Pietro Annigoni é um artista de referência. Nascido em Milão em 1910 residiu quase toda a sua vida em Florença e a escolha não foi por acaso. Desde jovem demonstrou um interesse, e um amor, pelo renascentismo e a arte realista que o acompanhou toda a vida. Com 17 anos entrou na Academia de Belas Artes de Florença onde estudou com grande artistas da época que leccionavam nesta escola privilegiada, como Felice Carena e Giuseppe Graziosi.
Com a sua habilidade e estudos intensos aos 22 anos fez a sua primeira exposição chamando a atenção da imprensa nacional que o elogiou desde aquela altura até à sua morte em 1988.
Estudou anatomia, retrato, frescos e sempre pintou o “belo” segundo os parâmetros renascentistas. Isto ajudou-o a ter grande fama em Itália, depois em Londres e em todo o mundo. O seu desenho forte e expressivo, cheio de claro-escuro fez com que fizesse o retrato da Rainha Elisabeth e daí em diante foi conhecido como “o retratista das rainhas”. Pintou o Xá da Pérsia e sua esposa, a Rainha do Irão, J.F. Kennedy, o Papa, e inúmeros outros e foi capa de Time três vezes.
O seu carácter firme e as suas convicções claras levaram-no a ser um dos assinantes do manifesto “Modern realist painters” em oposição aberta à arte abstracta e aos vários movimentos que surgiram em Itália nesses anos. Foi um detalhe insignificante na vida do pintor, mas tornar-se-ia um ponto de referência fundamental, sobre ele e a sua arte.
Temos de nos lembrar que na altura havia cubismo, surrealismo, dadaísmo, abtratismo, até se desenvolver a arte conceitual e a pop art, mas ele permaneceu fiel e defendeu a arte realista. Podemos ver como se manteve firme nas suas decisões, tanto é que ainda agora, em varias igrejas de Florença e no Mosteiro de Monte Cassino, há belíssimos frescos seus que mantém a tradição do “belo pintar” italiano.
O que dizia aos seus alunos era: ‘estudem, desenhem e apliquem-se ao belo‘. Este é decerto um conselho profundo para quem realmente quer enveredar por uma vida de artista, nunca acaba o momento do conhecimento, o artista aprende até morrer.
