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Já li, por diversas ocasiões, em comentários de indignação e revolta, daqueles que surgem perante algum acontecimento controverso que repetidamente ocorrem, que “Portugal é um país de 3º mundo”. Esta expressão diz muito acerca de um sentimento geral de falta de esperança relativamente ao rumo que o nosso país leva. Após ter vivido e trabalhado em cinco países diferentes, ter observado as diferenças culturais e sociais, concluo que Portugal é efectivamente um país de 2º Mundo.

Fundamento esta classificação com base em dois indicadores base: o tratamento que cada país dá aos idosos e ao lixo. Ou seja, Portugal não é um país de 1º mundo porque não tem garantido o bem-estar dos idosos, seja em acessos, alimentação, medicação ou mesmo em termos económicos, mas também não é de 3º mundo porque não vemos os nossos idosos com seus corpos cansados a trabalhar, a fazer os possíveis para conseguir algo para comer, nem caso de doença estes estão à mercê da sua própria sorte.

Portugal é um país de 2º mundo porque os idosos não têm de trabalhar mas também não têm o seu conforto garantido, são abandonados nas suas próprias casas, onde são encontrados mortos muitos dias depois de sucumbirem. Portugal não é um país de 1º mundo porque não valoriza o seu lixo, ou seja, não paga por cada lata ou garrafa recolhida permitindo, desta maneira, que os mais vulneráveis da nossa sociedade tenham uma maneira de subsistência ao mesmo tempo que mantêm as ruas limpas.

Portugal não é um país de 3º mundo porque o lixo não é deixado em qualquer lugar na rua, avolumando-se de dia para dia até que alguém lhe chegue o fogo e o cheiro a lixo queimado domine o olfacto de quem vive por perto. Portugal é um país de 2º mundo porque o lixo é depositado em contentores estrategicamente localizados e pura e simplesmente é recolhido para ser colocado em aterros ou lixeiras.

Ao andar por aí, acabo por concluir que, em termos práticos, um país classifica-se pela dignidade que consegue dar aquilo que já não precisa.

Fernando Duarte

Engenheiro Civil, de 32 anos, teve como tantos outros, de sair do país para conseguir exercer a sua profissão. Com raízes em Alvega, tem enorme gosto em conhecer novos sítios e novas culturas, custa-lhe é lá permanecer.

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