Pintura do artista Marco Burresi, também conhecido por Zed1, intitulada 'Nossa Senhora da Cortiça'. Créditos: CMPS Credit: FGARRETT

A pintura do artista Marco Burresi, também conhecido por Zed1, intitulada ‘Nossa Senhora da Cortiça’, uma obra icónica da cidade, vai desaparecer de Ponte de Sor, informou o município, garantindo que “uma nova obra de arte, de índole semelhante, surgirá na parede” da casa que entrou em obras, no âmbito da Estratégia Local de Habitação.

Trata-se de um imóvel na rua Alexandre Herculano, em Ponte de Sor, e devido à intervenção “foi impossível a manutenção da referida pintura” de arte urbana, considerada “uma obra icónica e marcante na cidade, que perdurará na memória coletiva”.

Nesse mural o artista pretendeu dar destaque à cortiça, a principal matéria prima do concelho de Ponte de Sor, que se insere na maior mancha florestal de montado de sobro do mundo.

Na pintura a Nossa Senhora tinha “Portugal” ao colo, segurando numa mão um sobreiro e na outra um saca rolhas, enquanto boiava na água – provavelmente da Albufeira de Montargil – junto com rolhas de cortiça.

Marco Burresi, também conhecido por Zed1, nasceu em Florença onde estudou design gráfico. Zed1 é um artista de rua no verdadeiro sentido do termo, há mais de 20 anos. Através de um desenvolvimento constante e variado da técnica, o seu estilo tem evoluído de acordo com o seu trabalho como escritor, levando-o a pintar comboios, paredes e outras superfícies de todos os tipos.

A partir da sua predileção por imagens, consegue criar um mundo de bonecos “humanoides”, que interagem com o mundo ao seu redor, envolvendo-se no espaço e no tempo. Zed1 move-se naquilo que é considerado “uma maravilhosa dança entre formas e cores, num surrealismo pós-moderno, que mesmo em aspetos mais irracionais, se referem a uma consciência clara, que por vezes se torna extraordinariamente melancólica e até irónica”.

As suas obras podem ser admiradas em Tóquio, Osaka, Nova Iorque e Miami, bem como em muitas outras cidades italianas e europeias.

Esteve a trabalhar em Ponte de Sor, para assinalar o início da edição de 2016 do Festival7Sóis7Luas.

A sua formação é jurídica e a sua paixão é História mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 à cidade natal; Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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