Aproxima-se o habitual período de férias. E, as coisas, todas elas, já não são como eram. A pandemia mexeu com as nossas vidas. Para uns mais do que para outros. É preciso dizer que o tal vírus “democrático” não atinge todos da mesma forma. Como em quase tudo na vida a condição de classe, a situação face ao emprego, os rendimentos, onde se mora, a família que se tem, determinam um impacto diferenciado, neste caso, do vírus.
Um número grande de mais de portugueses e portuguesas está a sofrer as consequências desta pandemia de uma forma muito agressiva e sem grande esperança no futuro. Falo dos que perderam o emprego, dos que pensam que não vão conseguir manter a casa, dos que estão em lay-off e só encontram a porta do desemprego. Muitos perderam familiares e amigos. Entristeceram. Outros/as sentem-se sozinhos. Entristecem. Outros/as ainda preocupam-se com os filhos e filhas e entristecem.
A tristeza vai tomando conta de nós e o sentimento do “tempo estranho” que não sabemos bem definir instala-se e cria raízes.
Ignorar as consequências da pandemia nas pessoas será um erro que pagaremos caro. Em todas as pessoas – nos idosos e idosas, nos adultos/as e nos jovens e crianças.
É neste contexto, em que o desconfinamento é contraditório – ou não o fazemos ou fazemos em excesso, em que encontrar o equilíbrio para viver com o vírus é tarefa complicada, que já se assume a inevitabilidade de uma segunda vaga, em conjunto com a gripe e nos dizem que temos que nos preparar.
Ora bem, preparemo-nos então. E se é verdade que cada um e cada uma tem um papel, não é menos verdade que se o estado central e local não criar as condições essa preparação vai ser feita de forma muito diferenciada e mesmo discriminatória. É evidente que não estamos todos e todas nas mesmas condições.
Há duas áreas que não podem esperar e devem desde já merecer a atenção de quem governa a nível nacional e local – as instituições que acolhem idosos/as e as escolas que vão iniciar o novo ano lectivo já em Setembro.
Com preparação, auscultando as opiniões, participação e responsabilidade nas políticas públicas será possível responder à pandemia e não deixar ninguém para trás.
