Pombos de Tramagal sagram-se campeões distritais em melhor época de sempre. Foto: mediotejo.net

Luís Ferreira, de 65 anos, está agora sozinho à frente do pombal, depois de ter dividido durante 40 anos a paixão lado a lado com Silvestre Alarico, entretanto falecido. A família autorizou que o nome se mantivesse na equipa e todas as vitórias são agora uma homenagem ao amigo. “Foi a melhor época de sempre e dedico-a à minha mulher e ao Silvestre Alarico”, afirmou.

ÁUDIO | LUÍS FERREIRA, CAMPEÃO DISTRITAL GERAL/SANTARÉM

Luís Ferreira, columbófilo campeão distrital de Santarém

Num pombal instalado no quintal de Silvestre Alarico, Luís Ferreira toma conta de 150 pombos todos os dias e prepara-os para as corridas com paixão e carinho. As pombas reproduzem-se ali mesmo, com cruzamentos de pombos cedidos e partilhados entre columbófilos amigos, de Abrantes e de Riachos.

Da criação, à alimentação e ao treino, Luís Tablú dedica muitas horas a um passatempo que aprendeu a gostar desde pequeno, em contacto com os animais e a natureza, e em que soma muitos títulos e reconhecimentos.

Pombos de Tramagal sagram-se campeões distritais em melhor época de sempre. Foto: mediotejo.net

São muitos os prémios que conquistou este ano mas foi com a pomba ‘452’, o número da anilha da ave, que obteve a vitória distrital numa das provas mais difíceis, com a pomba a voar desde Valência (Espanha) até Tramagal, numa distância de 657 quilómetros, e a obter o primeiro lugar da Prova Nacional de Fundo Valência 2024 da ACD Santarém.

O primeiro lugar distrital foi conquistado pela pomba 2021452/22 POR, do pombal Alarico Luís, do Grupo Columbófilo de Tramagal, com uma média de 1160.143 m/s e cerca de nove horas e meia de voo.

“Foi muito bom! Estou habituado a ganhar, também me aplico muito”, disse Luís Ferreira a uma revista especializada, acrescentando que a “452” já tinha conquistado outros resultados importantes. “São pombas boas, de boa origem”, justificou, tendo lembrado um trabalho diário no pombal, depois de ter dividido a paixão lado a lado com Silvestre Alarico.

“Anilhei pombos meus pela primeira vez em 1972, mas entretanto comecei a querer caçar e o meu pai disse-me: ou caças ou tens pombos! Na altura, ainda corri dois anos, mas optei por caçar”, recordou, em entrevista à Federação Portuguesa de Columbofilia (FPC).

Luís voltou à columbofilia para nunca mais a largar, já lá vão 40 anos, quando começou a tratar dos pombos de Silvestre Alarico. “Ele andava muito por fora e não tinha tempo. Comecei a tratar deles e, em 1984, ficámos logo em segundo, desde então nunca mais parámos”, lembra, com orgulho.

No dia da Prova de Valência, para a qual encestou 20 fêmeas, Luís estava à espera de ver chegar os seus campeões. “Estava com mais cinco columbófilos e ex columbófilos. Temos sempre gente a ver chegar os pombos no nosso pombal. Foi uma tradição que a família do Sr. Alarico ajudou a manter”, afirmou, agradecido.

“Tento sempre marcar bem, já ganhei muitos prémios, fui campeão nacional no meio-fundo, fiquei em quinto nacional… gosto de treinar os pombos e de todas as provas, mas para o fundo mando sempre os melhores, sempre os melhores”, reforça.

Com 40 anos de dedicação à modalidade, o columbófilo acredita que ainda o esperam muitas vitórias e oportunidades para homenagear o amigo Alarico!

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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