A Polícia Judiciária (PJ) de Leira deteve na quarta-feira um homem de 31 anos, suspeito da autoria de, pelo menos, quatro crimes de incêndios florestais, ocorridos em Ourém nos meses de junho e julho. O detido, residente na zona de Ourém, bombeiro na corporação de Ourém e sem antecedentes criminais, é ainda suspeito da autoria de outros incêndios florestais ocorridos no concelho.
O suspeito ateou o fogo com a utilização de artefactos retardadores, numa zona com vasta mancha florestal, povoada com pinheiro bravo, carvalhos, eucaliptos e mato, existindo na proximidade vários aglomerados habitacionais e complexos comerciais. A área ardida foi considerável, segundo a PJ, que aponta a fogos ocorridos nas datas de 26 de junho e 1, 17 e 19 de julho.
“Não fosse a rápida e eficaz intervenção dos bombeiros locais, o incêndio poderia ter tido proporções mais gravosas”, refere a PJ, numa acção de investigação desenvolvida pelo Departamento de Investigação Criminal de Leiria com o apoio do Grupo de Trabalho Para a Redução de Ignições da Região Centro Litoral.
A investigação tem ainda suspeitas que este homem seja o autor de outros incêndios florestais ocorridos no mesmo concelho, considerando o padrão espácio-temporal e o modus operandi.
À agência Lusa, fonte da Diretoria do Centro da PJ, sediada em Coimbra, afirmou que a investigação acredita que o arguido produziria os próprios artefactos utilizados, atendendo aos objetos apreendidos no decurso das buscas.
Segundo a mesma fonte, a investigação admite que a ação do suspeito se deveu aos benefícios pecuniários que poderia ter ao ser ativado para combater os incêndios.
O comandante dos Bombeiros Voluntários de Ourém, Guilherme Isidro, explicou que “a PJ, no seguimento da investigação, fez diligências junto de um bombeiro desta corporação e aqui na corporação, no que diz respeita aos pertences pessoais do bombeiro, que acabou detido”.
“A corporação estará sempre disponível para colaborar com as autoridades naquele que é o seu trabalho de investigação e aguarda com serenidade o cabal esclarecimento da situação”, declarou Guilherme Isid4ro.
Este responsável esclareceu que o bombeiro detido é voluntário na corporação há seis anos e funcionário da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Ourém.
“Neste período, foi sempre um elemento cumpridor das suas obrigações”, garantiu o comandante.
O bombeiro detido vai ser presente à autoridade judiciária para aplicação das medidas de coação.
As autoridades não têm tido mãos a medir, tendo a PJ anunciado que um homem de 31 anos foi detido suspeito de ser o autor de um crime de incêndio florestal no concelho de Ferreira do Zêzere, onde reside. Em comunicado, a PJ de Leira refere que a detenção, ocorreu na terça-feira, sendo que o homem é suspeito de ter ateado o fogo com recurso a um isqueiro (AQUI).
Um quarto dos incêndios investigados este ano teve origem em fogo posto
Um quarto dos incêndios rurais investigados este ano tiveram como origem o fogo posto e a área ardida até julho regista o terceiro valor mais elevado desde 2015, segundo o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).
O relatório provisório do ICNF, referente a 31 de julho e hoje divulgado, dá conta que os incêndios investigados até àquela data tiveram como causas mais frequentes as queimas e queimadas (32%), seguido do “incendiarismo – imputáveis” (25%) e reacendimentos (8%).
O ICNF refere que, dos 4.758 incêndios rurais verificados até ao final de julho, foram investigados 2.895, dos quais 61% têm o processo de averiguação de causas concluído.
De acordo com o relatório provisório, entre 01 de janeiro e 31 de julho deflagraram 4.758 incêndios rurais que resultaram em 33.224 hectares (ha) de área ardida, entre povoamentos (15.545 ha), matos (13.704 ha) e agricultura (3.975 ha).
Em relação ao mesmo período do ano passado, as chamas consumiram cerca de sete vezes mais e os fogos aumentaram 85%.
“O ano de 2025 apresenta, até ao dia 31 de julho, o segundo valor mais reduzido em número de incêndios e o terceiro valor mais elevado de área ardida, desde 2015”, lê-se no documento.
O ICNF destaca que foi em julho que se registaram 50% dos fogos deste ano, num total de 2.367, e 77% da área ardida, 25.602 hectares.
c/LUSA
