Núcleo Museológico de Galveias. Créditos: mediotejo.net

O Núcleo Museológico de Galveias (Ponte de Sor) reabriu ao público com a exposição permanente de espólio do Prédio da Avenida da Liberdade, em Lisboa, da família Marques Ratão, naquele que pretende ser um espaço de preservação da memória cultural da freguesia.

No piso térreo encontramos uma área dedicado aos vestígios de Galveias, das origens à elevação da vila foral, outro dedicado aos autores/escritores da freguesia e ainda lugar para antigas profissões, artes e ofícios de Galveias e atividades desaparecidas, nomeadamente uma enfardadeira manual em madeira que, antes da chegada da maquinaria, ajudava a fazer fardos de palha, ou peças de um latoeiro local.

No primeiro piso o espólio do prédio da Avenida da Liberdade, da família Marques Ratão, hoje propriedade da Junta de Freguesia de Galveias devido à herança do Comendador José Godinho de Campos Marques.

José Godinho de Campos Marques, falecido em junho de 1967, com 80 anos, foi o último elemento da família Marques Ratão e a sua herança resultava precisamente da casa agrícola da família. Naturais de Galveias, seus pais, Manuel Marques Ratão e Maria Clementina Godinho de Campos, tiveram cinco filhos, dois deles faleceram jovens sem descendência, e os restantes, apesar de falecerem no inverno da vida, também não deixaram descendentes.

Galveias, no concelho de Ponte de Sor. Núcleo Museológico de Galveias. Créditos: mediotejo.net

Após a morte dos pais, o vasto património foi dividido pelos três irmãos. Ana de Jesus Godinho de Campos Marques entendeu, ainda em vida, criar uma fundação com o nome da mãe, a Fundação Maria Clementina Godinho de Campos, com o objetivo de prestar apoio social à comunidade, à qual deixou a sua parte da herança, gerida pela Arquidiocese de Évora. Os outros dois terços – que couberam a Manuel Marques Ratão Júnior e a José Godinho de Campos Marques – foram deixados à Junta de Freguesia, por morte do último através de um documento que dividiu a herança.

O doador expressou a sua vontade para que os responsáveis pela administração (a Junta de Freguesia) não se desvinculassem da 7ª disposição do testamento, desta forma: “E por isso, quer que todos aqueles a administrar os bens e direitos que deixa à Freguesia de Galveias, jamais descurem o engrandecimento da vila, onde encaminhou os primeiros passos dotando-a de tudo o que for necessário e útil para o conforto dos seus habitantes e, para recreio e enlevo dos que a visitem. Recordando-lhes, pois, que administrem de olhos postos no bem-estar da coletividade, servindo sempre as mais nobres e legítimas aspirações da mesma com altruísmo e dedicação”.

Ora no primeiro piso, a mostra revela o mobiliário, obras de arte e peças pessoais dos habitantes daquela casa na Avenida da Liberdade, em Lisboa. Desde o escritório à sala de estar, passando pela sala de jantar, e os quartos onde se pode observar alguns dos pertencer de Ana de Jesus Godinho de Campos Marques e do Comendador José Godinho de Campos Marques. O Núcleo Museológico tentou recriar a casa de Lisboa, com a mesma disposição dos objetos e até fotografando os frescos dos tetos para uma compreensão mais detalhada.

O Núcleo Museológico de Galveias foi inaugurado a 21 dezembro de 2019. Nasceu no espaço de uma antiga oficina, mostra, então, peças e elementos históricos do período da fundação da Freguesia, já com alguns elementos da modernidade. No dia 4 de abril de 2020 contava-se inaugurar a exposição permanente com espólio da família Marques Ratão, composta essencialmente por objetos da casa de Lisboa. Mas entretanto, chegou a pandemia de covid-19 e a mostra foi adiada. O espólio pode ser agora visitado.

Para visitar, é obrigatório o agendamento, através do nº 242 010 284, das 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 18h00, de terça-feira a sábado.

Paula Mourato

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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