Nos países em que já estive e trabalhei, uma das coisas que reparei foi que a imagem de marca de uma empresa portuguesa que desenvolve trabalho de campo é a Pick Up, por norma branca. Parece anedótico mas não é, pois trata-se da prática aliada à simplicidade.

A outra coisa que reparei é que todos os nativos desses países têm os portugueses como excelentes profissionais. Tanto em países desenvolvidos como em países subdesenvolvidos, inicialmente há uma certa desconfiança, mas depois o Português apresenta o trabalho feito em tempo e em qualidade, os resultados são palpáveis e concretos, não é preciso muito tempo para que estes “dêem a mão à palmatória”.

Depressa estas pessoas, ao lidarem com portugueses, sentem curiosidade em conhecer a nossa cultura. Algumas viajam mesmo para Portugal para passar umas férias e satisfazer essa curiosidade. Ao contrário do que a nossa comunicação social dá a entender, o feedback é que estes esperavam melhor. Obviamente que se pode argumentar que estou a ser tendencioso porque são mostradas entrevistas onde turistas falam maravilhosamente do país e da gastronomia, e eu respondo que quando vou para um determinado país não vou para lá frisar o que encontro de menos positivo, quanto mais, se estiver a ser confrontado em público.

Voltando aos Portugueses a trabalhar no estrangeiro, o que fará com sejamos tão conceituados no mundo do trabalho, será a nossa inteligência, conhecimento ou tecnologia? Será a nossa disciplina, organização ou foco? Será a nossa resistência e capacidade de resistir a todo o tipo de intempéries? Nos países em que estive reconheço que os povos nativos têm estas capacidades mais desenvolvidas que nós, obviamente que cada povo com a sua.

Esta questão faz-me lembrar uma questão abordada num filme do Tim Burton que pergunta “Porque é que o maior peixe do rio é o maior peixe do rio?”, a resposta é “O maior peixe do rio não é o maior peixe do rio porque é o mais forte ou porque é o mais rápido, o maior peixe do rio é o maior peixe do rio porque nunca se deixou apanhar”. O que quero dizer com isto é que, o que o Português consegue ter e que outro não tem é a capacidade de improviso quando está sob pressão em que apresenta o trabalho bem feito em tempo recorde. Comparando com outro povo, para estes apresentarem o trabalho com a mesma qualidade, das duas uma, ou tiveram muito mais tempo de preparação ou vai precisar de muito mais tempo para o realizar.

Estas capacidades estão a ser reconhecidas em diversos países desenvolvidos e a conversa dos responsáveis de diversas instituições desses países para os portugueses não é a de se irem embora, mas sim o de ficarem de vez.

Por isso questiono se quando um político pede para emigrarmos a troco de dinheiro rápido e fácil para resolver os problemas do país por eles próprios criados, não é na prática fazer com que a nossa nação mande um tremendo tiro no pé? O certo é que maior parte daqueles que conheço com digna voz de comando, aqueles que criam ou vão atrás do dinheiro em vez de ficar à espera, não estão em Portugal.


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Engenheiro Civil, de 32 anos, teve como tantos outros, de sair do país para conseguir exercer a sua profissão. Com raízes em Alvega, tem enorme gosto em conhecer novos sítios e novas culturas, custa-lhe é lá permanecer.

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