A principal divergência entre PSD/CDS e o PS, ao longo da campanha eleitoral para as legislativas, foi o ritmo de reposição dos rendimentos cortados aos portugueses ao longo dos últimos anos. Recordo que foi o governo Sócrates que fez os primeiros cortes nos salários da função pública, depois continuados e agravados pelo Governo PSD/CDS, de acordo com o Memorando da troika (negociado e aprovado pelo Partido Socialista, é sempre bom lembrar).
Com o programa de ajustamento cumprido, com o país novamente a crescer, o défice a baixar, as exportações a subirem de forma excecional, e a confiança dos investidores reconquistada, Portugal estava, em finais de 2015, bem melhor do que em 2011. Após diversos sacrifícios, após um enorme esforço dos portugueses e das portuguesas, Portugal estava no bom caminho e os eleitores reconheceram isso ao dar ao PSD/CDS a vitória nas eleições. O resto já sabemos. Iniciou-se o novo PREC – Processo de Reversão Em Curso.
Os dados da última semana confirmam o que mais se temia, pelas decisões populistas de António Costa, Portugal corria o risco de voltar a andar para trás.
Com as peripécias do OE2016, com o vexame de ver um orçamento de Estado alterado por Bruxelas, obrigando o governo a recuar em várias metas que dava como adquiridas, Portugal viu a sua credibilidade externa danificada.
Hoje ficamos a conhecer as previsões económicas do FMI e da Comissão Europeia e que são coincidentes em dois fatores fundamentais: o crescimento da economia previsto para 2016 é inferior ao de 2015, sendo que o défice para 2016 deverá ser superior ao obtido em 2015. Ou seja, quer isto dizer que o país começa a andar para trás, começa a voltar ao tempo velho.
Na sequência da missão de acompanhamento pós-resgate que foi concluída nesta semana pela troika, Comissão Europeia e BCE alertam que o esforço para reduzir o desequilíbrio estrutural das contas públicas precisa ser “significativamente aumentado“. O aviso é idêntico ao do FMI, também divulgado hoje. Todas as instituições da troika antecipam mais défice e menos crescimento para 2016. Mas também as instituições portuguesas como a UTAO ou o Conselho de Finanças Públicas lançam alertas semelhantes.
O governo apoiado por PS, PCP e Bloco de Esquerda, não só está a caminhar para trás, parece mesmo estar a dirigir-se em sentido contrário a todos os alertas internos e externos. Faz-nos lembrar aqueles condutores que conduzem no sentido errado e, tendo todos os restantes automóveis em sentido inverso, acham que são eles que estão corretos e os outros todos equivocados. A isto chama-se irresponsabilidade e pura deriva populista.
