Constância recebe a XXVIII edição das Pomonas Camonianas de 6 a 10 de junho, evento cultural que pretende homenagear Camões, a época em que o épico viveu e a sua ligação à vila de Constância. O evento teve as atividades de sexta-feira concentradas no Agrupamento de Escolas, tendo inaugurado o mercado quinhentista este sábado, no parque de merendas situado no centro histórico da vila.
Todos os anos pelo 10 de junho, Dia de Camões, de Portugal e das Comunidades Portuguesas, Constância celebra Camões e a sua relação com o épico, realizando as Pomonas Camonianas, uma exposição-venda das flores e dos frutos referidos pelo poeta na sua obra (Mercado Quinhentista), evocando os tempos em que Camões ali terá vivido, num programa (AQUI) muito diversificado. As fotos são do Ricardo Escada.





Tendo por inspiradora Pomona, a divindade romana dos pomares e dos jardins, que Camões também cantou, o evento apresenta, na sua essência, um mercado quinhentista, com exposição e venda de frutos e flores referidos por Camões na sua obra, e vários espetáculos teatrais, poéticos e musicais.
Com as Pomonas Camonianas, pretende-se “reafirmar a ligação de Constância a Camões para não deixar morrer esta ligação”, afirmou ao mediotejo.net o presidente do município. Além disso, pretende-se “sensibilizar” o novo governo para a questão da Casa-Memória de Camões, referiu Sérgio Oliveira.







Em causa, um projeto que aguarda “há anos” para ser concretizado. O autarca destaca como urgente “arranjar um mecanismo financeiro” que permita requalificar os dois edifícios juntos à Casa-Memória.
“É através dali que é instalado um elevador de acesso ao edifício, para as pessoas com mobilidade reduzida. Isso é um passo fundamental! E depois apetrechar a Casa-Memória com conteúdos e recursos humanos para que possa estar sempre aberta ao público. Não estamos a pedir nada que seja extraordinário. Este é um projeto daqueles que, efetivamente, basta haver vontade política do Governo da República para se conseguir concretizar”, declarou.





ÁUDIO | SÉRGIO OLIVEIRA, PRESIDENTE CM CONSTÂNCIA:
A abertura oficial teve lugar na sexta-feira, dia 6 de junho, às 14h00, na Escola Básica e Secundária Luís de Camões. Na manhã de sábado decorreu uma palestra com o professor Vitor Serrão e a apresentação do livro “Camões Altos Cumes, Scabelicastro e Correlatos”, de Vitor Serrão e Mário Rui Silvestre, na Casa-Memória de Camões. Às 15h00 foi inagurado o Mercado Quinhentista, no centro histórico da vila.
Com o mercado quinhentista, teatro,, música, poesia e recriações históricas a decorrerem ao longo destes dias, na segunda-feira haverá prova de orientação noturna, com concentração, às 22h30, no Parque Ambiental de Santa Margarida. O dia 10 de junho começa às 10h00, com a Feira de Antiguidades e Velharias. O Mercado Quinhentista reabre às 15h00 de terça-feira, decorrendo por essa hora a habitual homenagem com deposição de coroas de flores junto ao Monumento a Camões e as habituais declamações e intervenções oficiais.
As Pomonas encerram no dia 10, às 22h00, com ‘Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades’, uma homenagem aos 500 anos do nascimento de Luís Vaz de Camões, pelo Choral Phydellius, na Igreja da Misericórdia.




As Pomonas “têm uma base tradicional: o Mercado Quinhentista, as danças, o envolvimento do Agrupamento de Escolas, das associações e coletividades do Concelho. Há um conjunto de concertos de qualidade, um conjunto de conferências ligadas à temática camoniana que são interessantes. Acho que é um programa diversificado, com uma boa qualidade, e com a intervenção de pessoas que efetivamente são especialistas nestas temáticas”, disse ao nosso jornal o presidente da Câmara de Constância, Sérgio Oliveira.
O autarca referiu ainda o “aproveitamento” da Igreja da Misericórdia, onde decorrem algumas das iniciativas. “Um espaço que é religioso mas tem uma forma de utilização também neste aspeto, e o ano passado fizemo-lo com um ou dois concertos que lá decorreram e vamos fazê-lo novamente”.
São protagonistas os alunos de todos os estabelecimentos de ensino do concelho, que, com a colaboração dos seus professores, pais e encarregados de educação, animadoras e pessoal não docente, representam figuras da época, animam o mercado, declamam poesia e apresentam danças quinhentistas, numa manifestação festiva de apropriação coletiva da memória de Camões.





Constância tem com Camões uma muito antiga e arraigada relação de afeto, fundada na plurissecular tradição de que o épico terá vivido na vila durante algum tempo, ali tendo escrito parte da sua produção poética. Sobre as ruínas que o povo aponta como tendo sido as da casa que o acolheu, foi erguida a Casa-Memória de Camões que visa perpetuar a memória do poeta em Constância.
Em Constância, destaque ainda para o Monumento a Camões do mestre Lagoa Henriques e o Jardim-Horto Camoniano, desenhado pelo arquiteto Gonçalo Ribeiro Teles, que apresenta a maior parte das plantas referidas por Camões na sua obra e é considerado um dos mais vivos e singulares monumentos erguidos no mundo a um poeta.

