Maria Lamas nasceu em Torres Novas e foi uma das mulheres mais marcantes do séc. XX em Portugal. Créditos: DR

O Prémio Maria Lamas para Estudos sobre a Mulher, Género e Igualdade 2026 foi atribuído, por unanimidade, a dois trabalhos de investigação que abordam diferentes dimensões da condição feminina em Portugal, desde o direito à habitação no pós-25 de Abril até à realidade das prisões femininas.

A distinção foi concedida ex aequo ao estudo “As Mulheres no Processo SAAL (1974-1976). Arquitetas, Técnicas e Moradoras pelo Direito à Habitação”, da autoria de Lia Pereira Saraiva Gil Antunes, e a “Configurações de Género nas Prisões Femininas: Permanências, Continuidades e Variações”, de Vera Inês Costa da Silva.

Na fundamentação da decisão, o júri destacou o contributo do primeiro trabalho para preservar a memória das políticas públicas de habitação implementadas no período pós-revolucionário, valorizando o papel desempenhado por arquitetas, técnicas e moradoras no âmbito do Serviço Ambulatório de Apoio Local (SAAL).

Já o segundo estudo foi reconhecido pela sua relevância para a atualização do conhecimento sobre a realidade das prisões femininas em Portugal, recorrendo a investigação etnográfica para analisar permanências, mudanças e dinâmicas de género no contexto prisional.

A edição de 2026 registou um elevado número de candidaturas, tendo o júri sublinhado “a quantidade e excelente qualidade de todos os trabalhos admitidos a concurso”, evidenciando a crescente produção científica nesta área.

O júri foi constituído por Miguel Vale de Almeida, do ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, Anália Torres, do ISCSP – Universidade de Lisboa, e Inês Paulo Brasão, docente do Instituto Politécnico de Leiria e da Universidade Aberta, vencedora da primeira edição do Prémio Maria Lamas.

Com um valor pecuniário de 3000 euros, o prémio Maria Lamas para estudos sobre a mulher, género e igualdade, tem periodicidade bienal e é promovido pelo município de Torres Novas. Evoca a figura de Maria Lamas, perpetuando o seu testemunho de lutadora pelos direitos das mulheres portuguesas.

Pretende ainda “contribuir para o desenvolvimento do conhecimento numa perspetiva de transversalidade e pluralidade e reconhecer estudos académicos e científicos realizados em Portugal, produzidos por autores portugueses ou estrangeiros”.

Mestre em Jornalismo e apaixonada pela escrita e pelas letras. Cedo descobriu no Jornalismo a sua grande paixão.

Deixe um comentário

Leave a Reply