A paralisação, convocada por CGTP e UGT — algo que não acontecia desde 2013 — mobilizou trabalhadores contra o pacote laboral “Trabalho XXI”, que prevê mais de 100 alterações ao Código do Trabalho, incluindo mudanças nos contratos a prazo, despedimentos, licenças parentais e bancos de horas.
Na saúde, a ULS Médio Tejo reporta uma adesão entre 70% e 80%, com os enfermeiros a atingirem 75% no turno da noite e 80% no turno da manhã. Os técnicos auxiliares registam números entre 68% e 70%. As urgências de Abrantes, Tomar e Torres Novas mantêm-se abertas com serviços mínimos. Três cirurgias não urgentes foram canceladas e apenas 20% das consultas hospitalares previstas se realizaram.
Na indústria, a fábrica da Mitsubishi FUSO, no Tramagal, está totalmente parada, com uma adesão superior a 80%, segundo o SITE/CRSA. Transportes e escolas também registam fortes constrangimentos, com comboios parados, estabelecimentos de ensino encerrados e serviços públicos reduzidos.
O Governo insiste que a greve “não faz sentido”, defendendo que o pacote laboral moderniza o mercado de trabalho e garante melhorias salariais. O ministro da Presidência, António Leitão Amaro, argumenta que, nos setores privado e social, a adesão varia entre 0% e 10%, reiterando que “os portugueses estão a trabalhar”.
Já os sindicatos acusam o Executivo de impor alterações sem negociação efetiva. Para a CGTP, trata-se de um pacote que “acentua a precariedade, facilita os despedimentos e desregula os tempos de trabalho”. A UGT afirma que o Governo “impõe vontades” e não negoceia.
Com múltiplos setores parados e posições distantes entre Executivo e sindicatos, a greve geral reacende o confronto sobre o futuro da legislação laboral em Portugal.
