A proposta, a ser submetida ao FTJ através da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC) tem por objetivo “mitigar os efeitos sociais e económicos decorrentes do fecho da produção de energia a carvão” na central do Pego, em Abrantes, “dotando a sub-região do Médio Tejo de instalações adequadas e cursos superiores que possibilitem formação especializada através de capacitação destes ex-ativos para novas atividades e ajudem a captar, fixar pessoas e a criar emprego”, indicou à Lusa o presidente do IPT.
“Não é uma nova escola, porque nós efetivamente já temos parte da escola (ESTA), a parte laboratorial e de investigação científica integrada no TagusValley – Parque de Ciência e Tecnologia de Abrantes, o que queremos é agora, adicionalmente, reabilitar e juntar espaços que estão disponíveis para formação profissional”, indicou João Coroado, dando conta das “mais valias” de “juntar à atividade docente e à atividade de graduação superior uma atividade profissional dirigida às necessidades decorrentes do impacto do fecho da atividade de produção de energia a partir do carvão”.
Questionado sobre o montante de investimento necessário, o responsável do IPT disse que os cerca de 08 milhões de euros (ME) previstos “não servem só para a reabilitação da infraestrutura (edifícios), como também para a necessidade de equipar espaços para a formação dirigida” (…).
“Portanto, a este valor está associado quer a infraestrutura de base, quer as linhas programáticas relacionadas com as energias renováveis, que são as prioritárias, com a metalomecânica e com a mecatrónica, que são essenciais para requalificar os ativos que estavam associados à produção de energia a partir do carvão e à atividade decorrente da central” do Pego, indicou, tendo lembrado que o IPT e a Câmara de Abrantes já tinham um projeto em mãos para concentrar no Parque de Ciência e Tecnologia todas as valência da ESTA.

João Coroado disse ainda à Lusa ver “com muitos bons olhos” a candidatura ao FTJ para esta pretensão de financiamento, numa parceria entre o município de Abrantes e o IPT, tendo indicado que tal “permite, a curto médio prazo, ter o projeto desenvolvido” e poder avançar.
“Porque o que está preparado, está licenciado, e já temos autorização por parte da Direção-Geral do Ensino Superior, da DGES, e, portanto, nós já temos o projeto todo. Efetivamente falta-nos o financiamento que as duas instituições por si não têm disponível”, indicou, tendo feito notar que este é um investimento que “urge” e que vai beneficiar toda a região.

“Urge. Ouça, quando eu digo nossa pretensão, é nossa, da região. Isto é uma mais-valia significativa para toda a região, naturalmente, dirigida principalmente para a microrregião de Abrantes mas nós não podemos esquecer que o encerramento de uma atividade tão importante como a produção de energia a partir do carvão teve efeitos colaterais que se se estenderam a todo o Médio Tejo”, notou.
Nesse sentido, defendeu, “com este investimento, também de alguma forma, e da mesma maneira, se vai repercutir em toda a região do Médio Tejo. Todo o investimento que se faça, e eu digo mais, todo o investimento que se faça na formação superior, e neste caso dirigida, é um investimento que é sempre bem-vindo no desenvolvimento das regiões. E, consequentemente, na região onde o projeto está a ser implementado”, vincou.
O presidente da Câmara de Abrantes, por sua vez, disse que “o encerramento da Central Termoelétrica a carvão deixou um rasto de perda significativa na economia” local e regional, que estimou em “muitos milhões de euros”, tendo defendido que “uma das formas de mitigar os prejuízos para toda a região será, seguramente, através do ensino superior, da capacitação de pessoas, do conhecimento, da ciência e da tecnologia”.
Nesse sentido, Manuel Jorge Valamatos, que também preside à Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, afirmou entender como “uma excelente oportunidade aproveitar o Fundo de Transição Justa, um fundo europeu que pretende mitigar o impacto do encerramento da central”, para submeter a candidatura de financiamento ao projeto.
“O Fundo de Transição Justa esteve muito focado, numa fase inicial, para as empresas (…) mas nós também entendemos que o impacto maior do encerramento da central foi precisamente aqui no nosso concelho, em Abrantes, e olhamos para isto como uma excelente oportunidade do FTJ deixar em Abrantes essa marca de um fundo que se destinou a minimizar os impactos do encerramento da central, em termos da economia e, seguramente, marcaria muito a diferença e daria muita justiça a todo este processo”, defendeu.
“Nós entendemos que seria uma excelente oportunidade e, seguramente, seria um grande investimento, verdadeiramente, para mitigar o encerramento da central aqui no Pego, em Abrantes e no Médio Tejo. Seria uma obra absolutamente extraordinária que o Fundo de Transição Justa também se tivesse disponível para essa afirmação, para conseguirmos ter uma escola nova do ponto de vista estrutural, mas também que provocasse esta escola para um novo dinamismo, para uma nova linguagem de novos cursos, novas linguagens de formação, de estruturas de formação, e com novas organizações”, vincou.
O projeto para a requalificação da ESTA vai ser submetido e apresentado para aprovação na reunião de Câmara Municipal de Abrantes até ao final de janeiro.
Segundo o projeto, os edifícios afetos à nova Escola Superior de Tecnologia de Abrantes do Instituto Politécnico de Tomar (ESTA.IPT), estarão concentrados no espaço do Parque de Ciência e Tecnologia, que se situa em Alferrarede, no concelho de Abrantes, agregando todas as valências que atualmente se encontram dispersas em vários edifícios no centro da cidade.

PERGUNTA- há quantos anos se ouve falar disto?