A IX edição do Cruzeiro Religioso e Cultural do Tejo/III Cruzeiro Ibérico chegou no domingo a Oeiras, em Lisboa, culminando uma das “melhores edições de sempre”, disse ao mediotejo.net Rui Rodrigues, da organização. Ao longo de um mês, a imagem da Senhora dos Avieiros uniu as populações ribeirinhas de Portugal e Espanha numa peregrinação fluvial que percorreu o rio Tejo ao longo de cerca de 300 km.
“Estamos muito satisfeitos com esta edição, a mais longa de todas, com 16 etapas e paragem em 60 localidades ribeirinhas, num total de cerca de 300 quilómetros, e que foi das melhores edições de sempre”, disse Rui Rodrigues cerca das 16h00 de domingo, com as embarcações em pleno estuário do Tejo e a dirigirem-se para o ponto final do Cruzeiro Religioso e Cultural do Tejo, em Oeiras.
Pouco depois a organização dava conta de uma jornada que terminou “em beleza” e “sem acidentes”.

“Termina assim o IX Cruzeiro Religioso e Cultural do Tejo, em beleza, oração e no conforto da nossa Mãe, Nossa Senhora dos Avieiros e do Tejo. Sendo Oeiras Marina o nosso porto seguro de uma grande jornada sem acidentes. Um cruzeiro de fé e afetos, sendo o rio Tejo o fio condutor das comunidades ribeirinhas”.



Rui Rodrigues, da Confraria Ibérica do Tejo, destacou a envolvência e participação das comunidades ribeirinhas num evento que já “consideram como seu”, tendo feito notar as melhorias registadas na relação das populações com o Tejo, a preocupação com a irregularidades dos caudais e a fauna piscícola, devido às espécies invasoras, e a promessa que a X edição regressará em 2023.
“Nem as pessoas deixariam que assim não fosse”, afirmou.
ÁUDIO | RUI RODRIGUES, CONFRARIA IBÉRICA DO TEJO:
A peregrinação fluvial começou a descer o rio no dia 18 de maio, unindo as populações de Rosmaninhal [Portugal] e Alcântara, Santiago de Alcântara, Herrera de Alcântara e Cedlilho [todas em Espanha], seguindo dali para Montalvão e fazendo o resto do percurso em troço nacional, até ao estuário do rio, em Oeiras, onde atracou no domingo, dia 18 de junho.

A iniciativa é da Confraria Ibérica do Tejo, que pretende “projetar os saberes, as tradições e as diferentes culturas e modos de viver o Tejo”, disse Rui Rodrigues. As fotos e vídeos de todas as etapas estão registadas AQUI, na página oficial da organização.
Tramagal acolheu peregrinação fluvial da Senhora dos Avieiros em manifestação de cultura e fé
A IX edição do Cruzeiro Religioso e Cultural do Tejo cumpriu no dia 28 de maio a sua quinta etapa, ligando Tramagal a Vila Nova da Barquinha. O mediotejo.net esteve a acompanhar a peregrinação no Porto da Barca, em Tramagal, local que acolheu dezenas de populares numa grande manifestação de cultura e fé, a exemplo das localidades ribeirinhas por onde passou a comitiva com a imagem da Senhora dos Avieiros e do Tejo.
Cedo se começaram a juntar muitos populares no Porto da Barca que, apesar da ameaça de chuva, não deixaram de dizer presente à passagem da Senhora dos Avieiros e do Tejo, dando um outro colorido ao espaço ribeirinho. O local, que tem beneficiado de investimentos continuados, apresenta-se limpo e convidativo à fruição e usufruto ribeirinho.

