Ricardo Aires era o candidato nº 2 do PSD-CDS pelo distrito de Castelo Branco e foi eleito deputado. Foto arquivo: mediotejo.net

O presidente da Câmara de Vila de Rei, eleito na lista da AD às eleições legislativas de domingo pelo círculo eleitoral de Castelo Branco, retomou hoje o mandato que tinha suspendido em 09 de abril. Ricardo Aires disse hoje que fica agora a aguardar por “novas notícias” e pela chamada para o Parlamento. “Após os 40 dias de suspensão do meu mandato, já estou novamente na Câmara Municipal. Fico agora a aguardar a chamada para o Parlamento”, disse. As funções de presidente da Câmara de Vila de Rei foram, neste período de suspensão, asseguradas pelo vice-presidente, Paulo César Luís, que agora regressa a esse cargo.

“É um orgulho representar este povo do distrito de Castelo Branco na Assembleia da República, tenho aqui uma grande responsabilidade e espero não desiludir ninguém”, começou por dizer Ricardo Aires ao nosso jornal.

Ricardo Aires já integrou, em 2024, a lista do PSD do círculo eleitoral do distrito de Castelo Branco, que elege quatro deputados para a Assembleia da República, na época em terceiro lugar, não tendo sido eleito. Nestas eleições foi diferente.

Autarca há 20 anos, o ainda presidente da Câmara de Vila de Rei disse que, para o Parlamento, irá levar “a experiência desta vida de serviço público. Penso que nas autarquias fazemos muito melhor, é um trabalho menos burocrático, como acontece ainda na Assembleia da República, uma máquina pesada”. Por isso espera que, em conjunto com outros deputados, “sejamos capazes de conseguir esse trabalho, modificar algumas situações que estão menos bem. Vai ser uma experiência nova, uma vida nova”. Falando em “ciclos” Ricardo Aires está convicto que se irá adaptar à capital após décadas a viver na ruralidade.

Ao todo, doze presidentes de câmaras municipais estavam a concorrer às eleições legislativas antecipadas, 10 deles no último mandato e impedidos de se recandidatar nas próximas eleições autárquicas.

Pela coligação AD – PSD/CDS além de Ricardo Aires de Vila de Rei (Castelo Branco), foram eleitos os autarcas de Boticas (Vila Real), Fernando Queiroga, e de Arcos de Valdevez (Viana do Castelo), João Manuel Esteves.

Ricardo Aires salientou que o seu vice-presidente e candidato às autárquicas vai assumir a presidência do município de Vila de Rei até ao final do mandato, logo que o parlamento inicie funções.

Para já, Ricardo Aires mantém-se no seu cargo de presidente, na Câmara Municipal, e apenas abandonará o cargo quando for chamado para tomar posse da sua função de deputado na bancada da AD. Quando irá “passar a pasta” ao vice-presidente, Paulo César Luís, ainda desconhece a data.

De sublinhar a elevada participação dos eleitores vilarregenses, com uma taxa de abstenção de 26,13%, a segunda mais baixa do país. Este dado reflete, segundo o autarca, um forte sentido cívico da população do Concelho, que voltou a demonstrar um compromisso ativo com os processos democráticos.

Relativamente ao facto de Vila de Rei ser o segundo concelho do País onde a abstenção é menor, só superado por Sardoal, Ricardo Aires diz ser com regozijo que vê, enquanto autarca, essa realidade.

“Quer dizer que as pessoas do concelho de Vila de Rei não deixam que alguém vote por elas, são pessoas cívicas. Continuando assim o concelho só melhora, com reivindicações, ou seja, criticas construtivas, porque o nosso povo sabe aquilo que quer e tenho a certeza absoluta que irá melhorar muito mais. Porque um povo que sabe exercer o seu direito cívico é um povo inteligente e responsável”, considera.

