Recorde-se que em 2016, a Caixa Geral de Depósitos encerrou a agência que funcionou na localidade durante cerca de 30 anos, tendo mantido, após os vários protestos da comunidade, a caixa multibanco em funcionamento. Porém, o edifício segue para venda e uma das medidas passou por ser retirado aquele equipamento.
Este foi encerrado entre 17 e 18 de janeiro, apanhando a população e a junta de freguesia de surpresa, pois não houve comunicação prévia – apesar de há muito se antever este desfecho.

Apesar de haver sobreaviso sobre o encerramento da caixa multibanco no início deste ano, a junta de freguesia lamenta que a Caixa Geral de Depósitos não tenha informado de que o iria fazer naquele dia. “Podiam ter feito um telefonema a alertar, para que nós não fôssemos apanhados completamente de surpresa sobre a sua retirada”, afirmou.
O presidente de junta, Luís Valamatos dos Reis, recordou ao nosso jornal que estes processos já vêm do anterior executivo, não só com o encerramento da agência bancária da CGD, como com o encerramento do balcão do Banco Santander em junho de 2021.
Ainda assim, o Santander está a manter a única caixa multibanco em funcionamento no Rossio, na Avenida Dr. António Augusto da Silva Martins. Resta saber por quanto tempo.

Luís Valamatos disse que este processo prende-se com o facto de os imóveis onde as agências bancárias estavam em funcionamento se encontrarem à venda.
“Sendo vendidos, as caixas multibanco têm que sair, são os critérios exigidos pelo Banco de Portugal. Foi o que nos disseram. Esta situação já vem do executivo anterior e já se sabia há algum tempo desta possibilidade”, começou por explicar.

Referiu ter tido reuniões quer com o Santander, quer com a Caixa Geral de Depósitos, mas tudo indica que a solução deverá passar pela iniciativa da junta de freguesia em instalar uma nova caixa multibanco, sendo que terá que “suportar todas as despesas de instalação e manutenção e responsabilizar-se se houver um assalto à caixa multibanco ou se for vandalizada”.
“Neste momento temos feito algumas diligências no sentido de encontrar um espaço onde fosse possível instalar, mas também não tem sido fácil”, conta o autarca.
O presidente de junta considera que esta é uma situação similar ao que sucedeu com os postos CTT, com as juntas a serem forçadas a assumir a prestação destes serviços, resolvendo o problema das populações.
“É de alguma forma injusto que tenha de ser a junta de freguesia a assumir isto, quando depois o banco, entidade exploradora da caixa multibanco, é que vai ter benefícios, sejam eles muitos ou poucos. Neste momento as pessoas são consideradas números, o que interessa é o lucro e ter sempre alguém na retaguarda que vá assumindo as responsabilidades em benefício da população”
Para já há dificuldade em encontrar localização, sendo que a hipótese de colocar no edifício da junta de freguesia não é de todo viável por estar no interior da localidade, “muito menos acessível, e corríamos o risco de ter utilização residual e ser encerrada por esse motivo”.
“As coisas têm de ser bem ponderadas, além do investimento necessário, é preciso ter em conta a localização, e autorização de condomínios no caso de ser instalado num prédio ou loja. E estão a surgir dificuldades”, continuou.

Permanece ativa a única caixa multibanco em Rossio ao Sul do Tejo, do Banco Santander. “Temos esperança que possamos continuar com esta caixa por algum tempo mais, de forma a que se consiga chegar a uma possibilidade que a junta de freguesia possa suportar”, crê o presidente de junta.
A apreensão sobre ser a junta a avançar com a instalação prende-se com a responsabilidade que recai sobre a autarquia local, sujeita a situações como assaltos ou vandalismo, obrigando a reposição de dinheiro, por exemplo.
“Estamos a tentar um local, na Avenida Dr. António Augusto da Silva Martins, principal avenida do Rossio ao Sul do Tejo, onde essas caixas têm utilização muito maior, mas não tem sido fácil, porque implica custos com arrendamento e até há casos onde não há aprovação do condomínio dos edifícios em causa. Tudo isto são problemas”, lamenta Luís Valamatos dos Reis.
Por outro lado diz sentir que “há pessoas que compreendem a situação e a limitação da junta de freguesia, enquanto outras pensam que a junta é que encerrou a caixa multibanco, o que é uma injustiça enorme”.

Em sede de executivo camarário, na reunião de segunda-feira, dia 23 de janeiro, o assunto foi debatido, tendo sido introduzido pelo vereador Vasco Damas, do ALTERNATIVAcom.
O vereador da oposição quis saber mais sobre a retirada da caixa multibanco pela CGD e sobre a anunciada desativação e retirada da do banco Santander, referindo-se à constante “perda de serviços” que tem assolado a população do Rossio ao Sul do Tejo.
Disse ser um “sinal preocupante de declínio no território” e questionou sobre “o que se pode fazer para inverter a situação ou pelo menos para estancar esta hemorragia, principalmente para poder dar uma resposta às pessoas com maiores dificuldades de locomoção e deslocação”.
Na ocasião o presidente de Câmara, Manuel Jorge Valamatos (PS), indicou ser esta “mais uma das questões que nos preocupam como preocupam as da demografia, e as questões do SNS, as escolas, as tarifas da água, tudo nos preocupa”.
“Este é um problema que temos, as questões económicas sobrepõem-se muitas vezes ao serviço público, tivemos dificuldades em algumas freguesias, e com apoio das juntas de freguesia conseguimos ir ultrapassando, e no Rossio teremos que ir colmatando, mitigando as dificuldades que forem apresentadas”, indicou o edil.

O presidente de Câmara disse que a CGD informou a autarquia do encerramento da caixa multibanco, tendo sido realizadas “várias reuniões”, mas sem efeito.
“O edifício está para venda, é política da CGD que qualquer imóvel que esteja disponível para venda não pode conter nenhum ónus, não pode estar nenhuma caixa multibanco ou outro serviço qualquer alocado. Depois de muitas insistências nossas, não foi possível encontrar ali uma solução”, informou.
Ainda assim, disse que a localidade “não está, neste momento, desprovida de multibanco, tem a do banco Santander, e temos reuniões marcadas nesse âmbito, e tudo faremos, a Câmara e a junta de freguesia, tal como sucedeu em Martinchel e em Concavada onde não encerraram, e temos esperança que vamos conseguir resolver a situação”.
No caso, a justificação prende-se com a venda do imóvel que exige a retirada da caixa automática, mas Manuel Jorge Valamatos lembrou que, por norma, a justificação é que a caixa multibanco não é sustentável para as empresas que as operam.

“É difícil. Levanta-se mais uma vez uma dificuldade aos municípios, às juntas de freguesia e às nossas comunidades. Sobretudo às pessoas mais frágeis e que têm dificuldades de mobilidade e que não têm carro próprio ou mesmo casos onde os transportes públicos são de difícil acesso. É mais uma dificuldade com que as autarquias se debatem”, concluiu.
