Foto: Massimo Esposito

Já está instalada a APP da primavera. Uma primavera linda e solar, talvez quem deva regar os campos a achem um pouco seca, mas que é linda é!

Com certeza muitos artistas se sentem motivados a sair e pintar ao vivo. Descrever com pincéis e espátulas, óleos ou aguarelas as cores das folhas que estão a nascer, os reflexos nos nossos rios e barragens, as casas das aldeias que começam a ter sombras azuladas e telhados a brilhar. Com certeza o Médio Tejo tem umas paisagens privilegiadas a ser retratadas e não só: é a tranquilidade de poder ir até aos campos e às bordas dos rios e estar geralmente seguros, com restaurantes e aldeias perto e caminhos relativamente acessíveis. Tudo isto faz da nossa região um lugar favorecido para pintar em “plain air” e sei que há muitos a fazê-lo. Sei que artistas de outras regiões se deslocam até aqui para “sugar” a beleza que nos rodeia. Já fui muitas vezes com alunos e também sozinho a aproveitar desta possibilidade. É um dia único, para lembrar e usufruir do que temos. Conseguimos sempre descobrir algo que não sabíamos ou conhecemos e trazemos para casa experiências que partilhamos com amigos, colegas e família.

Eu sei que muitos pensam que é coisa antiga, que eram os impressionistas outros “velhos” a pintar nesta modalidade, sei que está a ser esquecida pelos jovens artistas das instalações mas peço que, pelo menos provem uma vez, uma vez no campo, talvez com moscas e melgas ou vento e algumas gotas de chuva, mas experimentem pintar as vibrações da água ou os verdes das copas das árvores que estão a crescer e depois irão lembrar-se de como é agradável estar e retratar a natureza.

Estou certo que muitos irão ter esta possibilidade e irão ganhar com isto e peço às associações, autarquias e grupos de colegas que possam divulgar, incentivar e depois mostrar as obras feitas.

Então, mãos as obras e vamos a pintar no campo!

Pintor Italiano, licenciado em Arte e com bacharelato em Artes Gráficas em Urbino (Itália), vive em Portugal desde 1986. Em 1996 iniciou um protejo de ensino alternativo de desenho e pintura nas autarquias do Médio Tejo que, após 20 anos, ainda continua ativo. Neste projeto estão incluídas exposições coletivas e pessoais, eventos culturais, dias de pintura ao ar livre, body painting, pintura com vinho ou azeite, e outras colaborações com autarquias e instituições. Neste momento dirige quatro laboratórios: Abrantes, Entroncamento, Santarém e Torres Novas.

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