O Exército reforçou para 156 militares a força que parte para a Eslováquia no âmbito da NATO, com o chefe do Estado-Maior a justificar hoje este aumento pelo contexto de segurança, afirmando que “o combate convencional regressou à Europa”.
“Num período de dois anos passámos de 30 para cerca de 160 militares, o que demonstra, por um lado, o compromisso de Portugal com a NATO e, por outro, que o aumento dos efetivos nos permite aumentar os nossos objetivos de força”, afirmou o chefe do Estado-Maior do Exército (CEME), general Eduardo Mendes Ferrão.
O responsável falava após a cerimónia de outorga do Estandarte Nacional à 5.ª Força Nacional Destacada (5FND), realizada no Campo Militar de Santa Margarida, em Constância, antes da projeção da força portuguesa para a Eslováquia, onde ficará integrada no Battlegroup Multinacional liderado por Espanha, no âmbito das atividades reforçadas de vigilância da NATO.
Composta por 156 militares, a força representa um reforço face às rotações anteriores, passando a integrar mais um pelotão de atiradores, um módulo de Polícia do Exército e, a partir de outubro, módulos de Inativação de Engenhos Explosivos (EOD) e de Observadores Avançados.




Segundo o CEME, esta 5.ª Força Nacional Destacada “reflete uma evolução neste novo paradigma”, traduzida no reforço do contingente e na integração de novas capacidades de apoio ao combate para responder a um cenário de guerra convencional de alta intensidade.
O contingente opera com cinco carros de combate Leopard 2A6, 15 viaturas blindadas Pandur II 8×8 e quatro viaturas blindadas táticas VAMTAC ST5, mantendo ainda em teatro capacidades de informação geoespacial e sistemas aéreos não tripulados, incluindo a experimentação operacional de equipamentos desenvolvidos pela indústria portuguesa.
Segundo Eduardo Mendes Ferrão, as missões internacionais constituem igualmente uma oportunidade para acelerar a modernização do Exército, permitindo validar novas tecnologias, táticas e procedimentos, depois incorporados na preparação, doutrina e reequipamento da força terrestre.

“Onde temos a verdadeira evolução técnica, tática e tecnológica é quando empregamos [as forças]”, afirmou, defendendo que as lições recolhidas em operações contribuem para a transformação do Exército.
No discurso, o general defendeu ainda que o treino das forças deve assumir-se como um processo de adaptação permanente, permitindo incorporar rapidamente as lições retiradas dos atuais teatros de operações.
“O combate convencional regressou à Europa. O combate de alta intensidade e de grande envergadura já não é um conceito distante. É uma realidade que observamos diariamente”, afirmou, sustentando que o novo contexto de segurança exige maior prontidão e preparação das forças.







O CEME sublinhou ainda que, desde 2014, o Exército tem vindo a reforçar progressivamente a participação portuguesa em missões internacionais de dissuasão e defesa coletiva, considerando que esse percurso demonstra que Portugal é “um aliado participativo, ativo e confiável”, preparado para cumprir “as mais exigentes missões”.
Nesse âmbito, defendeu que a participação portuguesa no flanco leste da Europa constitui também um contributo direto para a segurança nacional.
“Ao contribuirmos para a segurança do flanco leste da NATO, estamos também a contribuir para a segurança de Portugal”, afirmou.

Além da presença reforçada na Eslováquia, o Exército mantém forças destacadas na Roménia, também no âmbito da NATO, e na República Centro-Africana, integrada numa missão das Nações Unidas, indicou o CEME à Lusa.
A força portuguesa integra o Battlegroup Multinacional na Eslováquia desde 2022, um dos agrupamentos criados pela NATO para reforçar a presença avançada, a dissuasão e a defesa coletiva no flanco leste da Aliança após a invasão russa da Ucrânia.
Portugal acolhe pela primeira vez campanha europeia de experimentação militar – Exército
Portugal vai acolher pela primeira vez a campanha europeia de experimentação operacional da Agência Europeia de Defesa, integrada no ARTEX26, anunciou hoje o chefe do Estado-Maior do Exército (CEME), considerando o exercício uma afirmação de Portugal na inovação militar.
“Vai ser o mês da grande projeção nacional nos domínios da experimentação, da inovação e da investigação no ambiente militar”, afirmou o chefe do Estado-Maior do Exército (CEME), ao destacar a estreia da campanha HEDI-OPEX26 da Agência Europeia de Defesa no principal exercício nacional de experimentação tecnológica do Exército.
O general Eduardo Mendes Ferrão falava à Lusa à margem da cerimónia de outorga do Estandarte Nacional à 5.ª Força Nacional Destacada (5FND), realizada no Campo Militar de Santa Margarida, em Constância, antes da projeção da força portuguesa para a Eslováquia.
O ARTEX26 (Army Technological Experimentation Exercise 2026) decorre entre 21 de setembro e 14 de outubro, no Campo Militar de Santa Margarida e áreas de experimentação associadas, assumindo este ano dimensão europeia ao integrar a campanha HEDI-OPEX26 da Agência Europeia de Defesa (EDA), destinada à experimentação operacional colaborativa de tecnologias emergentes.

Mais do que uma demonstração de equipamentos, o exercício pretende testar tecnologias em ambiente operacional, validar conceitos de emprego e avaliar a sua integração nas futuras capacidades militares, aproximando a indústria, universidades e centros de investigação dos utilizadores militares.
Entre as tecnologias contam-se sistemas de inteligência artificial, drones e outros sistemas aéreos não tripulados, veículos terrestres não tripulados, robótica, sensores inteligentes, sistemas de comando e controlo, guerra eletrónica, comunicações resilientes e soluções de integração homem-máquina.
Segundo Mendes Ferrão, durante o mês de outubro, Portugal acolherá três grandes iniciativas internacionais na área da experimentação tecnológica militar, duas promovidas pelo Exército e outra pela Marinha, reunindo representantes da União Europeia, NATO, indústria, academia e utilizadores militares.
“Portugal está neste domínio militar em condições de se afirmar um grande ‘player’ europeu e um grande ‘player’ dentro das instituições da União Europeia, da Agência Europeia de Defesa e da NATO”, afirmou.
O responsável salientou que a escolha de Portugal representa um reconhecimento internacional do trabalho desenvolvido pelo Exército e parceiros nacionais na experimentação tecnológica aplicada ao contexto operacional.
“Nós fomos escolhidos por estas instituições para fazerem as suas atividades em Portugal. E isso é significativo”, declarou.
Segundo o Exército, a integração da campanha HEDI-OPEX26 permitirá desenvolver experimentação colaborativa entre Estados-membros da União Europeia, indústria, pequenas e médias empresas, universidades, centros de investigação e utilizadores militares, acelerando a disponibilização de novas capacidades às Forças Armadas.
O objetivo passa por “experimentar antes de adquirir, aprender antes de implementar e inovar em parceria”, reduzindo o risco tecnológico e adequando a transformação da força terrestre às necessidades operacionais.
Segundo o CEME, a realização da campanha europeia este ano poderá abrir caminho à organização, em 2027, de um exercício semelhante promovido pela NATO, dedicado à experimentação de sistemas terrestres não tripulados.

“O exercício da NATO, dos sistemas terrestres não tripulados, virá para cá, com grande probabilidade. Não está 100% confirmado, mas, com grande probabilidade, será coincidente com o ARTEX de 2027”, afirmou.
O general indicou que, a concretizar-se, será a primeira vez que Portugal recebe este exercício da NATO, à semelhança do REPMUS, organizado pela Marinha para sistemas marítimos não tripulados.
c/Lusa
