A Sevenair chegou a Ponte de Sor, com a inauguração do hangar com 2400 metros quadrados onde vai instalar duas áreas distintas de negócio; a formação de técnicos e manutenção de aeronaves. Créditos: mediotejo.net

A Sevenair chegou esta sexta-feira, 14 de janeiro, a Ponte de Sor, com a inauguração de um hangar com 2400 metros quadrados onde vai instalar duas áreas distintas de negócio: a formação de técnicos e a manutenção de aeronaves, numa expansão do grupo com sede em Cascais.

As condições do aeródromo de Ponte de Sor e o apoio do Município à instalação de empresas do sector aeronáutico foram apontados pelo CEO da Sevenair, Carlos Amaro, como fatores diferenciadores que levaram o grupo até ao Alto Alentejo, numa estratégia também de internacionalização.

A Sevenair pretende desenvolver em Ponte de Sor a formação de técnicos de manutenção, área em que se afirmam líderes ibéricos e cuja falta de técnicos qualificados “é uma lacuna que existe no mercado internacional” uma realidade a nível global e que será, segundo Alexandre Alves, diretor comercial da Sevenair, uma aposta para os jovens que querem trabalhar no sector.

O grupo tem atualmente “530 alunos ativos espalhados por Porto, Coimbra, Brasil, Cabo Verde mas não chega. É uma área que queremos apostar forte” em Ponte de Sor “trazer alunos estrangeiros para aqui também como suporte das outras atividades do aeródromo que vão necessitar desses técnicos”.

Em declarações aos jornalistas, Alexandre Alves explicou ainda que a Sevenair existe “há 33 anos”, atua na “aviação em geral”, nomeadamente em aeronaves com menos de 20 toneladas, sendo nesta área “um dos principais” grupos europeus.

A Sevenair chegou a Ponte de Sor, com a inauguração do hangar com 2400 metros quadrados onde vai instalar duas áreas distintas de negócio; a formação de técnicos e manutenção de aeronaves. Alexandre Alves. Créditos: mediotejo.net

“Temos companhia aérea, formação de pilotos, formação de mecânicos, manutenção, cobrimos um pouco as áreas todas”, acrescentou.

Em relação ao trabalho que vão desenvolver em Ponte de Sor, Alexandre Alves explicou que vai ser um projeto “essencial” para o crescimento da empresa, uma vez que as instalações que possuem em Cascais “já são pequenas” para a procura que existe na área da manutenção.

“Temos aeronaves na base área do Montijo por falta de espaço, aeronaves que queremos trazer para Ponte de Sor de imediato e começar a trabalhar. A ideia é expandir um pouco os serviços de manutenção e captar algum do mercado da Europa do sul e norte de África”, disse.

No final do primeiro trimestre deste ano, a Sevenair espera ter criados 25 postos de trabalho em Ponto de Sor e, “em velocidade cruzeiro”, prevê atingir os 40 postos de trabalho diretos.

Dá conta de criação de emprego local, nomeadamente em serviços administrativos, mas “teremos de deslocalizar pessoal técnico especializado” que passará a residir naquela cidade do Alto Alentejo.

A Sevenair chegou a Ponte de Sor, com a inauguração do hangar com 2400 metros quadrados onde vai instalar duas áreas distintas de negócio; a formação de técnicos e manutenção de aeronaves. Créditos: mediotejo.net

Na manutenção, o foco “é captar o mercado das aeronaves ‘turboprop’ (conjugam turbina e hélice) da Península Ibérica e norte de África”, revelou também Alexandre Alves. “Estamos a falar de aeronaves monomotor e multimotor com até 10 toneladas”, acrescentou.

Quanto à formação de técnicos de manutenção de aviões, o grupo português pretende, “contribuir para que haja mais técnicos disponíveis numa área com grande escassez de profissionais qualificados”.

E, ao mesmo tempo, quer “dar suporte a outros projetos que se irão instalar no Aeródromo de Ponte de Sor e que de muita mão-de-obra qualificada necessitam”, acrescentou Alexandre Alves.

ÁUDIO | ALEXANDRE ALVES, DIRETOR COMERCIAL SEVENAIR:

No dia da inauguração do hangar da Sevenair, o presidente da Câmara Municipal disse ser “um dia feliz para Ponte de Sor”, também “para a empresa que assinala hoje a sua presença neste nosso aeródromo municipal” mas “é principalmente um dia da continuidade da estratégia que foi definida há uns anos e que felizmente é reconhecida como uma estratégia de sucesso”.

Na sequência da terceira fase de ampliação do Centro de Negócios de Ponte de Sor “para a qual lançámos um concurso de disponibilização de mais três hangares para permitirmos mais quatro empresas darem resposta no nosso aeródromo municipal, esta é também mais uma fase que nos sustenta cada vez mais o investimento”, acrescentou Hugo Hilário.

O autarca indicou ser “mais uma atividade, mais um setor dentro do próprio cluster e do próprio setor da aeronáutica e aeroespacial que não tínhamos e que felizmente a partir de hoje também vamos ter”.

