Trinta anos após a adesão de Portugal ao projeto europeu é tempo de fazer um balanço desta participação, das vantagens e desvantagens, de sermos há três décadas membros de pleno direito da mais bem-sucedida união entre países soberanos.
Hoje não restam dúvidas se o nosso país viu ou não aumentar a sua qualidade de vida. Os portugueses vivem hoje melhor do que há trinta anos. Podemos discutir sim, se esta evolução se deve à nossa participação no projeto europeu.
Muitos hoje não se recordarão, outros não tinham ainda nascido, mas o processo de adesão de Portugal não foi fácil, a então CEE não tinha a estratégia de alargamento que conheceu anos depois, influenciada talvez pelo sucesso de processos como o de Portugal e Espanha. Parte do nosso sucesso deve-se ao consenso nacional conseguido entre os líderes dos principais partidos portugueses de então, de onde se destacam Mário Soares e Francisco Sá Carneiro.
Se o processo de adesão foi um sucesso, a integração foi exemplar entre os restantes Estados-Membros. A integração de Portugal foi dolorosa mas é uma história de sucesso. Neste capitulo, pós 86, há a destacar o papel desempenhado pelo então Primeiro-Ministro Aníbal Cavaco Silva, João de Deus Pinheiro (filho do concelho de Mação) como Ministro dos Negócios Estrangeiros e, sobretudo, Vitor Martins, o então responsável pela pasta dos Assuntos Europeus.
Existem pilares da UE que estarão sempre ligados a Portugal, como o Tratado e a Estratégia de Lisboa, mas também o facto de ter sido um português a liderar, durante dez anos e com sucesso, a Comissão Europeia num dos momentos mais difíceis da história do projecto europeu. Se o alargamento até 28 obrigou a uma grande flexibilização das regras, a crise obrigou, em tempo recorde, a criar novos mecanismos para saída de crise e para prevenir as próximas. Do legado de Durão Barroso em Bruxelas podemos dizer que a UE está mais forte e mais ágil.
Portugal é hoje um país completamente diferente, onde a esperança média de vida aumentou bastante, onde a mortalidade precoce caiu vertiginosamente, o nível de qualificações dos portugueses subiu de forma exponencial, a rede de apoio social e de cuidados de saúde alargaram-se a todos os pontos do país, sem esquecer os ganhos de produtividade e o avanço tecnológico, que são hoje inquestionáveis.
Se hoje temos escolas de qualidade, universidades, hospitais novos, boas estradas, lares de idosos com qualidade, creches por todo o país, casa de reabilitação para crianças, centros de investigação de qualidade, indústrias inovadoras, entre outras, isso também se deve ao financiamento da União Europeia e dos restantes Estados-Membros. Nem sempre nos lembramos desta solidariedade europeia quando falamos de solidariedade.
Demasiadas vezes se aponta à UE a responsabilidade pelos nossos próprios fracassos nacionais, numa atitude de cobardia política que acaba sempre por “bruxelizar” os problemas e nacionalizar os “feitos e conquistas”. Este fenómeno não é português, é da esmagadora maioria dos estados-membros e resulta da irresponsabilidade de muitos dos seus dirigentes. Esta atitude constante contribuiu em muito para o “fraco” sentimento europeu de muitos cidadãos.
O futuro da europa está sempre em discussão e em construção, mas hoje é tempo de celebrar estes 30 anos e recordar que a União Europeia nasceu com objetivo de ser um projecto de paz e de liberdade. Essa conquista é inequívoca e é demasiado importante para a desvalorizarmos a cada percalço que a UE sofre. A paz e a liberdade que a europa conquistou não têm preço.