O calor humano também não faltou, com a junta de freguesia de Tramagal a providenciar comes e bebes para os convivas, onde não poderia faltar o peixe do rio, a que se juntaram escuteiros, associações e uma pequena cerimónia religiosa, enquanto alguns jovens pintavam o rio com as suas canoas. Antes de chegar ao cais, a imagem passou em caravana pelas ruas da freguesia, acompanhada de automóveis e motos.
VIDEO/REPORTAGEM:
O calor humano também não faltou, com a junta de freguesia de Tramagal a providenciar comes e bebes para os convivas, onde não poderia faltar o peixe do rio, a que se juntaram escuteiros, associações e uma pequena cerimónia religiosa, enquanto alguns jovens pintavam o rio com as suas canoas. Antes de chegar ao cais, a imagem passou em caravana pelas ruas da freguesia, acompanhada de automóveis e motos.
António José Carvalho, presidente da Junta de Freguesia de Tramagal, destacou a importância da peregrinação fluvial pelo aproximar a população ao rio Tejo, num evento que junta fé, cultura, turismo, e também alerta para preocupações ambientais. João Serrano, da Confraria do Tejo, por sua vez, disse ao mediotejo.net que as populações ribeirinhas se apropriaram do evento, que cumprem a sua IX edição, e que agora não perguntam se a peregrinação se realiza para o ano. “Agora já não perguntam isso. Dizem antes, até ara o ano!”, afirmou, tendo feito notar a importância de ter “um rio vivo e vivido”.
Em ano de seca e com o Tejo a sofrer com os baixos caudais, os barcos que integram o IX Cruzeiro Religioso e Cultural do Tejo, III Cruzeiro Ibérico, têm sido movidos a fé pela participação calorosa das populações ribeirinhas e contornado as rochas e os bancos de areia graças ao apoio dos marítimos locais.
Naquele domingo de 28 de maio, o caudal do rio até seguia generoso, apesar dos bancos de areia e rochas que a comitiva ia encontrando pelo percurso e que contornou, com a ajuda dos pescadores locais.
Nada que apoquente a organização e retire força ao espírito de missão, que arrancou no dia 18 de maio, em Espanha, e vai descer o Tejo, até à foz: “as dificuldades existem para serem ultrapassadas e com a ajuda de Nossa Senhora dos Avieiros vamos chegar a Lisboa” no próximo dia 18 de junho, assegurou João Serrano, da Confraria Ibérica do Tejo, que não escondia a satisfação pela apropriação das comunidades ribeirinhas de um evento que se tornou uma tradição e que é esperado ano após ano em mais de 60 localidades.
Populares em Alvega recebem com cânticos e flores a Senhora dos Avieiros nas margens do Tejo
O Cruzeiro Religioso e Cultural do Tejo entrou na manhã de 27 de maio no concelho de Abrantes, tendo sido passado o testemunho entre a freguesia de Ortiga, no concelho de Mação, e Alvega. Algum tempo antes da hora prevista, já Nossa Senhora dos Avieiros atravessava o Tejo entre margens, para atracar no cais de Alvega, junto da Estação de Canoagem.
Ali já a esperava alguma população, peregrinos e membros da organização deste Cruzeiro “de fé e afetos”, além do pároco Manuel Mendonça e o presidente de Junta, António Moutinho.
Num momento de fé e religiosidade, a passagem desta peregrinação fluvial foi celebrada, de forma modesta mas sentida pela comunidade. A imagem de Nossa Senhora de Fátima foi trazida à beira-Tejo desde a Igreja de São Pedro, fazendo o acolhimento e encontro entre as duas imagens do divino.
GALERIA
Numa celebração religiosa com oração e cânticos, e onde também o andor de Nossa Senhora dos Avieiros foi embelezado e renovado com oferta de flores frescas de tons quentes por parte de membros da paróquia, o povo desceu ao cais para se encontrar com a padroeira dos Avieiros e o rio Tejo.
Na ocasião, foi lembrado que este é um cruzeiro feito ao longo do rio Tejo, sendo este o “fio condutor” de um convívio que se quer fraterno entre as comunidades ribeirinhas, numa peregrinação que se vai desenhando e unindo as margens e concelhos vizinhos.
Também se abordou o significado da imagem de Nossa Senhora dos Avieiros, em que um casal no seu barco apela, com fé, ao auxílio da padroeira perante as dificuldades e as tormentas do dia-a-dia.
O casal, aos pés da Sra. dos Avieiros, pede ajuda, e esta, de mão levantada aos céus, faz o apelo para interceder junto da divindade. O pescador ali representado traz a mão junto do coração, agradecendo o auxílio prestado.

É de preces e agradecimentos, e destes ajuntamentos populares, que se fazem as receções ao longo das várias etapas e à medida que se chega a cada um dos portos.
De Alvega, o Cruzeiro prosseguiu a peregrinação para Mouriscas (12h00). Durante a tarde seguiram-se passagens por novos pontos do concelho de Abrantes, nomeadamente o Pego (16h30) e Rossio ao Sul do Tejo, onde chegou cerca das 19h00, com acolhimento e pernoita na localidade.
No dia 28 de maio, a 5ª etapa principiou no Porto da Barca, em Tramagal, às 09:30, seguindo para Rio de Moinhos (10:00), Amoreira (11:30), Constância (13:00), Praia do Ribatejo (14:30), Arripiado (17:30) e Tancos (Vila Nova da Barquinha), onde chegou cerca das 19:00.
A 6ª etapa começou no dia 3 de junho, um sábado, com partida de Tancos às 09h00, e chegada a Vila Nova da Barquinha às 09:15, seguindo depois por Pinheiro Grande (11:30), Porto das Mulheres, em Chamusca (13:30), Azinhaga, na Golegã (16:30), Alpiarça, ao Patacão, (18:00) e a chegada a Vale de Figueira/Barreira da Bica, Santarém, cerca das 20:00, local onde pernoitou, seguindo viagem no domingo, dia 4 de junho, rumo a Valada do Ribatejo e Escaroupim.
NOTÍCIA RELACIONADA:
NOTÍCIA RELACIONADA:
























