Pescador do CRC Barreiras do Tejo vai representar Portugal nos Mundiais de Masters. Foto: DR

Aos 55 anos, Rogério Pedrosa prepara-se para viver uma experiência inédita na sua carreira desportiva. O pescador, natural de Torres Novas, garantiu a presença no Campeonato do Mundo de Masters em Água Doce, que se realiza de 17 a 23 de agosto, em Valência, Espanha, tendo assegurado igualmente o apuramento para a edição de 2027.

A notícia foi recebida com emoção pelo atleta, que participa apenas há dois anos no escalão Masters. “Quando recebi essa notícia de ir ao Campeonato do Mundo, para mim foi uma emoção que até posso dizer que chorei. Chorei. Foi uma emoção muito grande”, confessou ao mediotejo.net.

A estreia em Campeonatos do Mundo representa a concretização de um objetivo perseguido desde que ingressou nos quadros competitivos da modalidade. “Já me inscrevi para entrar nos campeonatos dos Masters com a intenção de fazer o meu melhor. No primeiro ano fui aos apuramentos para o Mundial e fui apurado. Para mim foi muito bom”, refere.

A ligação de Rogério Pedrosa à pesca começou ainda na infância. Natural do concelho de Torres Novas, recorda as jornadas passadas junto à água com o pai e um irmão, numa pequena ribeira próxima da cidade.

“O meu pai já ia à pesca. O bichinho esteve cá sempre, toda a vida”, conta. “Foi aqui numa ribeirazita, perto de Torres Novas, que comecei a ir à pesca com o meu irmão e com o meu pai. Depois comecei a ir para barragens e lagoas aqui perto.”

Décadas mais tarde, esse percurso levou-o ao CRC Barreiras do Tejo (CRCBT), coletividade sediada na localidade ribeirinha de Barreiras do Tejo, no concelho de Abrantes, território profundamente marcado pela presença do rio Tejo e por uma longa tradição ligada à pesca e às atividades fluviais.

A entrada no clube aconteceu por convite de Fernando Alpalhão, responsável pela secção de pesca e um dos nomes mais conceituados da pesca desportiva nacional, detentor de vários títulos e larga experiência competitiva.

“Recebi um convite para ver se queria ir para lá competir pelo clube. Quando fui chamado para lá, disse que sim”, recorda Rogério Pedrosa. A decisão, garante, revelou-se acertada.

“Tem sido uma decisão muito boa. Tenho sido bem recebido, bem tratado. Só tenho coisas a dizer bem deste clube onde agora estou filiado.”

Pescador do CRC Barreiras do Tejo vai representar Portugal nos Mundiais de Masters. Foto: DR

O atleta descreve o CRC Barreiras do Tejo como uma verdadeira família e destaca o ambiente de partilha que existe entre os pescadores. “Já conheci algumas pessoas e agora conheço outras. É tudo gente com quem gosto de falar e gosto de estar. É uma família”, afirma.

Além do convívio, Rogério Pedrosa sublinha a aprendizagem constante proporcionada pelo grupo e pelo acompanhamento de Fernando Alpalhão.

“Estamos sempre a aprender e a evoluir. O senhor Alpalhão é uma pessoa extraordinária para este tipo de coisas. É uma pessoa experiente. A gente fala com ele, tira dúvidas e chega a boas conclusões.”

Para Fernando Alpalhão, o duplo apuramento do atleta assume um significado especial, não apenas pelo valor individual de Rogério Pedrosa, mas também pelo reconhecimento do trabalho desenvolvido pela secção de pesca do CRC Barreiras do Tejo.

Segundo o dirigente, alcançar um lugar num Campeonato do Mundo é um processo extremamente exigente, tendo em conta o elevado nível competitivo dos campeonatos nacionais e a qualidade dos atletas em disputa.

Fernando Alpalhão destaca ainda o facto de Rogério Pedrosa ter conseguido o apuramento para dois Mundiais consecutivos quando se encontra apenas no segundo ano de participação no escalão Masters, considerando que o atleta reúne qualidades técnicas, capacidade de aprendizagem e espírito competitivo que explicam o sucesso alcançado.

Fernando Alpalhão é o coordenador da secção de pesca do CRC Barreiras do Tejo . Foto: DR

Federada há cerca de cinco anos, a secção de pesca do CRC Barreiras do Tejo conta atualmente com 25 atletas federados e participa em competições individuais e coletivas a nível nacional. Em 2023, a equipa conquistou o título regional de clubes em pesca de boia e água doce, assegurando a subida à 2.ª Divisão Nacional Sul.

O responsável considera que a presença de um atleta do clube em dois Campeonatos do Mundo consecutivos constitui um motivo de orgulho para toda a estrutura e para a comunidade local.

Quanto às expectativas para Valência, Rogério Pedrosa prefere manter os pés assentes na terra, sem esconder a ambição. “Vamos fazer o melhor possível. Tentar ganhar, se possível. Isso era muito bom, ser campeão do Mundo.”

Mas o pescador admite que a simples presença entre os melhores atletas do planeta já representa uma conquista.

“Estar apurado e estar ali no meio de um Campeonato do Mundo com pescadores de dezenas de países já é uma grande vitória. Estão lá os melhores do mundo”, conclui Rogério Pedrosa.

Enquanto prepara a participação nos Mundiais de 2026 e 2027, o atleta continuará a competir pelo CRC Barreiras do Tejo, que terá já uma participação expressiva no Convívio de Pesca integrado nas Festas de Abrantes. A iniciativa realiza-se no dia 14 de junho, no Aquapolis, em Barreiras do Tejo, e deverá contar com cerca de duas dezenas de pescadores do CRCBT, entre muitos outros da região envolvente.

A presença em força dos atletas da coletividade abrantina constitui mais um sinal da vitalidade da secção de pesca liderada por Fernando Alpalhão, que vê no apuramento de Rogério Pedrosa para os Campeonatos do Mundo um motivo de orgulho para o clube, para Barreiras do Tejo e para o concelho de Abrantes.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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