A Sevenair chegou a Ponte de Sor, com a inauguração do hangar com 2400 metros quadrados onde vai instalar duas áreas distintas de negócio; a formação de técnicos e manutenção de aeronaves. Hugo Hilário. Créditos: mediotejo.net

Hugo Hilário dividiu o tempo entre “antes do dia de hoje e a seguir ao dia de hoje; até hoje o aeródromo emprega perto de 300 pessoas, com cerca de dez empresas para além de toda a atividade inerente que os alunos das duas academias que aqui existem dão à cidade. A partir de hoje e com a disponibilização dos três novos hangares, um que estamos a inaugurar para a empresa que ganhou o concurso, mais um aqui ao lado para mais duas empresas – uma de componentes aviónicos e outra de produção de capacetes para aviões supersónicos – e ainda outro hangar em fase de conclusão para uma empresa de manutenção de aeronaves de grande porte que é mais uma aposta que não existe aqui”, o que permite uma expectativa de “mais 300 postos de trabalho no próximo ano”, avançou.

No seu discurso durante a cerimónia de inauguração referiu que a obra “decorre de uma candidatura que apresentámos ao Portugal 2020 no valor de perto de 9 milhões de euros. A maior empreitada de sempre que este município alguma vez ergueu”.

ÁUDIO | PRESIDENTE DA CM DE PONTE DE SOR, HUGO HILÁRIO:

A empresa da área aeronáutica Sevenair transportou 10 mil passageiros em 2021, na linha regional entre Bragança e Portimão (Faro), revelou hoje à agência Lusa o diretor comercial da empresa, Alexandre Alves.

De acordo com o responsável, em 2018 transportaram nesta mesma ligação entre “15 a 16 mil passageiros”, mas devido à pandemia de covid-19 e ao encerramento nos últimos anos do Aeródromo de Vila Real, o último ano sofreu uma redução no número de passageiros.

Alexandre Alves falava à margem da inauguração de um hangar da empresa, no Aeródromo Municipal de Ponte de Sor (Portalegre), num investimento “faseado” superior a 7,4 milhões de euros e cujo equipamento servirá para efetuar manutenção aeronáutica e a formação de técnicos de manutenção de aeronaves.

“Nós atuamos num nicho de mercado muito específico. Nós temos aeronaves até 19 lugares e em Portugal operamos numa concessão pública que liga Bragança até Portimão, mas já voamos em Cabo Verde, nas ilhas do canal britânico, atuamos tipicamente em operações que necessitam de aviões muito particulares, aeródromos com pistas muito curtas ou aeródromos que não têm ajudas de instrumentos”, explicou.

A Sevenair chegou a Ponte de Sor, com a inauguração do hangar com 2400 metros quadrados onde vai instalar duas áreas distintas de negócio; a formação de técnicos e manutenção de aeronaves. Créditos: mediotejo.net

O mesmo responsável indicou que em 2021 o volume de negócios da empresa situou-se nos “12,5 milhões de euros”, valores “similares” aos alcançados em 2020.

No decorrer da cerimónia de inauguração do hangar, o CEO da Sevenair, Carlos Amaro, sublinhou que a empresa, detida por capital privado de nacionalidade portuguesa, “é claramente” neste momento no país e, “pelo menos” na Península Ibérica, a “maior escola” de formação de técnicos de manutenção aeronáutica.

A Sevenair chegou a Ponte de Sor, com a inauguração do hangar com 2400 metros quadrados onde vai instalar duas áreas distintas de negócio; a formação de técnicos e manutenção de aeronaves. Carlos Amaro. Créditos: mediotejo.net

Para Carlos Amaro, esta “aposta fortíssima” da empresa é para ser “replicada” no projeto que pretende desenvolver em Ponte de Sor.

Ainda no decorrer do seu discurso, o responsável traçou como objetivo transformar esta empresa que se dedica à formação, manutenção, ‘handling’ e atua como companhia aérea e que detém sete bases – Bragança, Vila Real, Viseu, Cascais, Portimão e Madeira – numa companhia “100% sustentável” do ponto de vista ambiental.

A Sevenair chegou a Ponte de Sor, com a inauguração do hangar com 2400 metros quadrados onde vai instalar duas áreas distintas de negócio; a formação de técnicos e manutenção de aeronaves. Secretário de Estado do Planeamento, Ricardo Pinheiro. Créditos: mediotejo.net

“É um foco para nós que vai mudar o mercado, que vai permitir olhar para o transporte aéreo de uma forma diferente, quer em termos de custos, quer em termos de sustentabilidade. Esperamos poder dentro de não muito tempo, este futuro é amanhã, estamos a falar de 2025, 2026, 2027, termos o orgulho de virmos a ser a primeira companhia área regional europeia ou mesmo do mundo 100% sustentável, ou seja, com 0% de emissões de carbono”, avançou.

A cerimónia de inauguração do hangar da Sevenair contou também com a presença do secretário de Estado do Planeamento, Ricardo Pinheiro. Para o governante “o grande exemplo” que retira com a inauguração do hangar é a existência “de medidas políticas pensadas do ponto de vista público em articulação com aquilo que é a necessidade privada, de projetar as empresas mas também projetar o País”.

C/LUSA

Paula Mourato

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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