Ponte gótica sobre ribeira do Tripeiro em vias de classificação em Tomar. Foto: CMT

Segundo o anúncio publicado em junho em Diário da República (DR), a Ponte de Peniche situa-se na União das Freguesias de Tomar (São João Baptista), Santa Maria dos Olivais e freguesia de Casais e Alviobeira, estando o imóvel em vias de classificação e os localizados na zona geral de proteção (50 metros contados a partir dos seus limites externos) abrangidos pelo anúncio que visa a sua proteção e salvaguarda.

“Através da salvaguarda e valorização do património cultural, deve o Estado assegurar a transmissão de uma herança nacional cuja continuidade e enriquecimento unirá as gerações num percurso civilizacional singular”, justifica o Património Cultural – Instituto Público, remetendo para a lei que estabelece as bases da política e do regime de proteção e valorização do património cultural, como “realidade da maior relevância para a compreensão, permanência e construção da identidade nacional e para a democratização da cultura”.

Esta ponte, “de cronologia desconhecida, referenciada pela primeira vez em 1470”, permite a travessia da ribeira do Tripeiro, um afluente do rio Nabão, tendo sido construída originalmente com pedra toscamente aparelhada e, posteriormente, reconstruída em alvenaria de blocos de calcário, indicou à Lusa fonte oficial do município de Tomar.

Ponte gótica sobre ribeira do Tripeiro em vias de classificação em Tomar. Foto: CMT

“Esta ponte gótica apresenta dois arcos em ogiva, dispondo de guardas laterais no tabuleiro, onde se destacam blocos calcários retangulares”, descreveu a mesma fonte, tendo destacado a “solidez” da estrutura construída num local onde, em redor, “estão identificados vários sítios arqueológicos, comprovando a ocupação deste espaço desde a Pré-História”.

Como tal, indicou, “não será de excluir a possibilidade de ter sido esta ocupação humana a causa próxima da construção desta ponte, e, assim, a sua construção pode ter ocorrido muito antes do século XV”.

Contactado pela Lusa, o presidente da Câmara de Tomar, Hugo Cristóvão, disse que a ponte tem “características arquitetónicas muito distintivas” sendo “caso raro”, e “a única ponte no concelho com aqueles arcos góticos e um aspeto claramente medieval”, que “o município quer, efetivamente, preservar”.

O autarca, que se congratulou com a publicação do anúncio em DR, disse que o processo “resulta daquilo que foi a revisão do Plano Diretor Municipal (PDM), tendo sido elaborada uma carta de património com identificação do existente e do que importava classificar”, para proteger.

ÁUDIO | HUGO CRISTÓVÃO, PRESIDENTE CM TOMAR:

“Este é um desses exemplos e, na verdade, é o que tem o processo mais adiantado, mas depois há três outros elementos que também foram indicados por nós e estão neste processo e que, com certeza, irão seguir o mesmo caminho”, declarou.

Hugo Cristóvão indicou ainda, como objetivo de classificação, o Aqueduto dos Pegões, nos setes quilómetros exteriores ao Convento de Cristo e que não estão classificados, o Centro Cultural da Levada, complexo monumental reabilitado que remonta a várias épocas, inclusive à altura dos Templários, e depois um espaço natural, a Gruta do Caldeirão, na freguesia da Pedreira, que também está neste processo de classificação.

Ponte gótica sobre ribeira do Tripeiro em vias de classificação em Tomar. Foto: CMT

O autarca destacou como valias da classificação pelo PC “a proteção, a preservação e, depois, também, o dar a conhecer” os espaços e imóveis em questão.

“Ao estar classificado, há ali também uma forma de promoção dos próprios espaços, até porque acreditamos que, quanto mais pessoas conhecem, também mais pessoas existirão com a vontade de ajudar à sua salvaguarda”, afirmou.

A ponte de Peniche era uma das pontes da “estrada nova”, um percurso alternativo a “Estrada velha”, que se dirigia de Tomar para Coimbra. Saindo de Tomar em direção à ponte de Peniche, a estrada prosseguia para os Casais, passando por Solanda, Calvinos, em direção a Ceras. Desconhece-se a idade da construção desta estrada que já era usada no século XV.

Mais antiga era a referida “estrada velha” para Coimbra que manteve a sua utilização durante a Idade Média, talvez com um traçado paralelo ao da “estrada nova” de fundação romana, o trajeto da via XVI, Scallabis-Sellivm Conimbriga, embora subsistam muitas dividas sobre a sua localização,

Seguindo, sensivelmente, o traçado da E.N 110/IC3, esta estrada partia de Tomar, passava pela gafaria de Santo André (talvez perto da atual praça de touros de Tomar), continuava para o Alvito seguindo, provavelmente, por Bacelos, Calçadas, Alviobeira e Ceras, onde se encontraria com a “estrada nova”.

Ponte gótica sobre ribeira do Tripeiro em vias de classificação em Tomar. Foto: CMT

De acordo com o anúncio publicado em DR, poderão ser apresentadas reclamações ou interpor recurso hierárquico do ato que decide a abertura do procedimento de classificação.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

Agência de Notícias de Portugal

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