Os resultados das candidaturas dos quase 50 mil alunos ao ensino superior já são conhecidos – menos 9.046 do que no ano passado – e, em comunicado, o Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos adiantaram que os cerca de 14 mil alunos colocados no subsistema politécnico representam “uma redução significativa face ao ano transato”.
A taxa de colocação nos institutos politécnicos ficou pelos 63% e a situação é mais grave nas instituições do interior do país, “onde a queda do número de alunos coloca em causa a sustentabilidade de algumas áreas de formação”.
No caso específico do Instituto Politécnico de Tomar (IPT) preencheu menos de um terço das vagas disponíveis na 1ª fase do concurso de acesso ao ensino superior. Das 551 vagas iniciais, foram ocupadas 159, ou seja, há 391 vagas sobrantes. Nos 17 cursos que funcionam no IPT houve dois aos quais nenhum aluno concorreu nesta 1ª fase: Engenharia Civil e Computação e Logística. Por outro lado, houve dois cursos que esgotaram todas as vagas: Conservação e Restauro e Design e Tecnologia das Artes Gráficas.
No caso da Escola Superior de Tecnologia de Abrantes (ESTA), que integra o IPT, das 133 vagas iniciais para os cinco cursos ali ministrados foram 16 preenchidas, tendo ficado 117 vagas por preencher.
Em comunicado, o IPT afirma que teve uma “já esperada diminuição” na taxa de ocupação das suas vagas e que a mesma, “que se reflete nas instituições de ensino superior público, é fruto das regras implementadas, este ano, para o acesso ao ensino superior com o aumento do peso das provas específicas e das provas de acesso”, situação, que, nota, “já tinha sido objeto de reclamação por parte das instituições de ensino superior junto da tutela”.
Para o IPT, “importa realçar que, as regras de acesso ao ensino superior em vigor até ao ano letivo passado foram definidas para não prejudicar os estudantes que frequentaram o ensino secundário durante o período da pandemia Covid 19 que foi marcado por interrupções no ensino presencial e por profundas alterações nos métodos de ensino e que, os estudantes que agora se candidatam ao ensino superior e estavam a frequentar os 7.º e 8.º anos de escolaridade também tiveram um percurso escolar afetado pela pandemia e marcado por alterações significativas ao nível de aprendizagem e adaptação devendo por isso beneficiar de condições semelhantes às atribuídas aos candidatos dos anos anteriores”.
Para esta redução de colocações, refere, “também contribuiu o facto de se ter verificado uma diminuição de 16,4% nos estudantes que se apresentaram a concurso, nesta fase e face ao ano anterior, assim como a diminuição de 21,1% do número de colocados em instituições localizadas em regiões demograficamente mais frágeis”.
Em relação ao Politécnico de Tomar, a direção do IPT indica que “cerca de 60% dos candidatos escolheram esta instituição como 1.ª opção para prosseguirem os seus estudos e que alguns cursos preencheram por completo as vagas disponíveis”.

Para a presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos, Maria José Fernandes, os números das colocações são o reflexo de “uma litoralização do ensino superior, que além de acentuar as assimetrias regionais, coloca em causa a coesão territorial e o legítimo acesso de todos os jovens ao ensino superior”, lê-se no comunicado.
Maria José Fernandes alertou também para a previsibilidade destes resultados, sublinhando que os institutos politécnicos alertaram a tutela para o efeito do aumento do peso das provas específicas e do aumento das provas de acesso.
“Ao mesmo tempo que reduz todo o histórico do secundário, estávamos a criar barreiras a um conjunto significativo de alunos, sobretudo os oriundos de estratos mais desfavorecidos, cujas famílias não podem pagar a preparação para os exames”, explicou a presidente do Conselho Coordenador.
Os politécnicos defendem que o modelo de acesso ao ensino superior deve ser alterado já no próximo ano letivo e apontam, ainda que não sejam consideradas as questões que mais pesam, os elevados custos de alojamento e a quebra demográfica como outros fatores para a diminuição de alunos este ano concorreram na primeira fase de acesso ao ensino superior.
Na 1.ª fase do Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior ficaram colocados 43.899 estudantes, o que corresponde a uma diminuição de 12,1% em relação ao ano passado.
Este ano houve menos nove mil candidatos ao ensino superior, não chegando aos 50 mil.
Ensino Superior: Alunos colocados têm até quinta-feira para se matricularem
Os mais de 43 mil alunos que ficaram colocados numa instituição de ensino superior pública têm a partir de hoje e até quinta-feira para se matricularem na universidade.
Os alunos que entraram na 1.ª fase do concurso nacional de acesso ao ensino superior receberam um email com a informação sobre a faculdade e curso em que ficaram colocados e podem agora proceder à matrícula.
Os estudantes que vão para o primeiro ano do ensino superior ainda poderão voltar a candidatar-se à 2.º fase, cujas candidaturas também começam hoje.
Além das 11.513 vagas que sobraram da 1.ª fase, na 2.º fase surgem novos lugares deixados por alunos que não concretizaram a matrícula e inscrição. Estas novas vagas dependentes de alunos que desistam do lugar serão divulgadas apenas em 02 de setembro no ‘site’ da Direção-Geral do Ensino Superior (http://www.dges.gov.pt), sendo ainda possível nessa altura alterar uma candidatura já feita.
As candidaturas para a 2.º fase terminam em 03 de setembro e os resultados serão divulgados em 14 de setembro.
Podem concorrer à 2.ª fase os que não ficaram agora colocados e os que, tendo conseguido um lugar, pretendem mudar de curso. No entanto, “se estes estudantes forem colocados na 2.ª fase, a colocação na 1.ª fase, bem como a matrícula e inscrição que realizaram, são anuladas”, informa o Ministério da Educação Ciência e Inovação.
Os candidatos colocados na 1.ª fase que não procederam à respetiva matrícula e inscrição também podem voltar a inscrever-se na 2.º fase, segundo as regras.
Mais de 43 mil alunos ficaram colocados em universidades e politécnicos, um número que corresponde a uma diminuição de 12,1% em relação ao ano passado.
c/LUSA
