Assinatura de protocolo Câmara Municipal de Ponte de Sor e o IEFP (instituto de Emprego e Formação Profissional). Créditos: mediotejo.net

A cidade de Ponte de Sor vai ter uma Secção de Formação Profissional para o setor industrial e cluster da aeronáutica. A Câmara Municipal e o Instituto do Emprego e Formação Profissional celebraram esta terça-feira um protocolo de cedência de espaço para a criação daquela unidade de formação que pretende “reforçar em grande escala a resposta que o IEFP dá na região” do Alentejo, referiu o presidente da autarquia. A cerimónia decorreu no local onde o novo polo de aprendizagens ficará instalado: o Centro Empresarial e Tecnológico de Ponte de Sor, que nascerá ainda este ano nas antigas instalações da Delphi.

Trata-se de uma nova área de formação com cerca de 700m2 em instalações municipais com o objetivo de expandir a oferta formativa no Alto Alentejo, acrescentando à formação em Produção e Transformação de Compósitos, Maquinação/Programação CNC e Montagem de Estruturas, as áreas ligadas à Manutenção de Aeronaves e de Material de Voo, para colmatar a necessidade de recursos humanos qualificados no concelho de Ponte de Sor.

O investimento a realizar pelo IEFP em Ponte de Sor, em máquinas e equipamentos para o aumento da oferta formativa e operacionalização das ações de formação, ultrapassa 1,5 milhões de euros, deu conta o Delegado Regional do Alentejo do IEFP, Arnaldo Frade, durante a cerimónia de assinatura do protocolo de cedência de espaço nas antigas instalações da Delphi, onde nascerá o Centro Empresarial e Tecnológico de Ponte de Sor, num investimento de 9 milhões de euros.

Arnaldo Frade deu conta de existirem 16 mil desempregados no Alentejo, sendo três mil no Alto Alentejo e 481 em Ponte de Sor, surgindo agora uma nova oportunidade com o aumento da oferta de formação profissional e o objetivo de contribuir para a atratividade de Ponte de Sor quer para novos povoadores quer para novas empresas.

Assinatura de protocolo Câmara Municipal de Ponte de Sor e o IEFP (instituto de Emprego e Formação Profissional). Arnaldo Frade. Créditos: mediotejo.net

Em declarações ao nosso jornal, Arnaldo Frade deu conta de existir em Ponte de Sor “um dinamismo grande” relativamente à fixação de empresas na área da industria designadamente na área da industria aeronáutica.

“Há bastante tempo que trabalhamos com o município no sentido de ajudar as empresas. Temos vindo a formar muitas pessoas para trabalhar em Ponte de Sor, já apoiamos mais de 50 jovens em estágios profissionais que transitaram para as entidades”, referiu, indicando também o apoio a 40 pessoas contratadas por tempo indeterminado.

Com esta Secção de Formação Profissional “queremos criar condições para, ao nível da Manutenção de Aeronaves, Produção Aeronáutica e Eletrónica, podermos ter um conjunto de equipamentos e de espaços que permitam qualificar os recursos humanos” também para os investimentos que se perspetivam, explicou.

“Não queremos que as empresas não se fixem neste território por consideraram que não há recursos humanos qualificados” e optarem por outra zona do País, acrescentou o responsável.

Arnaldo Frade lembrou que o Alentejo “está em queda demográfica” sendo por isso “muito importante captar pessoas para aqui se instalarem. Se tivermos neste espaço e neste município condições adequadas de formação que podem permitir que as pessoas conquistem os postos de trabalho que estão vagos, isso é muito relevante para cativar novos residentes”, considerou.

Assinatura de protocolo Câmara Municipal de Ponte de Sor e o IEFP (instituto de Emprego e Formação Profissional). Créditos: mediotejo.net

Segundo o Delegado Regional do Alentejo do IEFP a formação “vai permitir qualificar pessoas desempregadas e pessoas que estando empregadas vão fazendo formação ao longo da vida e vão atualizando os conhecimentos” ou seja “as empresa podem também com este espaço qualificar os seus trabalhadores”.

Arnaldo Frade explicou que as bolsas de formação do IEFP “têm remuneração” e “apoio de transporte ou de alojamento alternativamente e subsidio de alimentação” embora “não seja a formação profissional uma forma de ganhar dinheiro”, sublinhou.

