Ponte da Praia, que liga Constância Sul e Vila Nova da Barquinha. Foto arquivo: mediotejo.net

O Governo apresentou recentemente um conjunto de investimentos nas infraestruturas do país a realizar até 2030 deixando por concretizar 80% do programa de investimentos em vigor, o PETI3+, apresentado em 2014 pelo Governo PSD/CDS com o apoio do Partido Socialista e que deveria estar concretizado em 2020. António Costa lança um novo programa de investimentos até 2030 para tentar disfarçar a reduzida execução do programa em curso que herdou.

Recordo que o Ministro Pedro Marques tem justificado a fraca execução do PETI3+ com a falta de fundos comunitários para o concretizar e de projetos preparados. Ora, esta são duas desculpas nas quais só acredita quem desconhece os assuntos. Em primeiro lugar, parte do deste programa era suposto ser financiado via Orçamento de Estado e as verbas até estavam lá para isso, mas foi precisamente a área onde Mário Centeno mais fez cativações. O investimento público de 2015 a 2018 é o mais baixo das últimas décadas. Até em período de austeridade com a troika por cá se gastou mais em infraestruturas.

Depois importa também destacar outro absurdo. Se a desculpa de Pedro Marques para a fraca execução do PETI3+ era não haver linhas de financiamento no PT2020 para parte destas obras é incrível como lança um programa de investimentos para executar até 2030 sem saber se esses investimentos têm cabimento no acordo de Parceria que Portugal irá assinar com a UE. De resto já se sabe que voltaremos ao mesmo, no PT2030 deverá haver dinheiro para a ferrovia, devido às verbas ambientais, mas não para a rodovia pois são essas as regras da UE conhecidas já desde 2007.

Com isto gostava que os leitores do Médio Tejo percebessem que as mais recentes notícias sobre investimentos públicos no distrito não passam de propaganda, de powerpoints e de boas intenções

Se nem a conclusão do IC3/A13 ou a alternativa ao acesso ao EcoParque da Chamusca, talvez uma das obras mais prioritárias, nem a ligação do IC9 à A1 em Fátima, nem a modernização dos comboios ou da ferrovia da linha do Norte e da Beira Baixa o Governo fez até agora, é um desplante vir agora prometer mais duas ou três pontes sobre o Tejo, uma ligação de autoestrada de Abrantes à Ponte de Sor, etc etc.

Um Governo que atira para 2023/2024 a compra de comboios novos, que todos os dias suprime serviços de comboio, que deixa as estradas nacionais cada vez mais degradadas, que demora cada vez mais a pagar aos fornecedores, deveria ter algum pudor quando vem anunciar mais investimentos até 2030.

É pena que alguns autarcas e Deputados da região sejam mais rápidos a enaltecer este conjunto de promessas do que a reclamar o muito que ao longo destes três anos e meio ficou por fazer.

Já diz o ditado popular “quando a esmola é muita até o pobre desconfia”.

 

Duarte Marques, 39 anos, é natural de Mação. Fez o liceu em Castelo Branco e tirou Relações Internacionais no Instituto de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa, com especialização em Estratégia Internacional de Empresa. É fellow do German Marshall Fund desde 2013. Trabalhou com Nuno Morais Sarmento no Governo de Durão Barroso ao longo de dois anos. Esteve seis anos em Bruxelas na chefia do gabinete português do PPE no Parlamento Europeu, onde trabalhou com Vasco Graça Moura, José Silva Peneda, João de Deus Pinheiro, Assunção Esteves, Graça Carvalho, Carlos Coelho, Paulo Rangel, entre outros.
Foi Presidente da JSD e deputado na última legislatura, onde desempenhou as funções Vice Coordenador do PSD na Comissão de Educação, Ciência e Cultura e integrou a Comissão de Inquérito ao caso BES, a Comissão de Assuntos Europeus e a Comissão de Negócios Estrangeiros e Cooperação. O Deputado Duarte Marques, eleito nas listas do PSD pelo círculo de Santarém, foi eleito em janeiro de 2016 um dos novos representantes portugueses na Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, com sede em Estrasburgo. É ainda membro da Assembleia Municipal de Mação.
Sócio de uma empresa de criatividade e publicidade com sede em Lisboa, é também administrador do Instituto Francisco Sá Carneiro, director Adjunto da Universidade de Verão do PSD, cronista do Expresso online, do Médio Tejo digital e membro do painel permanente do programa Frente a Frente da SIC Notícias.

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