves, Daniel Aparício e César Santos.

Treinador: Rui Ribeiro.

GDR DE CARVOEIRO

Equipa do Carvoeiro

Leonardo Silva, Filipe Rocha, Miguel Costa, Fábio Vicente, João Filipe, Bruno Antunes, Ricardo Alves (cap.), Rodrigo Ribeiro, Maykon Barbosa, Jorge Mansinho e Sérgio Penela.

Suplentes: Tiago Pereira, David Dias, Ricardo Dias, Bruno Martins, João Silva e Francisco Fonseca.

Treinador: Alexandre Marques.

GOLOS: Daniel Alves [2], Marco Lino e Fábio Catarino (Carvalhal); Maykon Barbosa (gp) e Ricardo Alves.

EQUIPA DE ARBITRAGEM:

Norberto Santos, Celestino Dias e Rui Guedes.

Equipa de arbitragem e capitães das duas equipas

No final, como habitualmente, ouvimos os técnicos de ambas as equipas:

Rui Ribeiro, treinador do Carvalhal. Foto: mediotejo.net

ÁUDIO | RUI RIBEIRO, TREINADOR DOS LOBOS DO CARVALHAL:

Alexandre Marques, treinador do Carvoeiro. Foto arquivo: mediotejo.net

ÁUDIO | ALEXANDRE MARQUES, TREINADOR DO CARVOEIRO:

José Belém

A grande “culpada” é uma velhinha máquina de escrever Royal esquecida lá por casa e que me “infectou” para uma vida que se revelou mais tarde não fazer sentido sem o jornalismo. O primeiro boletim da paróquia e o primeiro jornal da pequena aldeia onde frequentava a escola (tinha apenas 7 anos de idade) entranharam-me a alma (e o sangue) deste “vício” de escrever e comunicar. Seguiram-se os pequenos jornais de turma, os das escolas, os painéis informativos colocados nas paredes dos átrios e o dos escuteiros... e nunca mais o “vício” sarou. Ao longo da vida, foram vários e diversificados os ofícios exercidos profissionalmente, mas o “mar dos desejos” desaguava sempre numa folha de papel ou (mais tarde) num portátil de computador (e sempre com a máquina fotográfica como companhia). Já mais "a sério” e desde jornais regionais, rádios locais, periódicos nacionais e televisão (TVI), já são mais de 45 anos de um percurso “académico” de alguém que pouco se importa de não possuir um “canudo”.

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