Assinatura de protocolo Câmara Municipal de Ponte de Sor e o IEFP (instituto de Emprego e Formação Profissional). Créditos: mediotejo.net

A ideia é que a Secção “tenha sempre frequência de turmas, seja no período diurno ou noturno. Não há um número restrito de postos para formação. Este espaço tem mais de 700m2 e vai ser possível ter muita gente em formação, com qualidade e em permanência”. Sendo que a formação, acrescenta, “não tem uma natureza territorial e não é vedada seja a quem for independentemente de ser oriundo das regiões autónomas ou de outra região de Portugal Continental”.

Esta formação não é novidade porque “o cluster da aeronáutica no Alentejo já é uma realidade há algum tempo”, explica o responsável do IEFP, exemplificando com Évora ou Grândola mas admite que “a falta de formadores é uma questão que se coloca. Não apenas na área da Manutenção Aeronáutica, coloca-se a vários níveis, aliás o próprio ensino regular está com muitas dificuldades ao nível dos professores em várias áreas. É uma matéria que vamos gerindo conforme podemos mas por vezes em certas áreas não é fácil encontrar formadores disponíveis”, observou.

Assinatura de protocolo Câmara Municipal de Ponte de Sor e o IEFP (instituto de Emprego e Formação Profissional). Arnaldo Frade. Créditos: mediotejo.net

A Secção de Formação Profissional para o setor Industrial e cluster da Aeronáutica em Ponte de Sor arranca de imediato, ainda esta semana, com o IEFP a informar a Câmara Municipal da necessária adaptação às instalações, estando identificado um conjunto de necessidades desde a disponibilização de wifi, a colocação de um sistema de aspiração de poeiras, colocação de ar comprimido, eventualmente alterações ao nível da potência elétrica, e “assim que a Câmara nos autorize a intervencionar o espaço, nós obedecendo às regras da contratação pública iniciaremos todos os procedimentos”, garantiu.

ÁUDIO | ARNALDO FRADE, DELEGADO REGIONAL DO ALENTEJO DO IEFP:

Por seu lado, o presidente da Câmara Municipal, Hugo Hilário, na sua intervenção durante a cerimónia de assinatura do protocolo de cedência de espaço, considerou o dia “histórico para o concelho de Ponte de Sor”, ou seja, “o primeiro passo da consolidação da estratégia de atração de investimento” com o objetivo de alterar “a situação socioeconómica” do território, também “muito provocado pelo encerramento” da Delphi.

Para dar seguimento a essa estratégia “é preciso que preparemos uma comunidade, uma série de fatores que possam dar resposta àquelas que são hoje as necessidades de mão de obra” no concelho de Ponte de Sor, disse o autarca aos jornalistas.

Assinatura de protocolo Câmara Municipal de Ponte de Sor e o IEFP (instituto de Emprego e Formação Profissional). Hugo Hilário. Créditos: mediotejo.net

Para Hugo Hilário ter o IEFP a investir 1,5 milhões de euros “na sequência de uma estratégia que nós definimos é promover cada vez mais a sustentabilidade desta estratégia e deste investimento” em Ponte de Sor. O presidente sublinha que “atrair pessoas é sempre bom” sendo “uma consequência direta daquilo que é a atração de investimento. Qualificar os nossos que permita que não tenham de ir para outras paragens para ter uma profissão e uma carreira de futuro, também é preponderante”, defendeu.

À margem da cerimónia o presidente referiu ainda que o executivo municipal quer “lançar o concurso para a empreitada de reabilitação” das antigas instalações da Delphi “ainda no primeiro trimestre de 2022” mas dependerá “dos consequentes procedimentos da contratação pública”. Além disso, enfatizou, “os tempos não são os melhores”,  dando conta de dificuldades na obtenção de materiais e de mão-de-obra no setor da construção civil .

ÁUDIO | HUGO HILÁRIO, PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL PONTE DE SOR:

“As obras atrasam muito mas queremos pensar e esperar que aqui vai correr bem. O propósito era no inicio do próximo ano ter esta obra concluída”. A obra de construção do Centro Empresarial e Tecnológico de Ponte de Sor tem um prazo de execução de um ano.

Paula Mourato

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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