Ricardo Jorge Martins Aires, 53 anos, nasceu em Coimbra a 10 de abril de 1972, tendo concluído a licenciatura de Professor Profissional do Ensino Básico na vertente de Educação Física. Ingressou no quadro da Câmara Municipal de Vila de Rei em 2000, tendo passado a viver no concelho a partir de 2001. Em 2002 torna-se adjunto da presidente da Câmara Municipal de Vila de Rei e, um ano mais tarde, assumiu funções enquanto vice-presidente da autarquia. Em 2013, com a saída de Irene Barata, concorreu e venceu as eleições autárquicas, sendo eleito presidente da Câmara, cargo que desempenha até hoje.

“Gosto do poder autárquico” mas “espero não desiludir as pessoas que votaram em nós. É uma nova realidade, uma nova etapa mas estamos cá para fazer as coisas que temos de fazer; cada vez melhorar mais a qualidade de vida de todas as pessoas do nosso País”, conclui o ainda presidente.

Ricardo Aires, presidente da Câmara Municipal de Vila de Rei, foi eleito deputado por Casrelo Branco. Créditos: CMVR

ÁUDIO | RICARDO AIRES, PRESIDENTE CM VILA DE REI, ELEITO DEPUTADO:

ÁUDIO | PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DE VILA DE REI

AD vence em sete de 11 concelhos de Castelo Branco 

A AD – Coligação PSD/CDS venceu as eleições legislativas com 86 deputados, enquanto PS e Chega empatam no número de eleitos para o parlamento, 58, quando estão apurados todos os votos nos círculos nacionais.

A AD somou 32,10% dos votos, enquanto os socialistas obtiveram 23,38% e o Chega 22,56%, registando-se uma diferença de 48.916 votos entre estes dois partidos. Segundo os resultados provisórios da Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna, após o apuramento das 120 freguesias do círculo eleitoral de Castelo Branco, a AD obteve 32,30% (33.616 votos), o PS 28,59% (29.751) e o Chega 23,36% (24.313).

O PS que tem dominado o círculo eleitoral de Castelo Branco, onde conseguiu eleger três deputados nas legislativas de 2019 e 2022, perdeu hoje outro deputado e o Chega manteve o eleito que tinha conseguido em 2024.

A AD voltou a eleger dois deputados o que já não acontecia desde as legislativas de 2015. Assim, o antigo ministro Pedro Reis e o presidente da Câmara de Vila de Rei, Ricardo Aires, são os eleitos pela coligação.

O PS elegeu Nuno Fazenda e o Chega, o empresário João Dias Ribeiro.

A Iniciativa Liberal (IL) foi a quarta força política mais votada no distrito de Castelo Branco, com 3,02% e 3.140 votos, seguindo-se o Livre (2,55% e 2.652 votos), a CDU (2,14% e 2.227 votos), o ADN (1,80% e 1.872 votos) e o Bloco de Esquerda (BE) (1,65% e 1.715 votos).

A IL passou a ser a quarta força política no círculo eleitoral de Castelo Branco, posição que era ocupada pelo BE que nestas legislativas passou a ser a oitava força distrital, perdendo mais de 2.700 votos face a 2024.

Ainda segundo os dados disponibilizados, nestas legislativas estavam inscritos pelo círculo de Castelo Branco 162.574 eleitores que tiveram à sua escolha 14 forças partidárias.

Votaram 64,02% (66,19% em 2024)e a abstenção foi de 35,98% ( 33.81% em 2024).

Por concelhos, a AD ganhou em Castelo Branco, Penamacor, Fundão, Oleiros, Proença-a-Nova, Sertã e Vila de Rei.

O PS venceu na Covilhã, Belmonte, Idanha-a-Nova e Vila Velha de Ródão.

Os eleitores do distrito de Castelo Branco tinham vindo a manifestar uma preferência pelo PS nas eleições legislativas.

Contudo, essa tendência perdeu-se com a vitória da AD em sete dos 11 concelhos do distrito de Castelo Branco, invertendo precisamente o resultado alcançado pelo PS em 2024.

O distrito registou um decréscimo de mais de 18 mil habitantes, com os 11 concelhos a perderem população na última década, segundo os resultados dos Censos 2021.

C/Lusa

A sua formação é jurídica e a sua paixão é História mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 à cidade natal; Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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